A líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, condenou a classificação da Euronews como meio de comunicação “extremista” por parte de Minsk, considerando-a um ataque tanto à liberdade de imprensa como ao público da emissora na Bielorrússia.
A líder da oposição da Bielorrússia, Sviatlana Tsikhanouskaya, condenou esta sexta-feira a decisão de Minsk de classificar as notícias publicadas no site da Euronews como conteúdo “extremista”, qualificando-a como uma tentativa “vergonhosa” do governo de Aliaksandr Lukashenka de afastar os bielorrussos de informação factual e independente.
“O regime de Lukashenka rotulou a Euronews, uma importante plataforma noticiosa europeia, de ‘extremista’ por levar a verdade a milhões de bielorrussos”, escreveu numa publicação na rede X.
“Isto ataca a liberdade de imprensa e transforma os espectadores em alvos de repressão”, acrescentou, apelando ao canal para “manter a firmeza” e sublinhando que “o vosso trabalho é importante”.
No início da semana, o ministério da Informação bielorrusso colocou o site da Euronews na sua “Lista Republicana de Materiais Extremistas”, segundo meios de comunicação sediados na Bielorrússia. A decisão é de execução imediata ao abrigo das regras do processo civil bielorrusso.
A decisão implica que o acesso ao site da Euronews passa a ser restringido na Bielorrússia e que os leitores poderão enfrentar sanções administrativas por armazenarem ou difundirem o seu conteúdo. O canal alertou que esta classificação corre o risco de criminalizar o seu público e de limitar o acesso ao seu jornalismo factual.
A nova medida segue-se à retirada do canal das grelhas de televisão em 2021 e coloca a Bielorrússia em linha com a Rússia, que bloqueou tanto as emissões como os serviços digitais da Euronews pouco depois da invasão em grande escala da Ucrânia.
Claus Strunz, diretor editorial da Euronews, afirmou que o canal não foi notificado da decisão e que aguarda os argumentos das autoridades.
“Um Estado que rotula a Euronews como ‘extremista’ e bloqueia o acesso a um jornalismo independente e imparcial revela o seu próprio medo da informação livre”, disse Strunz.
Acrescentou que o canal continuará a oferecer “jornalismo factual e independente” ao seu público na Bielorrússia.
“Não fomos informados desta decisão e aguardamos a justificação das autoridades. O nosso compromisso mantém-se inalterado: estamos ao lado das nossas audiências na Bielorrússia e continuaremos a fornecer jornalismo factual e independente, orientado pelos nossos valores editoriais fundamentais”, disse o diretor editorial da Euronews.
As autoridades bielorrussas ainda não anunciaram oficialmente a decisão nem expuseram os argumentos que levaram a esta medida extrema, pela qual a Euronews e vários outros meios de comunicação digitais passam a ser classificados como “meios extremistas” na Bielorrússia.
A independente Associação Bielorrussa de Jornalistas sugeriu que a suspensão das emissões da Euronews está ligada a tentativas de restringir o acesso a fontes de informação.