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Chegou o mata-mata: Portugal leva vantagem histórica frente a Croácia em renovação

Cristiano Ronaldo e Luka Modric: quem é o melhor no duelo de veteranos?
Cristiano Ronaldo e Luka Modric: quem é o melhor no duelo de veteranos? Direitos de autor  AP Photo/montagem
Direitos de autor AP Photo/montagem
De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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Empate com a Colômbia voltou a lançar interrogações sobre até onde pode ir a seleção portuguesa. Apesar de mais uma exibição desapontante, Cristiano Ronaldo deve manter a titularidade. Croácia arrancou com derrota, mas reganhou confiança. A Modric juntam-se talentos jovens como Sučić e Baturina.

O selecionador de Portugal, Roberto Martínez, tinha projetado o embate contra a Colômbia, o último da fase de grupos, como uma oportunidade para aquilatar o patamar competitivo da equipa, e, no rescaldo, concluiu que se tratou de um "teste valioso".

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Em declarações aos jornalistas na conferência de imprensa, ressalvou que era necessário "melhorar alguns aspetos". No entanto, frisou que os jogadores lusos ficaram "muito mais preparados a todos os níveis" e assumiu estar "muito satisfeito com a intensidade defensiva".

Na verdade, se Portugal saiu do relvado sem golos encaixados, deve-o a um único homem, mais do que a qualquer esforço coletivo de anulação dos raides colombianos: com seis defesas, o guarda-redes Diogo Costa salvou a face do detentor da Liga das Nações, que foi ofuscado por uma Colômbia com mais posse de bola, com quase o dobro dos remates (24, a melhor marca dos cafeteros num jogo em Mundiais desde que há registos) e o triplo das finalizações enquadradas na baliza.

Martínez queria pôr as suas tropas à prova, mas apesar do otimismo militante do técnico, a batalha de Miami fez renascer as dúvidas sobre a capacidade de a seleção portuguesa ir superando o fogo inimigo até ao desafio final de 19 de julho, nos arredores de Nova Iorque.

Portugal tem-se dado bem com a Croácia

Reinstalada a desconfiança dos adeptos e da crítica, o próximo adversário, fazendo fé no histórico de confrontos, até pode parecer bem-vindo. Portugal é uma espécie de besta negra da Croácia.

Em seis jogos oficiais, nunca a formação balcânica conseguiu vencer a equipa das quinas. O frente-a-frente mais recente aconteceu em novembro de 2024 na Liga das Nações, em Split, e deu empate.

Nas restantes ocasiões, os portugueses somaram cinco triunfos, três dos quais nessa prova da UEFA inaugurada em 2018 e os outros dois em Europeus: 3-0 na fase de grupos do Inglaterra 96 e 1-0 após prolongamento nos oitavos de final do torneio de 2016 em França, que viria a ser conquistado pela seleção então orientada por Fernando Santos.

Estádio de Toronto vai receber o Portugal-Croácia dos 16 avos do Mundial 2026
Estádio de Toronto vai receber o Portugal-Croácia dos 16 avos do Mundial 2026 Chris Young/The Canadian Press via AP

Ou seja, em fases finais de competições por seleções diante dos croatas, Portugal apresenta um histórico 100% vitorioso, sem ter sofrido qualquer golo. Mais logo, em Toronto (meia-noite, hora de Portugal continental), os dois países enfrentam-se, pela primeira vez, num Campeonato do Mundo (16 avos de final).

Não obstante o peso histórico, que favorece a seleção portuguesa, a forma atual das equipas tende a ser o fator mais decisivo. Por exemplo, nos últimos dois encontros oficiais entre estes países, há cerca de dois anos, alguns dos jogadores que hoje em dia são mais influentes na Croácia não jogaram (Stanisic e Vlašić) ou ainda não estavam no nível entretanto atingido, nomeadamente Petar Sučić, que atuou apenas num desses desafios durante pouco mais de dez minutos.

O coletivo do xadrez branco e vermelho conta com sete participações em Mundiais, menos duas do que os portugueses, embora tenha ido mais longe, ao ser finalista vencido em 2018 na Rússia diante da França. O crescimento do futebol croata tem sido sustentado, como se viu quatro anos mais tarde no Qatar com mais uma presença do país nas meias-finais (terceira do palmarés), campanha só travada pela Argentina, que acabaria por se sagrar campeã.

A Croácia não falha um Mundial desde 2014 e, depois de bater o Gana por 2-1 no duelo da derradeira jornada do grupo L, apurou-se para as eliminatórias da maior prova de seleções do planeta pela terceira vez consecutiva, a quarta no total. E atenção: até ao momento, sempre que passou a fase de grupos, alcançou as meias-finais.

Na nona participação em Campeonatos do Mundo, Portugal assegurou a sexta presença na fase a eliminar. Até agora, nos primeiros duelos do "mata-mata", tem saldo positivo, registando três vitórias e duas derrotas.

