França desata o nulo após um primeiro tempo sem golos e impõe 3-1 ao Senegal na estreia, diante dos campeões africanos cujo recente título da CAN foi retirado por uma questão técnica e atribuído a Marrocos
França entrou em força no Mundial 2026 com uma exibição dominante frente ao contestado campeão de África Senegal, esta terça-feira, num jogo em que os “bleus” procuraram formas de furar defesas muito fechadas e encontrar o golo apesar de uma primeira parte a zeros.
Os golos acabaram por surgir em catadupa na segunda parte, lançando os gauleses para o topo do grupo e afastando o fantasma de um deslize idêntico ao de Espanha, uma das favoritas à conquista do título, que tinha começado a campanha com um empate a zero com Cabo Verde na segunda-feira, apesar de quase duas dezenas de remates à baliza.
Entretanto, a campeã em título Argentina, liderada pelo ícone Lionel Messi, estreou-se com uma vitória convincente por 3-0 sobre a Argélia, enquanto a Noruega bateu o Iraque por 4-1 no seu primeiro jogo.
Eis todos os jogos que pode ter perdido na terça-feira e já pela madrugada de quarta.
França - Senegal
O avançado francês e jogador do Real Madrid Kylian Mbappé assinou uma exibição de luxo no primeiro jogo deste Mundial, reforçando o estatuto da seleção como uma das principais candidatas ao título.
Depois de uma primeira parte apagada, Kylian Mbappé afinou o jogo de França.
O avançado-estrela bisou, ultrapassou Pelé e chegou aos 14 golos em fases finais, celebrando ao imitar um flautista, como tinha prometido.
“Podia ter marcado quatro ou cinco golos, teoricamente, mas estamos satisfeitos com dois”, disse o selecionador francês Didier Deschamps.
Mbappé teve 14 toques na bola na primeira parte, o menor número dentre todos os jogadores, mas colocou a seleção de França em vantagem aos 66 minutos. Arrancou em velocidade à frente do capitão senegalês Kalidou Koulibaly, recebeu em diagonal de Michael Olise e rematou cruzado, à entrada da pequena área, sem hipótese para o guarda-redes Édouard Mendy.
Numa rubrica com Mbappé gravada a 20 de maio e emitida na sexta-feira pela norte-americana Fox, o ator e apresentador James Corden sugeriu ao avançado, de 27 anos, que comemorasse o próximo golo num Mundial imitando um flautista.
Em criança, Mbappé chegou a praticar o instrumento durante um ou dois anos, a pedido dos pais.
“Faço isso para ti no primeiro jogo”, respondeu Mbappé.
Depois de marcar, correu para o canto, levou as duas mãos aos lábios e fingiu tocar flauta durante alguns segundos.
“Se ele quiser voltar a passar ao lado da primeira parte e marcar dois golos na segunda noutro jogo, por mim tudo bem”, atirou Deschamps.
Bradley Barcola, do PSG, fez o 2-0 aos 82 minutos, dois minutos depois de ter entrado em campo, e Ibrahim Mbaye reduziu para o Senegal aos 90+5.
Mbappé voltou a marcar apenas 68 segundos depois, com um remate espetacular de pé direito de cerca de 30 metros. A bola descreveu um arco perfeito entre o braço esquerdo estendido de Mendy e a trave.
“Um golo louco”, resumiu o defesa francês William Saliba.
Mbappé, melhor marcador do Mundial 2022 com oito golos, deixou para trás Lionel Messi e o compatriota Just Fontaine na lista de melhores marcadores de sempre da competição, antes de Messi chegar também aos 16 golos pela Argentina mais tarde, na terça-feira.
O avançado francês está agora empatado com o alemão Gerd Müller e apenas atrás de Messi, do alemão Miroslav Klose (16) e do brasileiro Ronaldo (15) no ranking histórico de golos em Mundiais.
Mbappé tornou-se ainda o melhor marcador de sempre da seleção francesa, com 58 golos, mais um do que Olivier Giroud.
“Pode, de vez em quando, fazer um jogo ou outro menos conseguido, mas numa única ação é capaz de desequilibrar e levar a equipa à vitória”, afirmou Deschamps. “Dizem que defende pouco. Ele não está aqui para defender.”
Mbappé desvalorizou as críticas.
“Não se trata de vingança”, disse. “Se começasse a jogar por causa de todas as pessoas que me criticam, só para as calar, tinha de jogar até aos 80 anos.”
Argentina - Argélia
Lionel Messi assinou o primeiro hat-trick em Mundiais e igualou o recorde de golos de Miroslav Klose na competição na noite de terça-feira, oferecendo a milhares de adeptos argentinos, que encheram o Arrowhead Stadium para o jogo com a Argélia, um momento inesquecível.
Messi marcou o primeiro golo logo nos minutos iniciais, após um passe subtil do colega do Inter Miami Rodrigo De Paul, o segundo já no início da segunda parte e o terceiro instantes antes de sair, ovacionado de pé.
