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Duas meninas palestinianas chegam a Portugal para receberem próteses e cuidados médicos

Crianças caminham entre as ruínas de edifícios destruídos pelos ataques aéreos israelitas durante a guerra com o Hamas, na cidade de Gaza, na segunda-feira, agosto de 2026
Crianças caminham entre as ruínas de edifícios destruídos pelos ataques aéreos israelitas durante a guerra com o Hamas, na cidade de Gaza, na segunda-feira, agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Jehad Alshrafi
Direitos de autor AP Photo/Jehad Alshrafi
De Ema Gil Pires
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As duas menores, de 7 e 16 anos, serão acompanhadas no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão e no Hospital da Prelada, respetivamente. Serão "as primeiras crianças palestinianas" a receber tratamento no país através da HEAL Palestine, segundo a própria organização humanitária.

Chegaram a Portugal, esta segunda-feira, duas meninas palestinianas que sofreram ferimentos graves na sequência da guerra em Gaza. Malak Alshirafa, de 7 anos, e Dima Qudaih, de 16, aterraram esta tarde no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, de modo a poderem receber cuidados médicos em duas unidades hospitalares portuguesas, confirmou a Euronews.

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A divulgação da vinda das duas menores para o país tinha já sido feita, nas redes sociais, pela HEAL Palestine. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos norte-americana criada "com o objetivo de prestar ajuda de emergência e apoio a longo prazo a crianças e famílias palestinianas", lê-se no site desta entidade, contando com vários hospitais de campanha em Gaza.

Neste caso em concreto, detalha-se em comunicado enviado pela entidade às redações, Malak e Dima são duas meninas "que perderam, cada uma, uma perna em bombardeamentos na Faixa de Gaza".

O seu encaminhamento para Portugal surge com vista a garantir que possam receber as próteses necessárias para que voltem a andar e, dessa forma, fazer todo o processo de reabilitação associado. São "as primeiras crianças palestinianas a serem tratadas no país através da organização humanitária norte-americana HEAL Palestine".

No entanto, a iniciativa que permitirá a Dima e Malak receberem tratamento especializado em território português surge de uma colaboração estabelecida pela HEAL Palestine, que foi a responsável pela retirada de ambas de Gaza, com o coletivo Parents for Peace e o GARPP - Grupo de Apoio a Refugiados Palestinianos / Portugal.

Em declarações à Euronews, Joana Vaz Ferreira, membro do GARPP - Grupo de Apoio a Refugiados Palestinianos / Portugal, explica que a solução portuguesa foi uma das encontradas pela organização HEAL Palestine para contornar o facto de ser muito difícil encaminhar crianças feridas em Gaza para território norte-americano. "Os Estados Unidos, devido às políticas que têm, vedaram a possibilidade de mais crianças acederem a cuidados médicos" nesse país, relata.

A estadia de Dima e Malak em Portugal

De acordo com a informação avançada por Joana Vaz Ferreira à Euronews, as duas crianças aterraram em Portugal quando já passava das quatro da tarde desta segunda-feira**,** hora local, acompanhadas pelas mães e, no caso de Malak, pelo irmão. Viajaram desde o Egito, onde se encontravam desde que foram retiradas de Gaza, fruto dos ferimentos sofridos, e enquanto aguardavam a viagem para Portugal.

A partir de agora, a mais velha das duas meninas, Dima Qudaih, receberá cuidados médicos no Hospital da Prelada, no Porto, "onde uma equipa multidisciplinar coordenada por um fisiatra assegurará fisioterapia e terapia ocupacional diárias, seguidas da adaptação de uma prótese transtibial (abaixo do joelho)", refere o comunicado da HEAL Palestine.

Por sua vez, Malak Alshirafa será acompanhada no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, em Cascais, "que prestará o apoio clínico e técnico necessário ao fabrico e adaptação de uma prótese transfemoral (acima do joelho)", segundo a organização.

Ambas as instituições, que integram a rede da Santa Casa da Misericórdia, disponibilizaram-se para "oferecer os cuidados às duas meninas", sendo de sublinhar que, no caso de uma delas, será a HEAL Palestine a assumir os custos da prótese. "Quando contactámos os hospitais, aceitaram de imediato os casos", elogia Joana Vaz Ferreira, do GARPP - Grupo de Apoio a Refugiados Palestinianos / Portugal.

Mas, além desta dimensão, foi também necessário garantir uma "rede de apoio", que só foi alcançada através de um "trabalho conjunto dos dois coletivos [portugueses] para encontrar respostas a nível habitacional, de interpretação e de mediação cultural", para que "as meninas e as respetivas famílias estejam o mais amparadas possível".

E, a todos os níveis, os dois coletivos portugueses encontraram sempre "braços abertos". Como diz Joana Vaz Ferreira, "a sociedade civil portuguesa foi incansável" quando lhes foi pedido que prestassem apoio a estas duas crianças palestinianas.

Desta feita, acrescenta a representante do GARPP - Grupo de Apoio a Refugiados Palestinianos / Portugal, todos "os gastos" associados à sua permanência em Portugal, incluindo também todo o apoio necessário a nível educativo, serão assegurados pelas entidades contactadas pelas associações que proporcionaram a sua vinda para território nacional ou, nas situações em que isso não ocorra, pela própria HEAL Palestine.

A permanência de Dima e Malak em Portugal tem uma duração prevista de seis meses que poderá chegar "até um ano", dependendo do curso do tratamento — sendo certo que, na Palestina, não conseguiriam "ter o apoio de que precisam".

Tal apenas foi possível após ter sido concedida a autorização, por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, para a emissão de vistos de estadia temporária em território nacional, informa Joana Vaz Ferreira.

"As necessidades são gritantes" em Gaza

Segundo escreveu na rede social X, em dezembro passado, Philippe Lazzarini, que assumiu o cargo de comissário-geral da UNRWA (Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo) até março de 2026, "Gaza acolhe atualmente o maior grupo de crianças amputadas da história moderna".

Um facto que motivou o Grupo de Apoio a Refugiados Palestinianos / Portugal a lembrar, nas palavras de Joana Vaz Ferreira, que as necessidades nesse território "são gritantes". Por essa razão, acrescenta, os três coletivos que se uniram para possibilitar a chegada de Dima e Malak a território português estão inteiramente "disponíveis para continuar a criar as condições" para que outras crianças palestinianas possam encontrar no país a assistência médica de que necessitam.

Ainda assim, não está prevista a chegada, pelo menos para breve, de outros menores em situações semelhantes a Portugal, conta Joana Vaz Ferreira. Essa possibilidade está sempre "dependente da emissão de vistos" por parte das autoridades diplomáticas nacionais, sendo que, até ao momento, esse requisito apenas foi cumprido nos casos destas duas meninas de 7 e 16 anos.

Dois exemplos que, segundo evidenciam as palavras de Steve Sosebee, diretor-executivo da HEAL Palestine, no comunicado enviado às redações, lançam bases de esperança para o futuro. É que "Portugal abriu uma porta que muito poucos países estiveram dispostos a abrir".

A organização sublinha ainda que após o Departamento de Estado dos EUA ter anunciado, em agosto de 2025, "a suspensão da emissão de vistos de visitante a cidadãos de Gaza — incluindo crianças já aprovadas para cuidados médicos urgentes", necessitou de optar pela "construção de vias alternativas para crianças cujo tratamento não pode esperar, organizando cuidados" em países como o Egito e o México, e, mais recentemente, também Espanha, à semelhança de Portugal.

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