Um verão historicamente quente no continente que mais depressa aquece do planeta contribuiu para a morte de milhares de pessoas e agravou o risco de incêndios florestais, com fogos a varrer periodicamente paisagens ressequidas.
A Europa enfrenta uma vaga de incêndios florestais alimentados por temperaturas elevadas e condições extremamente secas, resultado de um verão historicamente quente que já contribuiu para a morte de milhares de pessoas.
Os cientistas atribuem as ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes às alterações climáticas provocadas pelo homem.
Estas são as últimas informações desta segunda-feira de manhã.
Bélgica: incêndio ameaça localidade alemã
Aviões de combate a incêndios e tratores de agricultores apoiaram os bombeiros que lutam contra o maior fogo florestal da Bélgica em tempos recentes, numa zona de difícil acesso junto da Alemanha, onde a localidade fronteiriça de Monschau ordenou uma evacuação parcial devido à ameaça crescente.
Helicópteros militares, apoiados por tratores no terreno, transportaram água para ajudar os bombeiros a controlar o maior incêndio florestal da Bélgica em tempos recentes, que lavra numa reserva natural de difícil acesso.
O fogo, cuja origem ainda é desconhecida, passou de 80 hectares (0,8 quilómetros quadrados) queimados na sexta-feira para quase 3.000 hectares (30 quilómetros quadrados) no domingo.
Tal como grande parte da Europa, a Bélgica enfrenta nos últimos dias um novo período de calor intenso e seca.
As temperaturas chegaram aos 37 ºC em algumas zonas do país na sexta-feira, criando condições favoráveis à eclosão de incêndios florestais.
Grécia: dois mortos e centenas de pessoas retiradas
Segundo os bombeiros, duas pessoas morreram e centenas foram retiradas de praias muito concorridas quando dois incêndios deflagraram na ilha grega de Salamina, perto de Atenas.
“Mais de 570 pessoas foram retiradas em lanchas de patrulha da guarda-costeira e outras embarcações”, afirmou um porta-voz da guarda-costeira à agência noticiosa AFP.
Depois de ter escapado em grande medida às temperaturas de onda de calor que cobriram boa parte da Europa, a Grécia foi atingida por vários grandes incêndios florestais desde o final de julho, alimentados por ventos fortes.
Segundo o corpo de bombeiros, 36 focos de incêndio deflagraram nas últimas 24 horas em todo o país.
Portugal: centenas de bombeiros combatem incêndios
Centenas de bombeiros em Portugal, quase um milhar, combatem vários incêndios florestais na manhã desta segunda-feira.
Numa ocorrência junto da fronteira com Espanha, perto da aldeia de Dine, cinco bombeiros sofreram ferimentos ligeiros quando o veículo em que seguiam se incendiou, noticiaram os meios de comunicação locais.
A autoridade de proteção civil ANEPC indicou que os bombeiros enfrentam outros incêndios perto da fronteira com Espanha, nomeadamente em Boticas e Chaves.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera decidiu entretanto colocar sob aviso laranja os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra devido às altas temperaturas esperadas até terça-feira.
Espanha: militar morre em combate a incêndio florestal
Um militar espanhol morreu no domingo enquanto participava nas operações de combate a um grande incêndio florestal em Aragão, informou o líder da região do nordeste, numa altura em que as autoridades mobilizaram o maior dispositivo de combate a incêndios da história da comunidade autónoma.
Estavam previstos reforços franceses para ajudar a conter o fogo, que deflagrou na segunda-feira e ameaça um mosteiro com mil anos.
Croácia: detenções ligadas a incêndios na costa adriática
A polícia croata anunciou a detenção de quatro pessoas suspeitas de terem provocado alguns dos incêndios que nos últimos dias têm atingido partes da costa adriática.
Os quatro são suspeitos de terem ateado fogos que devastaram pinhais e olivais, numa altura em que o país enfrenta uma vaga de incêndios alimentada pela seca e pelo calor.
França: incêndio estabilizado nas Landes
Um incêndio que consumiu 1.700 hectares no departamento das Landes, no sudoeste de França, foi estabilizado após três dias de operações terrestres e aéreas.
O responsável local Gilles Clavreul afirmou que a situação evolui “favoravelmente”, com a descida das temperaturas – são esperados 28 ºC durante a tarde, face aos 40 ºC registados quando o fogo começou na quinta-feira – e o aumento da humidade.
Segundo o governador local, um primeiro grupo das 650 pessoas que foram retiradas devido ao incêndio pôde regressar a casa na noite de domingo.