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Portugal já está qualificado e passa em 1.º lugar se bater a Colômbia

Cristiano Ronaldo celebra com os companheiros de equipa após marcar o primeiro golo contra o Uzbequistão no Mundial,Houston, 23 junho 2026
Cristiano Ronaldo celebra com os companheiros de equipa após marcar o primeiro golo contra o Uzbequistão no Mundial,Houston, 23 junho 2026 Direitos de autor  AP Photo/Karen Warren
Direitos de autor AP Photo/Karen Warren
De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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Seleção portuguesa ficou matematicamente apurada para os 16 avos de final na última madrugada e só depende de si própria para alcançar o topo do Grupo K, colocação que, à partida, lhe proporciona um adversário mais acessível na próxima etapa da prova.

Após a entrada em falso diante da República Democrática do Congo (RDC), com um empate que atraiu um coro de críticas, em especial ao capitão Cristiano Ronaldo e à gestão feita pelo selecionador Roberto Martínez, Portugal reencontrou-se na goleada por 5-0 contra o Uzbequistão.

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Devolvida a confiança e serenado o ambiente interno, o grupo está otimista na antecâmara do embate perante a Colômbia, que já carimbou a qualificação para a fase a eliminar ao ter somado por vitórias os dois primeiros jogos.

A equipa das quinas, com quatro pontos, tem o apuramento já matematicamente assegurado e sabe que só depende de si própria para conquistar a primeira posição do grupo K.

Este objetivo é atingido com um triunfo em Miami, este sábado, face aos cafeteros, o que tem relevância porque permitiria a Portugal cruzar-se com um adversário teoricamente mais acessível nos 16 avos de final (o terceiro classificado dos grupos D, E, I, J ou L). Se assim for, a seleção evita Espanha e França, dois dos principais favoritos ao título, no caminho até à final.

Onze de Portugal frente ao Uzbequistão
Onze de Portugal frente ao Uzbequistão AP Photo

De qualquer forma, o empate é suficiente para garantir a passagem às eliminatórias em segundo lugar: este desfecho é mais apetecível do que o terceiro posto, já que, em princípio, também emparelha o conjunto luso com um oponente mais facilmente ultrapassável.

Mesmo que perca com a Colômbia e que a RDC ganhe ao Uzbequistão, Portugal pode passar na segunda posição do grupo: não servindo o confronto direto, primeiro critério de desempate, para desfazer essa hipotética igualdade de pontos entre portugueses e congoleses (empataram a zero entre eles na primeira jornada), o próximo aspeto a considerar, no regulamento do torneio, seria o saldo de golos (diferença entre os marcados e sofridos) que, neste momento, pende largamente para o lado português (seis golos de vantagem).

Só uma derrota lusa por grande margem com a Colômbia e/ou uma goleada da RDC sobre o Uzbequistão, cenário altamente improvável, fariam Portugal cair para o terceiro lugar.

Mas se o nó continuar por desatar depois de aplicados os dois primeiros critérios, são seguidamente verificados, por esta ordem, o número de golos marcados, o registo de fair play (cartões amarelos e vermelhos recebidos) e, por fim, a posição ocupada pelas equipas na última atualização do ranking FIFA (Portugal é 8.º e a RDC está em 46.º).

Teste mais duro até agora

"A jogarmos assim é difícil pararem-nos", afirmou Ronaldo na zona mista após o confronto com os uzbeques. É previsível, no entanto, que os colombianos obriguem os portugueses a elevar a bitola.

De resto, Martínez admitiu, no rescaldo da segunda partida, que a formação sul-americana será um bom teste para ter uma melhor noção sobre o patamar competitivo em que Portugal se encontra. "Depois da Colômbia veremos onde estamos", declarou o técnico.

Tomás Araújo, titular na estreia, está recuperado do problema físico que o deixou de fora do compromisso com o Uzbequistão. Para o primeiro frente-a-frente futebolístico da história entre Portugal e Colômbia, todos os jogadores estão, por isso, à disposição do selecionador.

De acordo com a imprensa portuguesa que acompanha o percurso da seleção nacional nos Estados Unidos, o onze inicial não deve sofrer grandes mexidas. Ainda assim, estará a ser ponderada a inclusão de Diogo Dalot ou Nélson Semedo, ao que tudo indica para o lugar de João Cancelo, jogador de pendor atacante e que, perante um adversário mais afoito e expectavelmente mais estendido no terreno, pode expor a equipa.