Ronaldo está mesmo" de volta", como anunciou?

Alvo de uma torrente de críticas após uma das piores exibições por Portugal, no arranque frente à República Democrática do Congo (RDC), Cristiano Ronaldo, que, em oito jogos, nunca marcou em fases a eliminar de Mundiais, deu em campo uma resposta assertiva, assinando um bis na segunda jornada contra o Uzbequistão.

Após os festejos do segundo golo, e já sabendo que o arquirrival Messi se tornara, na véspera, o melhor marcador de sempre em Mundiais, CR7 olhou para uma das câmaras e quis deixar uma mensagem ao mundo do futebol: "Estou de volta, estou de volta". A exclamação foi repetida assim que soou o apito final, com alívio, certamente, mas também em tom de desafio.

A onda de entusiasmo entre os adeptos portugueses durou apenas cinco dias - a Colômbia trouxe um choque de realidade. Na sua 25.ª partida em Campeonatos do Mundo, Ronaldo voltou a ficar em branco, fez três remates (só um enquadrado) e não foi além de 35 toques na bola, apenas dois deles na área dos sul-americanos.

Confirmou-se o que muitos temiam. Perante um adversário de maior exigência, o madeirense apagou-se, ao contrário do que tem acontecido com superestrelas como Messi, Mbappé, Haaland e Kane, que carregam as respetivas seleções às costas.

No final do encontro de Miami, Roberto Martínez defendeu, mais uma vez, a principal figura da equipa das quinas. "O Cristiano está habituado a estar no sítio certo à hora certa e é muito disciplinado na sua posição", declarou.

Roberto Martínez, selecionador de Portugal, durante o jogo contra a Colômbia no Mundial 2026
Roberto Martínez, selecionador de Portugal, durante o jogo contra a Colômbia no Mundial 2026 AP Photo/Lynne Sladky

Melhor marcador da história do futebol em jogos oficiais, Ronaldo pode bem ser uma ameaça dentro de área, se tiver espaço, mas a mobilidade já não é a mesma e adensam-se as dúvidas sobre até que ponto consegue fazer a diferença quando a qualidade dos defesas adversários aumenta. A sua permanência em campo ao longo dos 90 minutos volta a saltar para a primeira linha do debate, pelas consequências no equilíbrio coletivo.

Desde 2020/21, Gonçalo Ramos possui um rácio de golos por minuto superior ao de Ronaldo, sendo um jogador que, aos 25 anos, oferece maior intensidade de pressão em organização defensiva. Porém, o avançado que assinou contrato com o AC Milan para as próximas cinco temporadas só teve oportunidade de jogar sete minutos com a RDC, enquanto a Ronaldo foram dadas, na íntegra, as três partidas da fase de grupos.

Martínez garantiu que o desempenho dos jogadores, em várias dimensões, é monitorizado em tempo real, nos jogos e treinos, e recusou que a condição física de Ronaldo seja um problema. Ainda assim, reconheceu que há jogadores que não estão a 100% e admitiu fazer alterações para o compromisso com a Croácia.

João Neves, de 21 anos, foi suplente contra a Colômbia por razões de gestão física, explicou o técnico. Questiona-se, por isso, se, nessa lógica, não se impunha poupar também Cristiano, que tem quase o dobro da idade do médio do PSG.

Cristiano Ronaldo durante o jogo com a Colômbia no Estádio de Miami
Cristiano Ronaldo durante o jogo com a Colômbia no Estádio de Miami AP Photo/Marta Lavandier

Por tudo o que já disse sobre o capitão e pelo tratamento que lhe tem dado desde que é selecionador, Martínez não deverá deixá-lo no banco, nem é claro, neste momento, que esteja inclinado a retirá-lo de campo caso o rendimento seja semelhante ao do primeiro e terceiro jogos. É mais provável que faça ajustamentos no apoio ao homem da frente, desviando, por exemplo, João Félix para uma posição central.

Não há indicações de que esteja iminente uma transfiguração do onze. No último treino antes da deslocação para Toronto, todos os jogadores estavam aptos fisicamente. João Neves, que acrescenta capacidade de pressão e de recuperação de bola, voltará, em princípio, a ser titular.

Croácia em crescendo

A Croácia iniciou o certame dos Estados Unidos, México e Canadá com uma derrota por 4-2 frente à Inglaterra que levou o selecionador Zlatko Dalic a remodelar a equipa. Contra o Panamá, a linha de três centrais foi desfeita e a defesa a quatro retomada, com os croatas, ainda que sem brilhantismo, a resgatarem uma vitória tangencial (1-0) e as chances de apuramento.

No último embate da fase de grupos, o triunfo por 2-1 sobre o Gana valeu a passagem aos 16 avos no segundo posto. O habitual 4-2-3-1 de Dalic, homem do leme nas notáveis campanhas da Rússia em 2018 e do Qatar em 2022, deu resultado e deve ser mantido face a Portugal, com os mesmos intérpretes ou quase todos. O próprio Dalic afirmou, na conferência de imprensa de antevisão, que não vai mudar "grande coisa".

