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Canadá investe em renováveis e consolida-se como potência de energia limpa

Foto de arquivo – barragem produz eletricidade ao longo do rio Manicouagan, a norte de Baie-Comeau, Quebec, 22 de junho de 2010
ARQUIVO – Barragem gera eletricidade no rio Manicouagan, a norte de Baie-Comeau, Quebeque, 22 de junho de 2010. Direitos de autor  Jacques Boissinot/The Canadian Press via AP, File
Direitos de autor Jacques Boissinot/The Canadian Press via AP, File
De Angela Symons com AFP
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Os projetos de energia verde previstos poderiam fornecer luz, aquecimento e arrefecimento a todas as casas de Toronto, Montreal e Vancouver juntas

As autoridades canadianas anunciaram planos para “o maior investimento em energia limpa da história da América do Norte”.

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Um total de 70 mil milhões de dólares canadianos (43,6 mil milhões de euros) está reservado para reforçar de forma significativa a produção de energia eólica e hidroelétrica na parte oriental do país.

Embora os planos ainda sejam preliminares, representam um esforço importante para aumentar a produção de eletricidade no país. O acordo foi fechado entre o governo do primeiro-ministro Mark Carney e as províncias do Quebeque e de Terra-Nova e Labrador

Se o projeto avançar, Carney afirma que os 14 000 megawatts de energia gerados seriam “suficientes para iluminar, aquecer e arrefecer as casas em Toronto, Montreal e Vancouver juntas”, além de sustentarem 23 000 empregos e contribuírem com 31 mil milhões de dólares (19,3 mil milhões de euros) para o PIB do Canadá até ao início da década de 2040.

Também poderá reduzir de forma significativa as emissões de carbono do país responsáveis pelo aquecimento do planeta, ao diminuir a dependência da queima de combustíveis fósseis para produzir energia.

Atualmente, cerca de 80 % da eletricidade gerada no Canadá provém de fontes sem emissões – sobretudo hídrica, além de nuclear, eólica e solar –, o que contribui para que o país tenha os custos da eletricidade residenciais mais baixos do G7.

Através de uma combinação de créditos fiscais para a economia limpa, autorizações de projetos mais eficientes, acordos de cooperação com províncias e territórios e financiamento atrativo, “estamos a tornar o Canadá o melhor lugar do mundo para construir e investir em energia limpa”, afirma Carney.

América do Norte: reforçar energia hidroelétrica

O acordo inclui planos para modernizar a central de Churchill Falls e desenvolver um novo projeto hidroelétrico em Gull Island. Ambos os locais ficam em Labrador, na costa atlântica do Canadá.

Parte da nova energia gerada seria também transmitida para o Quebeque, com a empresa pública Hydro-Québec a vender uma quantidade significativa de eletricidade ao nordeste dos Estados Unidos.

Para alguns, importar mais eletricidade hidroelétrica do Canadá é um elemento essencial para descarbonizar a rede elétrica norte-americana, além de melhorar a fiabilidade do fornecimento e os custos para os consumidores dos Estados Unidos.

Mas a iniciativa pode ficar bloqueada dentro de poucos meses.

Na cerimónia de assinatura, na segunda-feira, 17 de agosto, em Terra-Nova, a primeira-ministra do Quebeque, Christine Frechette, admitiu que os seus opositores políticos, o separatista Parti Québécois, poderão rasgar o acordo se vencerem as eleições provinciais de outubro, um cenário que as sondagens atuais consideram provável.

Investimento em renováveis pode reforçar segurança energética e reduzir faturas

Desde que assumiu o cargo no ano passado, Carney tem sido criticado por grupos ambientalistas, que o acusam de trair compromissos climáticos assumidos pelo seu antecessor Justin Trudeau.

Um membro do governo de Carney demitiu-se no ano passado devido a planos para avançar com um novo oleoduto entre Alberta e a costa do Pacífico.

O anúncio de segunda-feira foi, contudo, bem acolhido pelo Canadian Climate Institute, que afirmou que ele demonstra “o nível de ambição necessário para atingir o objetivo do Canadá de duplicar a rede elétrica com energia limpa”.

O presidente da organização, Rick Smith, declarou que reforçar a oferta interna de energia limpa também irá “melhorar a segurança energética e a acessibilidade num período de forte volatilidade dos preços da energia”.

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