Diogo Dalot (à direita) e Rúben Neves (à esquerda) bem-dispostos no treino de Portugal, Palm Beach, 25 junho 2026
Diogo Dalot (à direita) e Rúben Neves (à esquerda) bem-dispostos no treino de Portugal, Palm Beach, 25 junho 2026 AP Photo

Os laterais do Manchester United e do Fenerbahçe, respetivamente, ofereceriam maior solidez sem bola na tentativa de travar uma equipa que acelera nas transições ofensivas e faz muita mossa a partir dos flancos.

Quer Dalot quer Semedo assegurariam uma retaguarda mais bem preparada para lidar com situações de um para um, sobretudo nos duelos com o extremo Luis Díaz, a estrela mais cintilante da constelação colombiana.

Dada a velocidade dos cafeteros, Martínez pode ainda estar inclinado a reforçar o centro do terreno de forma a controlar mais eficazmente o ritmo do jogo. Nesse plano, Bernardo Silva regressaria à titularidade por troca com Pedro Neto ou João Félix, não obstante as boas indicações deixadas pelo jogador do Al Nassr no último desafio.

Bernardo Silva no jogo de Portugal contra a República Democrática do Congo, 17 junho 2026
Bernardo Silva no jogo de Portugal contra a República Democrática do Congo, 17 junho 2026 AP Photo

Que Colômbia é esta?

Depois de falhar a presença no Qatar, a Colômbia, atual 11.ª do ranking FIFA, está de volta ao maior palco do futebol para o sétimo Campeonato do Mundo do palmarés, tendo alcançado a fase a eliminar nas últimas três participações na competição.

A comandá-la está, desde 2022, o argentino Néstor Lorenzo, de 60 anos, que conhece por dentro a estrutura da Tricolor: foi o braço-direito de José Pekerman durante as campanhas de 2014 - que resultou no melhor desempenho do país em Mundiais (quartos de final) - e de 2018.

Líderes do grupo com seis pontos, os colombianos sabem que só precisam de empatar para segurar a primeira posição. Nos dois primeiros jogos, Lorenzo alinhou o mesmo onze e, segundo a imprensa do país, deverá mantê-lo contra Portugal.

Como já se antecipava, Luis Díaz tem sobressaído neste Mundial (um golo e uma assistência) após uma época extraordinária ao serviço do Bayern de Munique, perfilando-se, desde já, como o jogador mais desequilibrador da prova.

Dados de um relatório recente publicado pelo Observatório de Futebol do Centro Internacional de Estudos do Desporto (CIES) mostram que o extremo, ex-FC Porto, lidera isolado em termos de oportunidades de perigo criadas no torneio.

Luis Díaz remata à baliza no encontro da Colômbia frente à República Democrática do Congo, 23 junho 2026
Luis Díaz remata à baliza no encontro da Colômbia frente à República Democrática do Congo, 23 junho 2026 AP Photo

A Colômbia destaca-se no último terço do campo, mas há uma peça do setor mais recuado que está a ser decisiva para o trajeto da equipa. Daniel Muñoz, que aos 30 anos se estreia em Mundiais, marcou no duelo inaugural face ao Uzbequistão e apontou ainda o golo que fez toda a diferença contra a RDC. O lateral-direito do Crystal Palace, conhecido pela profundidade de movimentos, junta-se a Yerri Mina no lote dos únicos defesas colombianos a anotarem vários golos em Campeonatos do Mundo.

O playmaker, James Rodríguez, outro elemento que já passou pelo universo portista e que foi crucial para o percurso colombiano no Brasil em 2014, ganhou uma nova vida na seleção desde a chegada de Néstor Lorenzo e assume ainda hoje, quase aos 35 anos, enorme influência na manobra da equipa.

É suportado por um duplo pivô - Jefferson Lerma e Gustavo Puerta - que confere intensidade a um coletivo enriquecido pela criatividade do ala Jhon Arias e pela capacidade finalizadora do ponta de lança do Sporting, Luis Suárez, melhor marcador do campeonato português na última época.

No banco, há um suplente de luxo, o médio ofensivo Quintero, mais um antigo jogador do FC Porto, que, pela visão e recorte técnico, costuma mexer com os jogos quando é lançado - foi dele a assistência para o golo que determinou a segunda vitória consecutiva dos sul-americanos neste Mundial.

A favor a Colômbia terá igualmente o ambiente no estádio de Miami, com um apoio bem mais numeroso. Um obstáculo adicional que Ronaldo e companhia terão de superar. Nesta área do sul da Flórida, segundo dados do governo federal dos Estados Unidos, residem centenas de milhares de colombianos ou descendentes que irão criar hostilidade ao longo deste encontro, um dos que geraram maior interesse e que apresentam dos bilhetes mais carosda fase de grupos.

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