O Programa Escola Segura, da PSP, registou um aumento de ocorrências no ano letivo 2025/2026 face ao ano anterior.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) apresentou esta terça-feira o relatório anual, enquadrado no Programa Escola Segura, sobre o ano letivo de 2025/2026, com preocupações relativamente ao aumento do crime de posse de arma e de ofensas corporais.
As equipas do Programa Escola Segura da PSP registaram um total 4.075 ocorrências, mais 178 do que no ano anterior, verificando-se assim um aumento de 4,6%.
Das ocorrências registadas, 2.898 foram de natureza criminal e 1.177 de natureza não criminal.
A maior parte das situações registadas, relativamente aos crimes, são ofensas corporais (1.426) e atingiram o número mais alto dos últimos cinco anos. Seguem-se as injúrias e ameaças (920). Assim, registou-se “um aumento de 10,5% e 3,1%, respetivamente, em relação ao ano letivo anterior”, lê-se no documento da PSP.
O furto, apesar da tendência decrescente nos últimos cinco anos, é ainda assim a terceira ocorrência criminal com maior expressão, com 324 registos.
O crime de posse e uso de armas obteve “o registo mais alto (59) dos últimos cinco anos letivos”, como relata a PSP, que o considera um dos dados com grande necessidade de acompanhamento.
As equipas da Escola Segura detetaram 60 armas ao longo do último ano letivo, sendo três delas armas de fogo, 50 armas brancas e 7 de “outras tipologias”.
Os polícias afetos a este programa operam em três cenários: interior do recinto escolar, exterior do recinto escolar e no trajeto casa-escola-casa e, segundo o relatório, a maior parte dos crimes acontece dentro das escolas.
Das 2.898 ocorrências criminais, 1.992 tiveram lugar no interior das escolas (68,7%), enquanto 1.009 tiveram lugar no exterior, em que 208 ocorreram “nos percursos casa-escola-casa ou nos percursos relacionados com atividades extracurriculares”. Os crimes de ofensas corporais, injúrias e ameaças e furto foram os mais verificados.
No caso da posse de armas, 43 foram identificadas no interior da escola, 14 no exterior e três no percurso casa-escola-casa.
Em contrapartida, os roubos e o tráfico de estupefacientes ocorrem com maior frequência no exterior dos recintos escolares.
No Programa Escola Segura, a prevenção é assegurada principalmente através do policiamento de proximidade e das ações de sensibilização e de contacto individual levadas a cabo pelos polícias para prevenção criminal.
Tráfico de estupefacientes e crimes sexuais estão a aumentar no âmbito escolar
Apesar de ser o crime com menor expressão dos analisados pela PSP, no ano letivo passado registaram-se 22 crimes de tráfico de estupefacientes, “o que representa um aumento de 69% em relação ao ano letivo anterior”.
As equipas da Escola Segura têm como função a sinalização de situações “de jovens em risco, com comportamentos delinquentes, consumo de substâncias aditivas como estupefacientes ou álcool, ou prática reiterada de incivilidades ou crimes”, lê-se no documento. Compete a estas equipas encaminhar estes casos para as entidades competentes.
Outro dado preocupante do relatório refere-se ao número crescente de crimes de ofensas sexuais. No ano letivo 2025/2026, registaram-se 103 crimes, “o que corresponde a um aumento de 18,4% em relação ao ano letivo anterior”, lê-se.
A maioria ocorreu também dentro das escolas, com 54 das ocorrências, sendo que 39 foram no percurso casa-escola-casa.
A PSP realiza anualmente milhares de ações de sensibilização. No ano letivo 2025/2026, realizaram-se mais de 11 mil, em que o tema “ofensas sexuais” foi dos que teve menor expressão, com apenas 94 ações.
As autoridades assumem que este foi o “tema que teve uma maior diminuição do número de ações realizadas decorrente da dificuldade e da falta de à vontade dos polícias em abordar estas questões com as crianças”.
O relatório deixa, contudo, garantida a necessidade de “colmatar esta falha” no presente ano letivo de 2026/2027.
Bullying ou cyberbullying: ocorrências continuam a aumentar
No relatório do Programa Escola Segura, as situações enquadradas no bullying e cyberbullying são tratadas de forma individualizada “por não serem tipificados como crime e, por isso, ser difícil contabilizar o número real de denúncias”.
No ano letivo analisado, registaram-se 155 situações relacionadas com bullying e 22 relacionadas com cyberbullying. Os casos aumentaram relativamente ao ano letivo anterior: mais 25 ocorrências de bullying e mais uma ocorrência de cyberbullying.
Os casos desta natureza podem ser enquadrados nos crimes de ofensas à integridade física, injúrias e ameaças, difamação ou devassa da vida privada. Assim, a PSP conclui que “das 2.898 ocorrências de cariz criminal verificadas, 6,1% (177 ocorrências) estiveram relacionadas com estes comportamentos”.
Contudo, para ser considerado “bullying”, tem de obedecer a um critério tridimensional: desequilíbrio de força entre o agressor (bullie) e a vítima, intenção do agressor e uma prática repetida no tempo. Um caso isolado não “é suficiente para qualificar um determinado comportamento sendo bullying ou cyberbullying”.
No ano letivo 2025/2026, o Programa Escola Segura contou com 337 polícias para garantir a segurança nas escolas da área de atuação da PSP. O programa abrangeu 3.109 escolas públicas, privadas e cooperativas, com exceção das escolas de ensino superior.