A mulher de 87 anos aprovou o acordo com a Urbagestión, a proprietária, e poderá regressar a casa após a alta, com um novo contrato de oito anos e renda até 30% dos rendimentos líquidos
Maricarmen aceitou o acordo com a Urbagestión e poderá regressar à casa em Madrid onde viveu durante mais de 70 anos, assim que tiver alta hospitalar.
A mulher de 87 anos deu esta terça‑feira o seu aval ao pacto negociado na segunda‑feira entre os seus representantes e a empresa proprietária da habitação, confirmou a sua advogada, Beatriz Duro. Maricarmen permanece internada no Hospital Gregorio Marañón depois de ter sido despejada na semana passada.
“Está muito contente”, explicou Duro após comunicar à mulher as condições acordadas. O acordo permitirá que Maricarmen volte ao apartamento da rua Alcalde Sainz de Baranda, no distrito madrileno do Retiro, com um novo contrato de arrendamento de oito anos. A renda não poderá ultrapassar 30% dos seus rendimentos líquidos e ficará em cerca de 500 euros mensais, um valor semelhante ao que pagava anteriormente.
O regresso acontecerá quando os médicos lhe derem alta. Os seus pertences continuam na habitação e, segundo explicou a sua advogada, não será necessária uma nova mudança.
Espanha: protestos pela habitação continuam
A solução encontrada para Maricarmen não representa, porém, o fim das mobilizações que o seu caso ajudou a desencadear. O Sindicato de Inquilinas insiste que os protestos vão para além da situação particular da mulher de 87 anos e mantém as suas reivindicações para reforçar a proteção dos inquilinos e evitar casos semelhantes.
A organização considera que a mobilização social foi determinante para garantir que Maricarmen possa regressar à sua casa e reclama agora medidas de âmbito geral contra os despejos e a crise no acesso à habitação.
O acordo relativo a Maricarmen coincide esta terça‑feira com outro desenvolvimento na crise da habitação. O governo spanhol aprovou dois decretos‑lei com novas medidas em matéria de habitação, depois de PSOE e Sumar terem alcançado um acordo ‘in extremis’ após vários dias de negociações e de crescente pressão nas ruas.