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Uma "estátua" e caricatura de si próprio: imprensa internacional não perdoa Cristiano Ronaldo

Portugal empata 1-1 com a República Democrática do Congo
Portugal empata 1-1 com a República Democrática do Congo Direitos de autor  AP Photo
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De Inês dos Santos Cardoso
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Imprensa internacional criticou fortemente o capitão da seleção portuguesa, na sequência da sua prestação frente à República Democrática do Congo.

A seleção nacional empatou 1-1 com a República Democrática do Congo, na sua estreia no Mundial 2026. O resultado dececionante fez as manchetes não só da imprensa nacional mas também da internacional, que apontou baterias ao desempenho em campo de Cristiano Ronaldo.

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O capitão da seleção portuguesa, de 41 anos, foi alvo de uma avalanche de críticas devido a uma prestação aquém das expectativas no sexto e, possivelmente, último Campeonato do Mundo da sua carreira.

O jornal The Independent descreveu Ronaldo como "uma estátua", e refere que Portugal sacrificou "mais um Campeonato do Mundo ao ego de Cristiano Ronaldo".

Já o The Telegraph comparou a prestação do número 7 português à de Lionel Messi, reacendendo um antigo debate. “No dia seguinte a Lionel Messi ter demonstrado porque é que continua na seleção argentina, Portugal recebeu talvez um lembrete da razão pela qual Cristiano Ronaldo não deveria fazer parte da sua”, escreveu o jornal britânico.

Para o L'Équipe, “no jogo de estreia do sexto Campeonato do Mundo de Cristiano Ronaldo, Portugal optou por oferecer ao mundo uma caricatura de si próprio”, Também a Gazzetta dello Sport indicou que “o cenário do jogo era claro e previsível. No Portugal de Martínez, em Houston, havia um problema evidente: Cristiano Ronaldo".

O jornal espanhol AS escreveu que “na sua sexta participação em Campeonatos do Mundo, o resultado para a lenda madeirense foi tão desanimador como os anteriores. Bons jogadores, boas intenções, uma grande reputação... e muito pouco para mostrar. O empate frente à República Democrática do Congo mergulha tanto Ronaldo como a seleção portuguesa na mais profunda depressão”.

Portugal precisa de melhorar “muito”, segundo o The Guardian, que critica a prestação do avançado português e o selecionador nacional, Roberto Martínez. “Se decidirem manter o Ronaldo em campo — e nada do que vi do Martinez me leva a crer que ele tenha vontade ou coragem para o deixar de fora —, eu colocaria o Bernardo no centro, faria com que os laterais subissem e tentaria dar algum ritmo aos passes”, recomendam os britânicos.

“A questão do que [Cristiano Ronaldo] ainda tem para oferecer é outra, e concordo que, quando o vejo jogar hoje em dia, as dificuldades que tem em movimentar-se provocam-me algo entre uma pontada de tristeza e uma sensação da minha própria mortalidade. Gostaria de o ver como um super suplente!”, disse um adepto ao The Guardian.

O The Athletic escreveu que “[Ronaldo] não fez nada hoje, o que apesar de não ser inteiramente culpa dele, não é um bom presságio para o resto do Mundial”. A ESPN intensificou as críticas a Ronaldo, lembrando que este foi o 10.º jogo consecutivo num Mundial em que o avançado português não marcou golo.

As críticas não se limitaram aos 90 minutos de jogo. “Os jogadores portugueses juntaram-se no meio-campo e aplaudiram os adeptos. Bem, nem todos. Adivinhem quem já foi para o balneário”, escreveu o The Athletic no final da partida.

“É um resultado fantástico para a República Democrática do Congo — e totalmente merecido, dada a disciplina defensiva, a organização, o espírito e a resiliência que demonstraram ao longo de todo o jogo”, lê-se no New York Times.

A exibição de Ronaldo na segunda parte da partida foi ainda mais criticada, com toda a seleção nacional a entrar a um "ritmo lento". De acordo com o El País, o momento que fez Portugal “perder o pouco ritmo que ainda tinha” foi quando Vitinha foi substituído por Gonçalo Ramos.

Bernardo Silva e Rafael Leão não escapam às críticas

Cristiano Ronaldo não foi o único jogador da seleção alvo de críticas. Para a Marca, a estreia de Bernardo Silva foi "terrível": "Apenas durou 45 minutos e saiu com um cartão amarelo, cinco bolas perdidas e sem criar qualquer perigo".

O médio tornou-se um dos principais visados, horas depois de ter sido anunciado como reforço do Real Madrid, tornando-o um dos pincipais alvos da Marca, que utilizou a machete "Assim não, Bernardo".

O AS partilha as críticas, referindo que parecia que Bernardo Silva estava perdido "numa teia de pernas congolesas".

Mas Rafael Leão também não convenceu, com a Marca a recordar os tempos em que o português era apontado aos maiores clubes da Premier League. "Ver para crer naquilo em que Rafael Leão se transformou. O seu Mundial começou quase tão insípido como as últimas temporadas. Entrou para resgatar um Portugal bloqueado e não teve personalidade sequer para se salvar a si próprio", escreveu.

Dupla João Neves e Vitinha recebe elogios

Ao contrário do número 7, João Neves foi consensualmente elogiado pela imprensa internacional. O AS descreveu-o como "o jogador mais indecifrável" de Portugal, destacando a sua capacidade de aparecer em zonas de finalização, equanto a Marca fala do médio português como "um fenómeno mundial".

A Marca sublinha a parceria do jogador do PSG com o colega Vitinha, que considera ter sido a peça mais influente na organização do jogo, referindo que ambos formam uma dupla praticamente perfeita.

Portugal volta a jogar na próxima terça-feira, 23 de junho. Desta vez, a seleção nacional defronta o Uzebequistão, que participa no Campeonato do Mundo pela primeira vez.

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