No total estão agora desaparecidos três cidadãos nacionais, um do sexo masculino e dois do sexo feminino, na sequência do desastre no Nepal. As autoridades nepalesas confirmam mais de 300 vítimas mortais.
Pelo menos 359 pessoas morreram no Nepal na sequência das violentas cheias que assolaram a região da fronteira com o Tibete terem varrido várias comunidades, na quarta-fiera. Nos dois lados da fronteira, há registo de mais de 1.500 desaparecidos.
As autoridades nepalesas confirmaram 359 vítimas mortais, num balanço que continua a aumentar e permanece longe de estar fechado. No Nepal estão contabilizados ainda mais de 800 desaparecidos, perto de 400 de nacionalidade estrangeira, número que inclui quatro cidadãos portugueses. No entanto, as contagens e números oficiais variam consoante as fontes.
No Tibete, a agência noticiosa oficial chinesa, Xinhua, indicou esta quinta-feira que derrocadas de lama, provocadas pelo colapso de um glaciar, causaram três mortos e 558 desaparecidos, enquanto a televisão estatal CCTV adiantou que cerca de 260 das 558 pessoas desaparecidas no Tibete são estrangeiras.
Imagens de drone no Nepal mostravam estradas destruídas e edifícios soterrados por água trovejante da cor de cimento húmido.
Nepal e Tibete: estrangeiros entre os desaparecidos
Entre os desaparecidos contabilizados no Nepal encontram-se três cidadãos de nacionalidade portuguesa. Na mais recente atualização sobre o balanço de vítimas, e já depois de ter sido divulgado que se encontravam nesta situação dois cidadãos nacionais do sexo masculino e outras duas do sexo feminino, o Ministério dos Negócios Estrangeiros informou que um desses cidadãos, "que estava dado como desaparecido desde ontem", tinha já sido "localizado".
"Encontra-se bem de saúde e em segurança, ainda na fronteira com o Tibete, mas aparentemente longe do sucedido", informa a fonte diplomática. Desta feita, encontram-se, neste momento, três portugueses desaparecidos, "um cidadão do sexo masculino e duas do sexo feminino".
Responsáveis no Nepal tinham indicado anteriormente que 403 pessoas, incluindo 341 estrangeiros, estavam dadas como desaparecidas. Sunil Sharma, porta-voz do conselho de turismo, afirmou que 133 eram da Índia e encontravam-se em peregrinação ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus. Também estão desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, disse. O Departamento de Estado norte-americano referiu estar ciente de cidadãos americanos afetados.
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, disse aos jornalistas esta quinta-feira que pelo menos 34 australianos em peregrinações e viagens de trekking estão desaparecidos.
“Percebemos que estes australianos integravam diferentes grupos de peregrinos e de turistas”, afirmou Wong em Adelaide, na Austrália.
O governo do Nepal ainda não tinha pedido ajuda, mas a Austrália está a coordenar com o Nepal, as Nações Unidas, a Cruz Vermelha e outras organizações uma resposta humanitária, acrescentou.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Malásia, 55 malaios em Katmandu estavam incontactáveis devido a sérias perturbações nas infraestruturas, o que levou o ministério a aumentar na quinta-feira o número de desaparecidos. A pasta afirmou que está a trabalhar de perto com as autoridades para determinar a segurança e a localização dos cidadãos malaios afetados, mas ainda não há confirmação oficial da sua presença.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) comunicou inicialmente um terramoto de magnitude 4,4, ocorrido na madrugada de quarta-feira, a cerca de 66 quilómetros (41 milhas) a norte de Katmandu, perto da fronteira.
Mais tarde, o USGS atualizou a sua análise para indicar que o fenómeno sísmico registado correspondia, na realidade, ao colapso de um glaciar de magnitude 5,2, que fez descer detritos ao longo do curso de água com impacto catastrófico nas comunidades.
A agência explicou que esta conclusão se baseia em dados de estações sísmicas próximas, ondas sísmicas de longo período e imagens de satélite, e que não ocorreu qualquer terramoto.
Avalanche de glaciar provoca desastre
Especialistas em clima do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, sediado em Katmandu, afirmaram que uma avalanche de um glaciar terá estado na origem das cheias repentinas de quarta-feira.
“As observações hidrológicas indicam a velocidade excecional e a magnitude da onda de cheia”, referiram em comunicado enviado por correio eletrónico, assinalando que, num ponto do rio Trishuli, o nível da água subiu até 9 metros em apenas meia hora.
Acrescentaram que o rio Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi, registou a cheia máxima.
“O Lhende Khola inundou duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de blocos de gelo proveniente de um glaciar no lado nepalês, que bloqueou o rio e libertou uma vaga súbita a jusante”, explicou Saswata Sanyal, especialista em redução do risco de catástrofes no grupo de investigação climática.
A catástrofe no Tibete e no Nepal não é um caso isolado. Em apenas 14 meses, o sistema fluvial do Lhende Khola inundou duas vezes e, numa das áreas mais densamente povoadas do planeta, populações, infraestruturas e reservas de água estão em risco devido ao sistema glaciário dos Himalaias, cada vez mais instável.
Os vales íngremes da região são vias vitais para a economia e corredores de circulação, mas revelam-se frágeis quando ocorre uma catástrofe. As imagens mostravam o que pareciam ser segundos andares de edifícios no distrito nepalês de Nuwakot, um dos mais atingidos, cobertos de lama após a passagem da torrente. Havia detritos pendurados nos ramos das árvores e nos cabos, veículos soterrados e alguns sobreviventes em choque completamente cobertos de lama. As cheias interromperam deslocações em várias zonas.
A região registou cheias repentinas semelhantes em agosto do ano passado, quando um lago glaciário no Tibete transbordou devido às temperaturas elevadas.
Nove pessoas morreram e infraestruturas críticas, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China, ficaram danificadas.