Nas últimas semanas, a Europa tem sido assolada por incêndios florestais devastadores, alimentados pela seca e por um verão historicamente quente, enquanto França, Grécia, Portugal e Espanha combatem grandes fogos.
Os bombeiros na Bélgica levavam a cabo esta terça-feira uma ofensiva potencialmente decisiva para cercar o enorme incêndio que lavra na reserva natural das Hautes Fagnes, apesar de condições meteorológicas desfavoráveis dificultarem as operações de apoio aéreo, indicaram as autoridades.
“Estamos a tentar cercar definitivamente o incêndio hoje”, declarou à agência AFP o porta-voz do governo regional, Nicolas Yernaux, explicando que todas as atenções estavam concentradas em “reforçar as nossas defesas a leste” com a chegada de “ventos persistentes” que sopram em direção à fronteira alemã, situada a escassos quilómetros.
Na segunda-feira, bombeiros e agricultores, apoiados por aeronaves de despejo de água, lutaram pelo quarto dia consecutivo para controlar o pior incêndio florestal na Bélgica em cem anos.
O fogo que devasta a reserva natural das Hautes Fagnes, uma vasta área de turfeiras, pinhais e trilhos de caminhada, já se estendeu desde sexta-feira a 3.000 hectares, metade da área de Manhattan.
O porta-voz da célula de crise, Tony Hosmans, afirmou que o incêndio “não se alastrou mais, mas ainda não podemos dizer que está controlado”.
“Isso pode mudar consoante o tempo”, advertiu.
Vários incêndios na Europa
A Europa tem sido varrida por semanas de incêndios devastadores, alimentados pela seca e por um verão historicamente quente, com França, Grécia, Portugal e Espanha também a combater grandes fogos.
Ao final da manhã desta terça-feira, estavam ativos sete fogos em Portugal, todos na região norte do país, nos distritos de Bragança, Viana do Castelo, Porto, Aveiro e Braga. No combate às chamas estão mobilizados mais de 2.000 operacionais, auxiliados por mais de 700 veículos e uma dezena de meios aéreos. A situação mais complicada regista-se em Torre de Moncorvo, freguesia de Cabeça Boa, no distrito de Bragança.
Na Bélgica, Hosmans confirmou que o fogo nas Hautes Fagnes já não avançava em direção à fronteira alemã, depois de se ter aproximado ao fim de semana, levando a uma ordem de evacuação parcial na cidade de Monschau.
A chuva, muito necessária, proporcionou algum alívio aos 500 bombeiros e equipas de emergência mobilizados no terreno na segunda-feira, mas as autoridades alertaram que as condições podiam alterar-se rapidamente.
Philipp Krueger, chefe dos bombeiros em Monschau, disse aos jornalistas que as equipas se preparavam para enfrentar “ventos fortes” esta terça-feira, alertando para uma “nova situação” exigente.
O incêndio nas Hautes Fagnes começou numa zona já devastada por grandes fogos em 1911, numa altura de ondas de calor e seca semelhantes.
Desde então, este é o maior incêndio florestal do país e o rei Filipe da Bélgica visitou a área atingida na segunda-feira, em sinal de apoio ao esforço hercúleo para o controlar.