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Partido de extrema-direita alemão AfD consegue vitória esmagadora na Saxónia-Anhalt, mas não chega à maioria

Ulrich Siegmund, ao centro, candidato principal e copresidente do grupo parlamentar da AfD no Parlamento regional da Saxónia-Anhalt, celebra com Alice Weidel
Ulrich Siegmund, ao centro, candidato principal e copresidente do grupo parlamentar da AfD no Parlamento regional da Saxónia-Anhalt, celebra com Alice Weidel Direitos de autor  Michael Kappeler/dpa via AP
Direitos de autor Michael Kappeler/dpa via AP
De Sertac Aktan
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O partido de extrema-direita alemão AfD obtém uma vitória esmagadora na Saxónia-Anhalt, mas não consegue alcançar a maioria.

O partido alemão de extrema-direita AfD assumiu uma liderança confortável nas eleições de domingo na Saxónia-Anhalt, mas não conseguiu garantir assentos suficientes para formar uma maioria.

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Os resultados finais revelaram que a AfD obteve 43,8% dos votos, mais do dobro do resultado alcançado há cinco anos nesta região de 2,1 milhões de habitantes a oeste de Berlim. No entanto, ficou a três assentos de alcançar a maioria, com 39 deputados num parlamento de 83 membros.

Entretanto, a União Democrata-Cristã (CDU), o partido do impopular líder alemão, o chanceler Friedrich Merz, registou um resultado desastroso no estado oriental da Saxónia-Anhalt, com apenas 17,2% dos votos, e conquistou 15 assentos.

Os social-democratas de centro-esquerda obtiveram 9,3%, os Verdes 8,9% e o Partido da Esquerda 8,6%, tendo todos conquistado 8 lugares cada.

"Fizemos história", afirmou Ulrich Siegmund, o candidato a governador do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), anti-imigração e pró-Rússia, acrescentando que o partido tem agora um mandato claro para governar. O político de 35 anos disse à emissora pública ARD que os eleitores tinham enviado um sinal de que "as coisas não podem continuar assim". Afirmou ainda que "Friedrich Merz foi um excelente apoiante para nós nesta campanha eleitoral".

A afluência às urnas foi muito elevada, atingindo os 77,8%. A AfD parece ter conquistado muitas pessoas que, há cinco anos, nem sequer votaram.

Resultado poderá redefinir o panorama político

O resultado poderá redefinir significativamente o panorama político no leste da Alemanha, com a AfD a emergir como, de longe, a força mais forte no novo parlamento estadual.

Siegmund afirmou que a AfD não se envolveria em "jogos" como um governo de minoria, embora não fosse evidente como os seus opositores, divididos, poderiam formar um governo estável sem ela.

Um primeiro governo estadual representaria a maior conquista nos 13 anos de história do partido anti-imigração, surgindo num contexto de frustração generalizada da população face a um governo nacional que se debate para reanimar a economia estagnada do país.

Quer a AfD venha ou não a assumir o poder, o resultado representa um revés para Friedrich Merz, cujo partido de centro-direita lidera a Saxónia-Anhalt há 24 anos.

Ao contrário de muitos dos seus vizinhos europeus, a Alemanha moderna ainda não viu um partido de extrema-direita ou populista de direita liderar um governo nacional, regional ou de uma grande cidade.

A AfD é o maior partido da oposição no parlamento federal alemão, obtendo o seu maior apoio nos estados menos prósperos do antigo leste comunista, incluindo a Saxónia-Anhalt.

A sua secção regional na Saxónia-Anhalt está entre as várias designadas como grupos comprovadamente de extrema-direita pela agência de informações internas da Alemanha, que cita que os membros fazem questão de denegrir migrantes provenientes de países de maioria muçulmana, entre outras posições extremadas.

O partido promove frequentemente a "remigração" — um termo controverso que se refere à deportação em massa de imigrantes —, enquanto o seu líder num estado vizinho recorreu de duas condenações por ter utilizado conscientemente um slogan nazi.

A AfD rejeita veementemente todas as acusações de extremismo, sustentando que tais rótulos têm motivações políticas.

Os estados federados da Alemanha têm amplos poderes

Os 16 estados federados da Alemanha detêm amplos poderes, nomeadamente na gestão da segurança interna e na administração do sistema educativo.

Ulrich Siegmund definiu como suas principais prioridades o lançamento de "uma ofensiva de deportação" e a eliminação de incentivos para que os migrantes venham para a Alemanha e "explorem o nosso sistema social". Pretende também dar início ao moroso processo de retirada da Saxónia-Anhalt da rede regional de radiodifusão pública, invocando preocupações com a "desinformação".

No domínio da educação, a secção regional da AfD defende a legalização do ensino em casa, que continua a ser ilegal em toda a Alemanha. O partido compromete-se a proibir as escolas de exibirem oficialmente a bandeira arco-íris e a impor a inclusão da bandeira nacional.

Além disso, o partido opõe-se a que os fundos dos contribuintes sejam "doados" à Ucrânia e promete pressionar no sentido do levantamento das sanções contra a Rússia, embora as decisões de política externa estejam estritamente fora da jurisdição do estado.

A influência da Saxónia-Anhalt — um dos estados mais pequenos de um país com 83,5 milhões de habitantes — continua a ser limitada, controlando apenas quatro dos 69 votos totais.

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