Martínez fala em "preparação perfeita", mas antecipa dificuldades frente à RD Congo, equipa "vertical" e que "gosta do duelo físico". Desvaloriza ainda a notícia de que deixará de ser selecionador de Portugal, seja qual for o desempenho no torneio. "O meu contrato termina depois do Mundial", notou.
Portugal inicia esta quarta-feira a participação no sétimo Mundial consecutivo com a convicção de que pode, finalmente, conquistar o primeiro título nesta competição. O atual elenco, visto por vários analistas como o mais completo de sempre, reforça a ambição do grupo de trabalho e dos adeptos, mas o selecionador nacional avisa que é preciso gerir bem as emoções.
"Os sentimentos de representar uma seleção nacional num Campeonato do Mundo são muito naturais, por isso não temos de lutar contra eles. Penso que aquilo de que precisamos é clareza", declarou Roberto Martínez em conferência de imprensa no Estádio de Houston, palco do encontro de estreia frente à República Democrática do Congo.
Antes dos últimos jogos de preparação, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) deixou claro que não passar os quartos de final seria um fracasso. Sem querer fixar um objetivo mínimo, Martínez negou que haja "diferentes vozes" na estrutura da seleção.
"Há uma voz geral e depois há uma voz chata, que é racional, explica o caminho e que utiliza a experiência do terceiro Mundial", ressalvou, referindo-se aos dois Campeonatos do Mundo que disputou como treinador da Bélgica (2018, 2022). "O sonho comanda a vida.Todas as pessoas que gostam da seleção têm uma opinião e é muito respeitada. Eu também tenho o sonho. Mas a minha responsabilidade é mostrar que o Mundial se ganha racionalmente", insistiu.
O selecionador sublinhou que " a preparação foi perfeita a todos os níveis" e lembrou que, para já, o foco está em ultrapassar a fase de grupos. Para isso, será importante derrotar, de entrada, a RD Congo, atual 45.º do ranking mundial da FIFA, à frente, por exemplo, de Cabo Verde, que impôs um empate à superfavorita Espanha. Martínez não está à espera de facilidades nem de um conjunto que se limite a defender.
"As equipas africanas agora estão muito bem desenvolvidas, conseguem fazer uma pressão de bloco médio-alto agressiva, gostam dos duelos físicos, um jogo vertical quando têm bola descoberta, exploram os espaços na linha defensiva muito, muito bem", explicou.
Rúben Dias é baixa
Na conferência de imprensa, o timoneiro da equipa das quinas revelou que Rúben Dias está indisponível para o arranque devido a problemas físicos. O defesa do Manchester City contraiu uma lesão esta época, mas, segundo Martínez, o jogador não apresentava quaisquer limitações quando se juntou aos trabalhos da seleção.
"O futebol é um jogo de contacto. O que o Rúben teve foi um golpe durante o jogo contra a Nigéria. Fizemos os testes, está tudo bem estruturalmente e agora é só não arriscar", indicou.
Com Rúben Dias, para já, de fora, Portugal fica com três jogadores de raiz para a posição, sendo que é ainda possível fazer adaptações. Roberto Martínez destacou a "polivalência" do grupo, lembrando que o lateral Diogo Dalot, do Manchester United, e o médio Rúben Neves, do Al Hilal, já foram utilizados como defesas-centrais.
Para nós, um Mundial é 40 jogos, é um processo que tem sido muito meticuloso. Estou muito feliz com os jogadores, a atitude, o trabalho feito, com aquilo que nós temos e com o que eu vejo durante o treino. Não só ao nível de qualidade individual, mas ao nível do grupo", acrescentou.
Saída após o Mundial
O portal inglês talkSport avançou na terça-feira que Roberto Martínez, de 52 anos, vai deixar o cargo de selecionador de Portugal logo depois do Campeonato do Mundo, independentemente do desempenho no torneio.
A decisão de não renovação do contrato, válido até final de julho, terá partido do técnico espanhol, que estará a ponderar voltar a treinar um clube ou assumir a liderança de uma outra seleção europeia de grande dimensão.
"Eu encaro com naturalidade. O meu contrato termina depois do Mundial. É um facto, não é uma notícia", desdramatizou Martínez.