Selecionador da Croácia, Zlatko Dalic, à esquerda, na conferência de imprensa conjunta com o guarda-redes Dominik Livakovic na véspera do jogo contra Portugal em Toronto
Selecionador da Croácia, Zlatko Dalic, à esquerda, na conferência de imprensa conjunta com o guarda-redes Dominik Livakovic na véspera do jogo contra Portugal em Toronto AP Photo/Stephanie Scarbrough

Na sessão de treino de terça-feira, segundo o jornal croata Sportske novosti, as indicações do treinador incidiram com particular foco nos defesas, o que pode sugerir uma alteração no setor recuado. Gvardiol (Manchester City), que, mesmo não estando no máximo das capacidades físicas, foi titular contra a Inglaterra e o Gana, ou Ćaleta-Car (emprestado pelo Lyon à Real Sociedad) são opções para jogar de início, por troca com Pongračić (Fiorentina).

Do elenco que alcançou a final há oito anos e o terceiro lugar há quatro, permanecem vários elementos que, nessas edições do Mundial, constituíram a espinha dorsal dos Vatreni, do guarda-redes Livakovic ao central Gvardiol, dos médios Modrić e Kovačić aos extremos Perišić e Kramarić.

Luka Modric em ação no encontro da fase de grupos frente ao Gana em Filadélfia
Luka Modric em ação no encontro da fase de grupos frente ao Gana em Filadélfia AP Photo/Matt Slocum

Aos 40 anos, Modrić, que jogou ao serviço do AC Milan na última época, continua a ser o cérebro da equipa. O melhor jogador do Mundial 2018 e Bola de Ouro nesse ano fez a assistência para o golo decisivo de Vlašić diante do Gana. A cumprir a 10.ª fase final da carreira (cinco Europeus e cinco Mundiais), que deverá ser de despedida, é recordista de internacionalizações pelos balcânicos (201).

No meio-campo, destacam-se ainda dois talentos da nova geração. Martin Baturina, 23 anos, em estreia na prova, já é apontado como o sucessor natural de Modrić e tem atraído atenções pelo primor técnico.

Depois de ter marcado à Inglaterra com um grande remate de fora de área, o médio ofensivo do Como, quarto classificado na liga italiana 2025/2026, produziu estatísticas contra o Panamá ao nível das maiores lendas deste desporto: é o mais jovem a conseguir seis dribles bem-sucedidos e a ganhar sete faltas num jogo de Campeonato do Mundo desde Diego Maradona (1982). É muito difícil roubarem-lhe a bola.

Baturina celebra golo contra a Inglaterra no primeiro jogo da fase de grupos em Arlington, Texas
Baturina celebra golo contra a Inglaterra no primeiro jogo da fase de grupos em Arlington, Texas AP Photo/Julio Cortez

Petar Sučić, 22 anos, campeão pelo Inter de Milão esta temporada, traz energia e amplitude de movimentos, sem perder de vista a baliza adversária. Foi o autor do primeiro golo da Croácia frente ao Gana que lhe deu o estatuto de segundo jogador mais jovem a marcar pela seleção croata num Mundial.

À semelhança de Modrić, Perišić, que disputa o seu quarto Campeonato do Mundo, impressiona pela longevidade. Quando entrar em campo contra Portugal (resta saber se como lateral ou extremo), vai tornar-se apenas o quarto jogador a participar em mais de 20 jogos nesta competição (será o seu 21.º) sem alguma vez ter sido suplente.

Perisic em duelo aéreo na partida frente à Inglaterra em Arlington, Texas
Perisic em duelo aéreo na partida frente à Inglaterra em Arlington, Texas AP Photo

Na frente de ataque, os croatas depositam esperanças em Petar Musa (campeão nacional pelo Benfica e também ex-Boavista, atualmente na liga norte-americana) e em Ante Budimir, veterano do Osasuna, cada um já com um golo neste torneio.

No seu terceiro Mundial, Kramarić pode ser a "arma secreta", como refere a imprensa croata, se conseguir contornar as lesões que o têm apoquentado. O experiente criativo, uma das unidades mais preponderantes para o quinto lugar obtido pelo Hoffenheim no campeonato alemão, é um dos maiores representantes da mística desta seleção dos Balcãs.

Se as decisões se arrastarem para os penáltis, há fortes argumentos de ambos os lados. Portugal confia em Diogo Costa, que, em 2024, passou a ser o primeiro guarda-redes da história do Europeu a parar três remates num desempate da marca dos 11 metros. Já a Croácia puxa dos galões como a única seleção com aproveitamento pleno pós-prolongamento em Campeonatos do Mundo: venceu as quatro séries de grandes penalidades disputadas na prova.

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