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Haverá outra crise migratória em Ceuta a 15 de agosto? Guardia Civil confirma risco

Imagem de migrantes a sair de Ceuta, imagem de arquivo
Imagem de migrantes a sair de Ceuta, imagem de arquivo Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Jesús Maturana
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Um relatório da Guardia Civil, elaborado com base em fontes abertas e divulgado pela RTVE, confirma que circula nas redes sociais um apelo para uma nova travessia para Ceuta a 15 de agosto, embora não consiga determinar quem o lançou nem quantas pessoas poderão participar.

A Guardia Civil elaborou um documento de seis páginas sobre uma possível nova entrada massiva em Ceuta no próximo dia 15 de agosto. O texto, ao qual o programa Mañaneros teve acesso, parte de um apelo que circula há dias nas redes sociais e que, segundo consta no relatório, conta com centenas de milhares de seguidores.

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A análise baseia-se exclusivamente em fontes abertas, ou seja, em publicações nas redes sociais e nos meios de comunicação social, e o seu objetivo era verificar se o apelo à entrada na cidade autónoma é real, até onde chegou a sua divulgação e que grau de organização existe por trás disso.

A conclusão não é categórica. O próprio documento citado pela televisão espanhola RTVE adverte que não se pode falar de uma "previsão de participantes" nem dar como certo que, a 15 de agosto, se repetirá o que aconteceu no final de julho.

A frase que resume a conclusão é esta: existe um apelo digital ativo e com capacidade de mobilização, mas a sua execução, a sua dimensão e quem o impulsionou continuam por confirmar. O relatório salienta, no entanto, que a resposta dependerá, em grande medida, da ação preventiva de Marrocos nas estradas, nas estações, na localidade de Fnideq e na costa, bem como do reforço do dispositivo espanhol.

Sinais que sustentam a investigação

A Guardia Civil situa a origem destas mensagens no final de julho e início de agosto, altura em que começaram a circular entre jovens marroquinos apelos para tentarem uma nova entrada coletiva por volta de 15 de agosto.

O relatório cruza informações da imprensa espanhola e marroquina, o que, segundo o próprio documento, demonstra que o assunto já não se limita ao ecossistema digital espanhol, e analisa grupos do Facebook, WhatsApp e Instagram cujo número de membros oscila entre 400.000 e pouco mais de 422.000, um número que o próprio relatório pede para ser interpretado com cautela.

Para os investigadores, o dado relevante não é tanto esse volume de participantes, mas sim a coincidência de vários elementos: a data, sempre 15 de agosto, as referências geográficas partilhadas, as conversas sobre como organizar a travessia e a persistência das mensagens ao longo de vários dias, um acompanhamento que se prolongou até 4 de agosto.

Em paralelo, o documento deteta também conteúdos de desinformação, mensagens sobre uma alegada abertura da fronteira, concessões de asilo, ajudas económicas ou a impossibilidade de repatriar quem chegar a Ceuta.

A incógnita sobre quem está por trás

O relatório descreve a estrutura destas mensagens como descentralizada. A data propaga-se sem que exista, segundo a análise, um único organizador, e vai-se alastrando de um grupo para outro.

Com base nas fontes abertas consultadas, a Guardia Civil não conseguiu identificar quem está por trás do apelo, nem encontrou elementos que permitam associá-lo ao Governo de Marrocos, aos seus serviços de segurança ou a uma organização criminosa específica dedicada ao tráfico de pessoas.

Ao mesmo tempo, o documento rejeita a ideia de que se trate de um movimento espontâneo. Reconhece que existe "algum grau de facilitação digital", ou seja, algum tipo de organização por trás da divulgação, embora, de momento, não seja possível precisar nem a sua origem nem o seu alcance real.

Bruxelas vigia as redes sociais

A Comissão Europeia mantém uma vigilância rigorosa das redes sociais em antecipação ao dia 15 de agosto, data que circula na Internet como uma possível nova tentativa de entrada massificada em Ceuta. "Mantemos toda a atenção antes, durante e depois do dia 15 de agosto", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Internos, Guillaume Mercier.

No entanto, Bruxelas apelou à cautela, sublinhando que "muitas das notícias que circulam não estão verificadas" e que o panorama da situação continua a ser "pouco claro", razão pela qual mantém um contacto estreito com as autoridades espanholas e marroquinas.

Além disso, a Comissão assinalou ter detetado que canais ligados à Rússia amplificaram "rapidamente" a crise migratória a partir de 30 de julho. Bruxelas recordou que a União Europeia dispõe de instrumentos como a Lei dos Serviços Digitais (DSA) para combater a desinformação nas plataformas digitais, que obriga as grandes plataformas e motores de busca a avaliar e mitigar os riscos sistémicos para a segurança pública. Espanha, por enquanto, não ativou o mecanismo de crise previsto para reforçar a cooperação com as plataformas.

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