O Liceu Camões e a Escola Artística António Arroio, em Lisboa, foram bloqueados na manhã desta sexta-feira por elementos do movimento Fim ao Fóssil, que contestam os cortes na educação e o investimento no rearmamento, exigindo mais verbas para as escolas.
Duas escolas em Lisboa, o Liceu Camões e a Escola Artística António Arroio, foram bloqueadas na manhã desta sexta-feira por protestos de estudantes. Elementos do movimento Fim ao Fóssil fecharam, a correntes e cadeado, as entradas dos dois estabelecimentos de ensino nas primeiras horas da manhã.
Os jovens pretendem mostrar que não vão "continuar a consentir que o governo venda" a sua "vida e futuro", escrevem nas redes sociais.
"Os governos estão a cortar na educação, na habitação e na transição energética justa capaz de travar a crise climática, para investir no rearmamento e na guerra", denunciam numa publicação na página do movimento. "Estão a desviar os fundos necessários para garantir o nosso futuro, a mando de Trump e para encher os bolsos dos amigos", acusam. ”Estão a condenar a nossa geração a ser sacrificada em nome do lucro deles."
Os estudantes reivindicam "uma educação" que garanta "um bom futuro" e ser "adultos num mundo seguro, sem guerras e catástrofes constantes" em que "os direitos fundamentais são respeitados". Sinalizando que "por toda a Europa, o povo está nas ruas", os estudantes afirmam que "o movimento estudantil é capaz de mudar o rumo da História".
As ações foram convocadas pelas plataformas Estudantes pelo Fim ao Fóssil e Chumbado.pt, que surgiu após os problemas com os exames nacionais no final do ano letivo passado. Este último movimento reivindica "6% do PIB para a educação, mais professores, mais auxiliares da educação" e "obras nas escolas", alegando que para isso "é preciso acabar com o investimento na guerra".
Estes protestos fazem eco dos bloqueios das escolas em França, numa altura em que a Europa está a entrar em ebulição à medida que uma onda de manifestações toma conta das ruas em várias cidades europeias, como Milão, Madrid, Bruxelas e até Tirana, contra o aumento dos custos do combustível, o descontentamento com o estado da educação, o declínio dos serviços públicos e a crise da habitação.
Estes bloqueios estudantis seguem-se também às acampadas pela habitação, que surgiram no Porto há duas semanas e se estão alastrar ao resto do país, com maior prevalência agora em Lisboa, no Rossio.
Nas redes sociais, os coletivos apelam a mais bloqueios noutras escolas e à adesão à greve internacional de estudantes, convocada para 20 de novembro.