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Rússia mantém detidos mais de 16 mil civis desde invasão da Ucrânia, diz ONU

Conselho de Segurança reúne-se na sede das Nações Unidas, terça-feira, 26 de maio de 2026. (Foto AP/Seth Wenig)
O Conselho de Segurança reúne-se na sede das Nações Unidas, terça-feira, 26 de maio de 2026. (Foto AP/Seth Wenig) Direitos de autor  AP Photo
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A ONU denunciou que mais de 95% dos prisioneiros de guerra ucranianos e 85% dos civis detidos são torturados ou maltratados, muitas vezes repetidamente

Mais de 16 mil civis capturados pela Rússia durante o conflito na Ucrânia continuam “privados da liberdade”, muitos deles incomunicáveis e detidos por motivos que violam o direito internacional, foi declarado numa reunião informal do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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Segundo Claudia Fuentes Julio, secretária-geral adjunta da ONU para os direitos humanos, continua a verificar-se “tortura e maus-tratos generalizados e sistemáticos” de civis ucranianos detidos e de prisioneiros de guerra por parte da Rússia, incluindo violência sexual.

Julio apresentou estas estimativas na reunião informal do Conselho de Segurança convocada pela Letónia e pelo Reino Unido, na segunda-feira, para destacar a situação de civis e militares capturados na guerra que a Rússia desencadeou com a invasão em larga escala do país vizinho em fevereiro de 2022.

O Conselho, do qual a Rússia é membro permanente, ouviu estes testemunhos numa altura em que Moscovo e Kiev intensificam os ataques num conflito que já dura há quatro anos.

Segundo Julio, desde a invasão, funcionários da ONU para os direitos humanos entrevistaram 910 prisioneiros de guerra ucranianos e 403 civis detidos após a libertação.

Mais de 95% dos prisioneiros de guerra ucranianos e 85% dos civis detidos relataram ter sido alvo de tortura ou maus-tratos, muitas vezes repetidos, afirmou a responsável da ONU.

Relataram também agressões sexuais e condições desumanas, incluindo privação de alimentos e assistência médica insuficiente.

O gabinete de direitos humanos, sediado em Genebra, “documentou a execução de 129 prisioneiros de guerra ucranianos no início do seu cativeiro e a morte, sob custódia, de 48 prisioneiros de guerra ucranianos, resultante de tortura, recusa de cuidados médicos ou outras condições desumanas de detenção”, acrescentou a secretária-geral adjunta da ONU para os direitos humanos.

À ONU não foi permitido visitar instalações de detenção russas e a estimativa do número de pessoas detidas não inclui a distinção entre adultos e crianças.

Antigos detidos descrevem calvário à ONU

O Conselho de Segurança ouviu também relatos profundamente emotivos de antigos detidos que descreveram o seu calvário.

A ativista tártara da Crimeia pelos direitos humanos Leniie Umerova, que se descreveu como “prisioneira política” dos russos durante quase dois anos, e Khuan Leyva Garsiya, soldado ucraniano que esteve entre os centenas que resistiram durante meses na siderurgia Azovstal, na cidade cercada de Mariupol, antes de se renderem às forças russas em maio de 2022, contaram as suas histórias.

Garsiya, nascido em Mariupol de mãe ucraniana e pai cubano, passou 1 183 dias como prisioneiro de guerra. Disse que pesava 55 quilos quando foi libertado e exibiu ao Conselho uma fotografia do seu corpo emaciado.

Referiu que foi torturado, espancado com maior violência e mais humilhado do que outros prisioneiros porque os russos suspeitavam que fosse um mercenário estrangeiro, devido à ascendência cubana, ou um espião norte-americano, por ter estudado numa universidade nos Estados Unidos.

“Os russos ficaram indignados por alguém com ligação a Cuba, que consideram um aliado, combater contra o seu exército de ocupação”, afirmou Garsiya, que continua nas forças armadas ucranianas.

ONU indica que detidos russos também denunciaram abusos

Peritos de direitos humanos da ONU também entrevistaram 816 russos e 57 prisioneiros de guerra de países terceiros, oriundos de mais de 45 países, que integravam as forças armadas russas na Ucrânia, adiantou a secretária-geral adjunta.

Cerca de metade relatou ter sido alvo de tortura ou maus-tratos, sobretudo nas fases iniciais do cativeiro e durante os interrogatórios por parte de ucranianos, acrescentou.

Mas os observadores da ONU indicaram que, uma vez nas instalações de detenção ucranianas, “as condições cumprem, em geral, o direito internacional humanitário e melhoraram desde 2022”.

Em resposta às acusações, a embaixadora adjunta da Rússia junto da ONU, Maria Zabolotskaya, afirmou ao Conselho que as forças armadas russas cumprem o direito internacional humanitário, incluindo no tratamento de prisioneiros. Alegou que prisioneiros russos na Ucrânia enfrentam “tortura, degradação e abusos morais e físicos”.

Classificou a reunião do Conselho de Segurança como parte de “uma campanha de desinformação contra a Rússia”, financiada por países da NATO envolvidos no conflito na Ucrânia. O objetivo, disse, “é sabotar esforços para um acordo de paz e justificar ataques contra o território da Rússia e contra civis”.

Pela parte da Ucrânia, Volodymyr Pavlichenko, embaixador adjunto de Kiev junto da ONU, manifestou desagrado pelo facto de a Rússia não estar disposta a falar sobre o regresso dos prisioneiros de guerra, “incluindo os seus prisioneiros de guerra”, e de todos os civis detidos, incluindo crianças raptadas.

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