Em Salamina, onde duas pessoas morreram no domingo, começa a avaliação dos danos e investigam-se dois focos de incêndio surgidos com 20 minutos de intervalo. Em Skyros, a frente das chamas já ultrapassa os 360 hectares.
Um dia depois dos incêndios que provocaram dois mortos e vasta destruição em Salamina, as autoridades gregas concentram agora a atenção na avaliação dos danos, na investigação das causas e na prevenção de reacendimentos, enquanto os meios de combate aos fogos permanecem em plena mobilização também noutras zonas do país.
Em Salamina, ilha do golfo Sarónico a pouca distância de Atenas, a situação nas principais frentes é bastante mais favorável. Em Peristeria, onde se registaram os maiores estragos, já não existe uma frente contínua, mas as equipas de bombeiros continuam a combater focos dispersos e a vigiar a área para evitar reacendimentos.
O incêndio deixou casas destruídas, outros edifícios e veículos. Morreram duas pessoas, um casal de idosos, antes de as equipas de bombeiros conseguirem chegar ao local, e nove pessoas sofreram queimaduras.
Centenas de pessoas retiradas por mar
O incêndio deflagrou na tarde de domingo, numa altura em que as praias de Salamina estavam cheias de residentes e excursionistas vindos de Atenas.
Os dois focos surgiram com cerca de 20 minutos de intervalo, primeiro em Peristeria e depois na área mais ampla de Selínia. Ventos fortes, que segundo a corporação atingiam cerca de 61 quilómetros por hora, aceleraram a propagação das chamas.
De acordo com a corporação, a frente em Peristeria avançou em apenas sete minutos, reduzindo drasticamente o tempo de reação dos moradores.
No total, 593 pessoas foram retiradas por mar das zonas de Saterlí e Kolones e levadas para locais seguros com o apoio da Guarda Costeira e de outras embarcações.
No auge da operação estavam mobilizados cerca de 260 bombeiros, quase 60 viaturas, dez aviões e sete helicópteros, com reforços enviados para a ilha a partir da Grécia continental.
Foram enviadas seis mensagens do número europeu de emergência 112 em menos de uma hora, com avisos e instruções para a retirada de residentes de diferentes zonas da ilha.
O que investigam as autoridades
A investigação das causas está agora no centro das atenções.
De acordo com os dados disponíveis, um residente que alertou os bombeiros referiu que o primeiro incêndio em Peristeria começou num terreno com resíduos.
Cerca de 20 minutos depois deflagrou um segundo fogo na zona Kakí Vigla, em Selínia, noutro ponto da ilha.
A eclosão quase simultânea dos dois incêndios está a ser analisada pela Direção de Combate a Crimes de Incêndio. As autoridades procuram, entre outros elementos, imagens de câmaras próximas do ponto de início do primeiro fogo, para apurar se foi provocado por negligência ou de forma intencional.
Até agora não há qualquer conclusão oficial, nem foi estabelecida ligação entre os dois episódios.
Em paralelo, arrancam as vistorias aos edifícios queimados e o processo de registo dos danos, para que possam avançar as indemnizações aos afetados.
Skyros: cerca de 364 hectares dentro do perímetro do incêndio
Também em Skyros, no centro do Egeu, a situação está mais favorável após o incêndio que deflagrou na zona de Atsitsa.
Segundo um novo registo por satélite do serviço europeu Copernicus, a área dentro do perímetro do fogo é estimada em aproximadamente 364 hectares.
Já não existe frente contínua e os bombeiros combatem sobretudo focos dispersos. O incêndio atingiu um denso pinhal, parte do qual tinha voltado a crescer após um fogo quase na mesma zona em 2008. As causas estão a ser investigadas.
Nova mobilização em Creta
No leste de Creta, meios de combate a incêndios atuavam no domingo num fogo florestal na zona de Kritsa, perto de Agios Nikolaos.
Mais de 30 bombeiros, cerca de dez viaturas e duas equipas especiais de intervenção em floresta foram mobilizados, tendo o 112 sido ativado de forma preventiva. Segundo os bombeiros, o incêndio não ameaçava diretamente nenhuma zona habitada.
Em Calímnos, pelo contrário, um incêndio em Vlychadia foi dominado antes de ganhar maior dimensão. As autoridades locais salientam que se trata do quarto fogo registado este ano na mesma zona, embora não exista, para já, qualquer avaliação oficial das causas nem elementos que liguem os episódios.
Perigo de incêndio continua elevado
Os últimos incêndios surgem depois de semanas de pressão acrescida sobre os serviços de bombeiros da Grécia, com os fortes ventos de verão a dificultarem repetidamente as operações.
Só nas 24 horas até à noite de domingo foram registados 36 incêndios em todo o país, segundo a corporação.
Esta segunda-feira, pela primeira vez em dez dias, nenhuma região da Grécia se encontra acima do nível 3 na escala de cinco graus de risco de incêndio. Ainda assim, 20 regiões continuam classificadas como de risco elevado, entre as quais a Ática, Creta, as Cíclades, o Dodecaneso e várias ilhas do Egeu oriental.
As temperaturas deverão atingir localmente 35 a 36 graus Celsius, enquanto ventos do quadrante norte se manterão no Egeu.