A meio da tarde, as ocorrências em Torre de Moncorvo, Arouca e Santo Tirso continuavam por dominar. O IPMA colocou nove distritos de Portugal continental em aviso laranja até às 18:00 desta terça-feira devido às condições meteorológicas.
Mais de 2.000 operacionais e duas dezenas de meios aéreos permanecem, esta terça-feira, empenhados no combate aos incêndios rurais que deflagraram, nos últimos dias, em território português, segundo a informação que consta no site da Proteção Civil.
A meio da tarde, estavam ainda em curso três ocorrências consideradas significativas, com a mais preocupante a ser o incêndio em Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, que teve início no sábado. Pelas 16:00, encontravam-se envolvidos nos trabalhos no terreno mais de 400 operacionais, acompanhados de mais de 140 veículos e quatro meios aéreos.
De acordo com a RTP, o fogo contava ainda, ao início da tarde, com uma frente ativa, com o autarca José Meneses a ter indicado à cadeia televisiva que as autoridades esperavam poder "dar o incêndio como circunscrito" algumas horas depois e, consequentemente, "entrar em fase de rescaldo". Arderam já mais de dois mil hectares em Torre de Moncorvo desde sábado.
Outro incêndio que continua a merecer a atenção dos bombeiros é o de Arouca, no distrito de Aveiro, que deflagrou na noite de segunda-feira. Pelas 16:00, encontravam-se no teatro de operações mais de 300 bombeiros, cerca de cem viaturas e dois meios aéreos.
O incêndio, que lavra em zona de mato, contava ainda esta manhã com quatro frentes ativas, segundo reportado pela SIC Notícias. Algo que levou a Proteção Civil a adotar medidas preventivas de segurança em algumas povoações, de modo a garantir a proteção de habitações e vidas humanas.
E em Santo Tirso, na Área Metropolitana do Porto, aproximadamente 200 operacionais, apoiados por mais de 60 veículos e uma aeronave, permaneciam empenhados no combate às chamas, de acordo com a Proteção Civil. O fogo, que começou ao final da tarde de segunda-feira, consumiu já mais de 900 hectares.
Finalmente, os incêndios que tiveram início no domingo em Boticas, no distrito de Vila Real, e em Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, encontram-se já em fase de resolução. Ainda assim, largas dezenas de operacionais permaneciam em cada um destes teatros de operações pelas 16:00.
Em fase de resolução estão também os fogos florestais em Vila Flor, no distrito de Bragança, e em Lamego, no distrito de Viseu.
Isto numa altura em que se mantêm as condições de tempo quente e seco em grande parte do país. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou nove distritos em aviso laranja até às 18h desta terça-feira, com o restante território de Portugal continental, à exceção de Lisboa, Setúbal e Faro, a estar sob aviso amarelo.
Segundo o aviso à população emitido pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, são, desta feita, esperadas "temperaturas máximas com valores acima dos 40 °C em várias regiões do território", acompanhadas de uma baixa humidade do ar "na generalidade" do país.
Por estes motivos, as regiões do Interior Norte e Centro, onde os termómetros devem atingir os valores mais elevados, encontram-se em situação de perigo muito elevado a máximo de incêndio rural, com a autoridade a apelar à adoção de medidas preventivas.
Primeiro-ministro alerta para "semanas de elevada complexidade"
Em declarações proferidas esta terça-feira, na sequência de uma reunião sobre a situação dos incêndios na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, avisou que o país terá ainda "pela frente" semanas de "elevada complexidade", reporta a agência Lusa.
O chefe do Governo sublinhou ainda que Portugal se encontra, atualmente, "sob elevado risco, o que impõe a todos deveres de cuidado para poder diminuir, tanto quanto possível, o impacto dos incêndios".
Descreveu ainda 2026 como mais "um ano duro" em matéria de fogos florestais, mas assegurou que o dispositivo operacional existente é "o maior de sempre". Segundo as contas do Executivo, regista-se até agora, este ano, uma "diminuição muito significativa" da área ardida face a 2025, "cerca de quatro vezes" menos.
Luís Montenegro deixou ainda um elogio a Luís Neves, ministro da Administração Interna que tem estado envolto em polémica e que também esteve presente, esta terça-feira, na reunião na sede da Proteção Civil. Para o primeiro-ministro, o responsável pela pasta do combate aos incêndios rurais tem desempenhado um "trabalho absolutamente extraordinário", e com "elevado sentido de responsabilidade",na coordenação dos meios.