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Morreu aos 84 anos o "carrasco da Bósnia" Ratko Mladić

ARQUIVO - Antigo general sérvio bósnio Ratko Mladic tira o chapéu na sala de audiências na estreia no tribunal da ONU para crimes de guerra na Haia, a 3 de junho
ARQUIVO – O antigo general sérvio bósnio Ratko Mladic tira o chapéu na sua primeira audição no tribunal de crimes de guerra da ONU, em Haia, 3 de junho de 20 Direitos de autor  AP Photo
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De Aleksandar Brezar & Euronews
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O ex-comandante militar sérvio-bósnio, condenado a prisão perpétua pelo massacre de mais de 8 mil bósnios e pelo cerco de Sarajevo, morreu aos 84 anos, após 15 anos em fuga até ser detido na Sérvia em 2011.

O antigo chefe militar sérvio-bósnio e criminoso de guerra condenado Ratko Mladić morreu num hospital prisional em Haia, aos 84 anos, segundo a estação pública sérvia RTS.

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Considerado o mais infame criminoso de guerra dos Balcãs, Mladić ficou conhecido como “Carrasco da Bósnia” pelo papel no genocídio de Srebrenica, em 1995, durante a guerra da Bósnia.

Foi condenado a prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ) por transformar vastas regiões da Bósnia num cenário de massacre durante a guerra na década de 1990.

Entre outros crimes de guerra, Mladić foi condenado por genocídio pelas execuções sumárias de mais de 8 mil bósnios muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995, cometidas pelo exército sérvio da Bósnia sob o seu comando — uma atrocidade considerada a pior desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Após a Bósnia declarar independência da Jugoslávia, no início de 1992, seguindo o exemplo da Eslovénia e da Croácia, os dirigentes sérvios bósnios, apoiados pelo governo de Belgrado liderado por Slobodan Milošević, criaram um Estado paralelo.

A ofensiva militar que se seguiu, dirigida por Mladić — um oficial de carreira do exército jugoslavo que também participou nos combates na vizinha Croácia — teve como objetivo limpar etnicamente o máximo possível do território do país das outras duas comunidades, bósnios muçulmanos e croatas.

Mladić desempenhou também um papel decisivo no cerco de vários anos a Sarajevo, o mais longo cerco a uma capital na guerra moderna.

Instaladas nas colinas em redor da cidade, unidades sérvias bósnias sob o seu comando mantiveram uma campanha de bombardeamentos contínuos e de ataques de franco-atiradores contra civis desde o início de 1992 até ao fim da guerra, no final de 1995.

O cerco da capital bósnia terminou formalmente em fevereiro de 1996, seguido da reintegração dos bairros controlados pelos sérvios bósnios — onde as unidades de Mladić tinham conduzido campanhas de perseguição, terror e expulsões forçadas.

Depois de o TPIJ emitir a primeira acusação contra si, em julho de 1995, Mladić manteve-se como comandante do Estado-Maior do exército sérvio da Bósnia até ser afastado, em novembro de 1996. A partir daí, passou a ser fugitivo da justiça.

Passou 15 anos escondido ou a ser protegido por contactos nos serviços de informação e nas forças armadas, até ser finalmente detido em casa de um familiar, na Sérvia, em 2011.

Nos últimos anos, a saúde de Mladić degradou-se progressivamente após vários acidentes vasculares cerebrais, segundo membros da família.

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