O jornalista e analista político português reagiu à decisão do governo de Alexander Lukashenko de classificar o site da Euronews como um órgão "extremista". Para ele, é uma forma de "guerra híbrida" contra o seu próprio povo.
O jornalista e analista político Germano Almeida, presença habitual nos ecrãs da televisão portuguesa, diz-se revoltado com a notícia da proibição do site da Euronews na Bielorrússia, mas "nada surpreendido", já que a Bielorrússia é "um satélite da Rússia, uma Rússia em ponto pequeno".
"O projeto europeu, os valores europeus, a liberdade, a democracia europeia, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são inimigos da estratégia do Kremlin e de Lukashenko", por isso a decisão tomada pelas autoridades bielorrussas "apenas confirma o alcance da Euronews, e da força da democracia europeia", segundo o analista.
"A grande ameaça a Putin e a Lukashenko é essa força. Putin está a invadir a Ucrânia porque não poderia tolerar ter a União Europeia e a liberdade europeia às portas da Rússia. Portanto, quer fazer o contrário, quer impôr a passada neoimperialista russa às portas da União Europeia. Desse mesmo modo, a Euronews é uma ameaça", prossegue. "Essa é a visão antidemocrática e antiliberal de quem percebe que ver os valores da União Europeia espalhados livremente pelos cidadãos bielorussos é uma ameaça à continuação desse poder".
"É uma forma de guerra híbrida"
Para Germano Almeida, os políticos europeus devem intervir neste caso e deixar bem clara a sua posição: "As instâncias europeias e os governos europeus não podem ficar calados relativamente a isto, porque estamos num momento de guerra híbrida. Esta existe há alguns anos, mas está claramente a aumentar e este é um dos episódios mais graves dessa guerra híbrida. Impedir que os valores democráticos, a liberdade de expressão e os valores europeus sejam transmitidos na Bielorrússia é uma forma de guerra híbrida junto dos próprios cidadãos bielorussos.
Ver e partilhar a Euronews tornou-se ilegal na Bielorrússia
A classificação de "extremista" dada pelo Ministério da Informação do presidente Alexander Lukashenko, colocando o site da Euronews na "lista republicana dos materiais extremistas" significa que este passa a ser uma fonte de informação ilegal no país. Por outras palavras, aceder ou partilhar conteúdos da Euronews passa a ser punível por lei.
Esta decisão refere-se ao site e surge cinco anos depois de, em 2021, a emissão do canal ter também sido suspensa no país.
A Euronews tem sido a principal fonte de jornalismo independente na Bielorrússia e também na Rússia, apesar das limitações impostas pelos governos: "Só no mês passado, o site teve 525.000 visitantes únicos da Bielorrússia, gerando 1,2 milhões de visitas e 2,45 milhões de visualizações de páginas. A Bielorrússia é o 14.º maior mercado em termos globais e o maior mercado para a edição em língua russa", esclarece o CEO da Euronews, Claus Strunz, para quem esta decisão prova "que o regime tem medo do jornalismo livre".