Espanha, vista como uma das favoritas ao título, dececionou no arranque frente a Cabo Verde, empatando 0-0, com a estrela da La Roja Lamine Yamal ainda lesionado
O Mundial de futebol leva quase uma semana de competição e a maioria das 48 seleções presentes nesta edição alargada do torneio já fez a sua estreia.
A fase de grupos é decisiva para definir o rumo da prova, com todas as principais seleções a quererem impor-se cedo e ultrapassar sem dificuldades os adversários, para garantirem um lugar na fase a eliminar.
Ainda assim, e fiel à tradição, o torneio já trouxe alguma emoção, com várias equipas teoricamente favoritas a sentirem dificuldades para dominar jogos que, no papel, pareciam acessíveis.
Segue-se um resumo de todos os encontros disputados na terça-feira e na madrugada de quarta-feira.
Suécia - Tunísia
A seleção escandinava, de amarelo, entrou em campo para o jogo do grupo F com a Tunísia num encontro que se previa equilibrado. Mas, numa exibição convincente, a Suécia conseguiu impor-se e transformar uma partida que parecia encaminhada para o empate numa vitória clara.
O médio sueco Yasin Ayari inaugurou cedo o marcador para o seu país, dando vantagem à equipa quando ainda não tinham decorrido 10 minutos.
Um golo do avançado do Liverpool Alexander Isak, aos 30 minutos, mudou o rumo do jogo, que até então tinha sido dominado, pelo menos nas estatísticas, pela Tunísia, em posse de bola, passes e ocasiões criadas.
A vantagem confortável, porém, não durou muito, já que a seleção norte-africana encontrou o caminho para o golo através do defesa do esloveno NK Maribor, Omar Rekik, que aos 43 minutos reduziu para 2-1, poucos instantes antes do intervalo.
A segunda parte parecia encaminhar-se no mesmo sentido, com cerca de 15 minutos sem grandes oportunidades para qualquer um dos lados, apesar das tentativas para ultrapassar defesas bem organizadas.
Mas o jogo começou rapidamente a inclinar-se para o lado da Suécia, que utiliza um sistema pouco habitual com dois avançados, para tirar partido do talento de Isak e de Viktor Gyokerres, do Arsenal.
Gyokeres voltou a colocar a seleção confortavelmente na frente ao marcar aos 59 minutos, fazendo o 3-1.
O quarto golo só surgiu aos 84 minutos, quando o médio do VfL Wolfsburgo Mattias Svanberg fez o 4-1.
A Tunísia ainda tentou reduzir e evitar uma diferença pesada de golos, que pode ser decisiva em caso de igualdade pontual após os três jogos da fase de grupos.
Mas a seleção norte-africana não conseguiu aguentar e ainda sofreu mais um, já nos descontos, com Ayari a bisar aos 96 minutos.
Espanha - Cabo Verde
Muitos aguardavam a estreia de Espanha no Mundial para perceber em que forma se encontra uma das seleções apontadas à conquista do título.
Espanha entrou no primeiro jogo sem o avançado estrela Lamine Yamal, que viajou com a equipa mas continua lesionado. Espera-se que possa regressar à equipa já no próximo encontro ou, no limite, no último jogo da fase de grupos.
O encontro terminou 0-0, apesar de Espanha, fiel ao estilo tiki-taka, ter dominado a posse de bola, com perto de 70%, e registado quase duas dezenas de remates ao longo dos 90 minutos.
No fim, a campeã do mundo de 2010 e atual campeã da Europa não conseguiu marcar na estreia e deixou escapar dois pontos importantes, num jogo que muitos antecipavam como sendo de goleada.
Egito - Bélgica
Este encontro acabou por surpreender muitos adeptos, ao revelar-se bastante equilibrado, apesar de, no papel, a Bélgica surgir como a equipa mais forte.
O Egito conseguiu discutir o jogo com os Diabos Vermelhos, que se viram numa situação inesperada, a correr atrás do resultado durante grande parte do tempo.
Emam Ashour, do Al Ahly, inaugurou o marcador para o Egito aos 20 minutos, com um remate forte para o canto inferior esquerdo que surpreendeu o guarda-redes do Real Madrid Thibaut Courtois.
As duas seleções dispuseram de várias oportunidades na primeira parte, mas a Bélgica não conseguiu empatar e o Egito desperdiçou pelo menos duas ocasiões claras para ampliar a vantagem.
Os Diabos Vermelhos restabeleceram a igualdade não muito depois do recomeço, quando o selecionador Rudi Garcia lançou o experiente avançado Romelu Lukaku. O belga forçou o erro da defesa egípcia, que acabou por fazer autogolo aos 66 minutos ao tentar afastar uma bola colocada na área.
A Bélgica vinha de uma exibição dominante, depois de ter goleado confortavelmente a Tunísia por 5-0 num particular disputado uma semana antes.
Arábia Saudita - Uruguai
Maxi Araújo deu finalmente razões para festejar à maioria dos adeptos uruguaios presentes no sul da Flórida, ao marcar o golo do empate já perto do fim, na estreia do Uruguai no Mundial frente à Arábia Saudita, na segunda-feira.
A seleção celeste salvou um ponto, mas saiu longe de satisfeita com o resultado.
“Deitámos isto a perder. Temos de ser honestos”, admitiu em espanhol o médio do Real Madrid Federico Valverde, depois do 1-1 em que a sua equipa compensou uma primeira parte apagada com o controlo do jogo na segunda.
A Celeste dominou a posse de bola e somou 29 remates contra apenas sete da Arábia Saudita, mas esteve em desvantagem até à parte final da segunda metade.
Abdulelah Al-Amri marcou na recarga aos 41 minutos para a Arábia Saudita, e Araújo fez o empate aos 80, rematando à queima-roupa, na sequência de um ressalto, para lá do guarda-redes Mohammed Al-Owais.
Irão - Nova Zelândia
O último jogo do dia no torneio norte-americano terminou também empatado, com o Irão a recuperar duas vezes num encontro em que a Nova Zelândia esteve sempre ligeiramente por cima.
Elijah Just inaugurou o marcador aos 7 minutos, mas a festa durou pouco, já que Ramin Rezaeian restabeleceu a igualdade para o Irão aos 32, levando o jogo empatado para o intervalo.
Just voltou a encontrar o caminho da baliza logo aos 10 minutos da segunda parte. O Irão, contudo, manteve-se determinado e voltou a empatar dez minutos depois, quando Mohammad Mohebi, extremo da equipa russa do Rostov, marcou aos 64 minutos.