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Presidente de Ceuta fala em “invasão” de migrantes e pede deportações imediatas

Migrantes regressam a Marrocos a partir do enclave espanhol de Ceuta, sexta-feira, 31 de julho de 2026
Migrantes regressam a Marrocos a partir do enclave espanhol de Ceuta, sexta-feira, 31 de julho de 2026. Direitos de autor  AP Photo
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De Sandor Zsiros
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As imagens de dezenas de milhares de pessoas a entrar no exclave espanhol a partir de Marrocos reacenderam o debate na União Europeia sobre o combate ao tráfico de pessoas e a proteção das fronteiras.

O presidente da cidade autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, descreveu a violação da fronteira do exclave espanhol com Marrocos como uma “invasão” e exigiu o regresso imediato dos migrantes que ainda ali se encontram depois do incidente fronteiriço da semana passada.

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Vivas fez estas declarações na quinta‑feira, durante uma audição na Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do Parlamento Europeu. A sessão foi marcada após cerca de 80 mil migrantes terem chegado a Ceuta por via marítima, num episódio descrito como uma das maiores crises migratórias da história da UE.

O governo espanhol recusou o convite para participar na sessão e a Comissão Europeia esteve representada por Magnus Brunner, comissário responsável pelas migrações.

“Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, a segunda aceção de ‘invasão’ remete para a ocupação anómala ou irregular de um determinado lugar. Foi exatamente isso que aconteceu em 30 e 31 de julho, quando cerca de 80 mil pessoas, número equivalente à totalidade da população de Ceuta, irromperam na nossa cidade”, afirmou Vivas aos eurodeputados.

Vivas afirmou que o episódio pôs em causa a integridade de Ceuta, de Espanha e, no seu conjunto, da União Europeia. Embora a maioria dos migrantes tenha entretanto regressado a Marrocos, acrescentou que a crise deixou a cidade traumatizada: “Enfrentámos uma emergência humanitária de enormes dimensões, agravada por perturbações da ordem pública e um sério risco para a segurança pública”, disse.

Vivas adiantou que entre 3000 e 5000 migrantes continuam nos centros de acolhimento locais, já sobrelotados.

“Em circunstância alguma podemos afirmar que a cidade voltou à normalidade para os seus habitantes”, afirmou, acrescentando que o número exato de migrantes ainda em Ceuta não foi divulgado por falta de meios.

Renovou o apelo a um reforço dos controlos fronteiriços e ao regresso imediato dos migrantes que entraram irregularmente na cidade: “Exigimos a expulsão imediata dos marroquinos que entraram irregularmente na nossa cidade e aqui permanecem”, declarou Vivas, sublinhando que os menores não acompanhados só podem ser enviados de volta ao seu país de origem com o seu consentimento.

Em resposta a uma pergunta de um eurodeputado, Vivas disse não ter informação sobre se algum jihadista anteriormente expulso da Europa entrou em Ceuta durante a crise: “As autoridades locais não sabem se há jihadistas entre os que entraram”, acrescentou.

Vivas afirmou que Ceuta tinha alertado as autoridades espanholas, antes da vaga súbita de quinta‑feira passada, para o aumento das chegadas irregulares provenientes de Marrocos: “Informámos os ministérios sobre a situação que estávamos a viver e assinalámos um aumento alarmante nos fluxos de chegadas”, explicou.

Disse ainda que a cidade não conseguiu estabelecer contacto com as autoridades marroquinas, que se recusaram a colaborar. “O que ficou claro”, afirmou, “é que a nossa fronteira é permeável e vulnerável.”

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