A região de Kharkiv, em parte ocupada por forças russas, tem sido alvo de intensos ataques desde que Moscovo lançou a invasão em grande escala em fevereiro de 2022.
Um ataque russo contra uma aldeia na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, matou pelo menos 10 pessoas, afirmou o governador regional esta terça‑feira.
O ataque ocorre numa altura de forte aumento das mortes de civis numa guerra que já dura há quatro anos e meio.
Forças russas “efetuaram um ataque com mísseis contra Pechenigy”, uma aldeia a cerca de 40 quilómetros da fronteira russa, afirmou nas redes sociais o governador da região de Kharkiv, Oleg Synegubov.
“Segundo informação preliminar, 10 pessoas foram mortas”, acrescentou, indicando que outras oito ficaram feridas.
O ataque danificou casas particulares e lojas, acrescentou.
A região de Kharkiv, partes da qual estão ocupadas por forças russas, tem sido duramente atingida desde que Moscovo lançou a invasão em grande escala, em fevereiro de 2022.
Entretanto, um total de 620 drones voou na direção da região de Moscovo durante a noite, indicaram esta terça‑feira responsáveis russos, referindo que várias pessoas ficaram feridas e vários edifícios foram atingidos.
“Durante a noite e de manhã, as forças de defesa aérea e de guerra eletrónica repeliram um ataque em grande escala com drones contra a região de Moscovo”, afirmou no Telegram o governador regional, Andrey Vorobyov.
As “consequências mais graves” foram registadas no distrito de Pavlovsky Posad, onde uma casa ardeu por completo, disse Vorobyov.
Com os combates na linha da frente praticamente estagnados e as negociações congeladas, Ucrânia e Rússia intensificaram de forma significativa os ataques de longa distância, fazendo subir o número de civis mortos para os níveis mais elevados desde os primeiros meses da guerra, em 2022.
Ataques russos visam setor energético da Ucrânia
O ataque contra Kharkiv ocorre um dia depois de a empresa estatal de energia da Ucrânia, Naftogaz Group, ter indicado que as suas instalações foram alvo de 13 ataques na última semana, elevando para quase 300 o número total de ataques desde o início do ano.
Drones e mísseis russos atingiram instalações em várias regiões do país, tendo uma delas sido atacada várias vezes ao longo da semana, informou a Naftogaz, que reportou danos graves em equipamento e capacidade de produção. Nenhum trabalhador ficou ferido nos ataques, acrescentou a empresa.
A DTEK Group, empresa de extração de carvão e produção de eletricidade que se apresenta como o maior investidor privado no setor energético ucraniano, informou também que um ataque russo provocou um incêndio numa das suas minas, causando a morte a um homem de 52 anos.
A Rússia tem atacado repetidamente a rede elétrica ucraniana, esperando enfraquecer a vontade de combate do país ao privar os civis de luz, aquecimento e água corrente durante os rigorosos meses de inverno.
Responsáveis ucranianos, que afirmam que a Rússia está “a transformar o inverno em arma”, receiam que Moscovo prossiga esta campanha também no próximo inverno.
Com as tropas amplamente travadas por drones e robots ao longo de cerca de 1.250 quilómetros de frente, Rússia e Ucrânia estão a alargar as campanhas aéreas e a desenvolver novas armas de longo alcance.
Ucrânia tem vindo a atacar instalações energéticas, com drones e mísseis, bem dentro da Rússia há vários meses, procurando atingir uma fonte vital de receitas do exército russo.
Com Moscovo agora ao alcance de drones ucranianos que atacam regularmente a região, os organizadores cancelaram um grande festival de música militar que deveria realizar‑se na Praça Vermelha, no centro da cidade, a partir de sexta‑feira.
Os organizadores do Festival Internacional de Música Militar da Torre Spasskaya anunciaram nas redes sociais, na segunda‑feira, que o evento foi adiado para o próximo ano por razões alheias ao seu controlo.
Em maio, as autoridades reduziram de forma significativa, pela primeira vez em quase duas décadas, as celebrações anuais do Dia da Vitória na Praça Vermelha.
Ministério da Defesa russo indicou que não haveria equipamento militar na parada anual devido ao receio de ataques de longo alcance com drones ucranianos.
Soluções inovadoras
A Ucrânia passou a depender fortemente da ajuda militar estrangeira após a invasão em grande escala lançada pela Rússia em fevereiro de 2022, mas aumentou gradualmente a capacidade de fogo produzida internamente, lançando no domingo uma salva de mais de 800 drones de longo alcance contra a Rússia.
A Ucrânia conseguiu também atingir com sucesso depósitos da Wildberries, o principal retalhista online da Rússia, a até 2 000 quilómetros da fronteira ucraniana.
As forças russas têm atingido cada vez mais blocos de apartamentos, portos, escolas e hospitais, entre outros alvos urbanos, causando a morte a perto de 17.000 civis, segundo as Nações Unidas.
Em julho, o número de civis ucranianos mortos, 437, foi 70% superior ao do mesmo mês de 2025, adiantou a organização na semana passada, numa altura em que se intensificam as incursões de ataques russos.
A Rússia tem aproveitado a grave escassez de mísseis intercetores Patriot, de fabrico norte‑americano, na Ucrânia, os únicos capazes de contrariar mísseis balísticos.
Mas Kiev está a inovar rapidamente: a Ucrânia está a desenvolver o seu próprio míssil balístico para retaliar contra a Rússia e a trabalhar com países europeus na criação de mais sistemas de defesa aérea antibalísticos.