Os golos surgiram exatamente 20 anos depois da estreia de Messi em Mundiais pela Argentina, frente à Sérvia e Montenegro — também aí marcou — e fizeram dele apenas o segundo jogador a marcar em cinco edições do torneio.
Messi soma 16 golos nas seis presenças em Mundiais e tudo indica que o recorde de Klose cairá nas próximas semanas. Este foi o 61.º hat-trick da carreira e o 11.º ao serviço da seleção.
Foi o quinto jogo consecutivo em fases finais em que Messi marcou.
O atacante, que completa 39 anos na próxima semana, lidou recentemente com uma pequena lesão muscular na coxa ao serviço do Inter Miami, que o condicionou na preparação para o Mundial.
Mas o oito vezes vencedor da Bola de Ouro, prémio que distingue o melhor jogador do mundo, não revelou problemas no particular da semana passada com a Islândia, em que marcou de penálti em 20 minutos em campo.
O jogo com a Argélia foi o 200.º de Messi pela seleção, pela qual se estreou em 2005, quando tinha 18 anos. Apenas Cristiano Ronaldo, que deverá somar a 229.ª internacionalização na quarta-feira, e Bader al-Mutawa (202 pelo Kuwait), têm mais jogos.
A Argentina é uma das quatro seleções que instalaram o centro de operações na área metropolitana de Kansas City e, como no resto do mundo, a “Messi-mania” tomou conta da região desde a chegada da Albiceleste há cerca de duas semanas.
Noruega - Iraque
O percurso da Noruega neste Mundial promete ir tão longe quanto Erling Haaland a conseguir levar, como o avançado mostrou na estreia ao assumir que está mais do que pronto para o desafio.
Haaland bisou, incluindo um golo após um erro defensivo, esta terça-feira, e conduziu a Noruega a uma vitória por 4-1 sobre o Iraque no Grupo I.
Os 56.º e 57.º golos do avançado do Manchester City pela seleção surgiram na primeira presença da Noruega na prova desde que atingiu os oitavos de final no Mundial de 1998, em França — dois anos antes do nascimento de Haaland.
Haaland garantiu que fará tudo para corresponder às expectativas criadas com esta exibição.
“Claro que vou tentar”, disse. “Trata-se de continuar e não pensar demasiado. É difícil nesta fase. Mas vou concentrar-me no próximo jogo, estar contente, mas também manter a calma.”
O selecionador Stale Solbakken disse que tinha a sensação de que Haaland estava pronto depois de ver a forma descontraída como trabalhou no último treino antes do jogo.
“Deu para perceber que esteve à altura do momento”, considerou Solbakken. “A ocasião não foi grande demais para ele.”
Leo Ostigard marcou aos 76 minutos, na sequência de um canto batido por Martin Odegaard. Um autogolo do avançado iraquiano Aymen Hussein, mesmo sobre o apito final, fixou o 4-1 para a Noruega.
Hussein também tinha marcado para a sua equipa, ao assinar o empate apenas nove minutos depois do primeiro golo de Haaland, que voltou a colocar os noruegueses na frente mesmo em cima do intervalo, ao antecipar-se a um mau passe atrasado para o guarda-redes iraquiano Jalal Hassan. Chegou primeiro à bola, travando a tentativa de alívio, e desviou depois com a canela para o fundo da baliza.
“São coisas que acontecem”, comentou o selecionador do Iraque, Graham Arnold. “É o que é e temos de aprender com isso.”
O primeiro golo de Haaland, aos 29 minutos, surgiu após um cruzamento de David Moller Wolfe para a área.
A estrela do futebol de clubes lançou-se em carrinho e, de calcanhar direito, desviou para a baliza. O lance desencadeou ondas de festejos entre os adeptos noruegueses, que coloriram as bancadas de vermelho e entoaram sincronizadamente cânticos à maneira dos vikings.
O Iraque, que está apenas na segunda participação em Mundiais, depois da estreia em 1986, contou com um forte apoio nas bancadas, sobretudo concentrado atrás de uma das balizas.
Essa energia ajudou a seleção iraquiana a voltar a entrar no jogo, ainda que por pouco tempo.
No minuto 38, Amir Alammari recuperou uma bola sobre a linha de fundo, a meio caminho entre o canto esquerdo e a baliza, e cruzou forte para a área.
A bola passou pelos defesas noruegueses e permitiu a Hussein desferir um cabeceamento limpo, que bateu no relvado e passou por baixo da mão do guarda-redes em voo, Orjan Nyland, restabelecendo o 1-1.
Foi o 34.º golo de Hussein pela seleção, incluindo o tento da vitória sobre a Bolívia, em abril, no último jogo de qualificação para o Mundial, que deu ao Iraque a última vaga no lote de 48 equipas.
“É um motivo de orgulho voltar ao Mundial passados 40 anos. Perder 4-1 dói”, admitiu o defesa iraquiano Hussein Ali.