A vitória esmagadora da Alternativa para a Alemanha na Saxónia-Anhalt foi celebrada pela direita populista europeia e duramente condenada pelo primeiro-ministro polaco.
O desempenho dominante da Alternativa para a Alemanha nas eleições de domingo na Saxónia‑Anhalt desencadeou reações profundamente divergentes em todo o continente e expôs a clivagem crescente entre o centro político tradicional da Europa e a sua direita populista, cada vez mais confiante.
A AfD obteve 43,8 % dos votos, mais do dobro do resultado de há cinco anos, na região com 2,1 milhões de habitantes a oeste de Berlim.
Ficou assim muito à frente da União Democrata‑Cristã de Merz, que se ficou pelos 17,2 %, perdeu cerca de metade do apoio e conquistou 15 lugares. Os social‑democratas de centro‑esquerda obtiveram 9,3 %, os Verdes 8,9 % e o Partido de Esquerda 8,6 %, assegurando oito lugares cada.
Em Berlim, o resultado foi recebido como um golpe direto no chanceler Friedrich Merz, que acompanhou a contagem na sede da CDU sem se dirigir ao público.
A secretária‑geral Franziska Hoppermann classificou-o como “um resultado muito difícil para nós”, enquanto o chefe do governo regional, Sven Schulze, se limitou a apresentar felicitações discretas à AfD.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, afirmou: “recebemos aqui um mandato muito claro para governar”.
“Fizemos campanha com um programa claro: representar os interesses do nosso país, não os da Ucrânia nem de qualquer outro país”, disse Weidel aos jornalistas.
“Se recebermos o mandato para governar a nível federal e assumirmos responsabilidades governativas, vamos cortar toda a despesa desnecessária. Vamos controlar as fronteiras. Vamos expulsar todos os que tenham ordem de deixar o país e todos os criminosos. Vamos fechar as fronteiras.
“Também espero eleições federais antecipadas e espero que o atual chanceler seja substituído antes do Natal.”
O cabeça‑de‑lista Ulrich Siegmund também não poupou Merz, afirmando: “Um dos melhores cabos eleitorais que tivemos nesta campanha foi Friedrich Merz. Cada dia que este homem passa na chancelaria é um dia a mais”.
Em Varsóvia, a reação foi abertamente crítica. O primeiro‑ministro polaco, Donald Tusk, escreveu no X que “só idiotas ou traidores podem rejubilar com o triunfo da AfD”, mencionando entre eles membros dos partidos polacos Konfederacja e PiS.
Noutros pontos do continente, a direita populista europeia viu o resultado como uma validação. O vice‑primeiro‑ministro italiano, Matteo Salvini, declarou que “uma outra Europa é possível”.
O líder do Vox espanhol, Santiago Abascal, qualificou o resultado como “uma grande esperança para a Alemanha e para a Europa”, enquanto André Ventura, em Portugal, saudou a vitória “histórica” da AfD, associando‑a à revolta pública contra a imigração.
As reações divergentes mostram como uma única eleição regional alemã se tornou numa batalha por procuração para a Europa, com os líderes tradicionais alarmados e os movimentos nacionalistas galvanizados à entrada de uma série de novas eleições estaduais na Alemanha este mês.