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UE debate apoio financeiro extra a Espanha após crise de migrantes em Ceuta

Migrante ferido que entrou em Espanha regressa a Marrocos com ajuda de um soldado espanhol da cidade autónoma de Ceuta, 1 de agosto de 2026
Migrante ferido que entrou em Espanha regressa a Marrocos com ajuda de militar espanhol do enclave espanhol de Ceuta, 1 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP
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De Angela Skujins
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A Comissão Europeia está a negociar com responsáveis espanhóis um novo apoio financeiro para reforçar o controlo fronteiriço e a ajuda humanitária, numa altura em que Ceuta enfrenta as consequências de uma vaga inédita de chegadas de migrantes.

O porta-voz da Comissão Europeia, Guillaume Mercier, confirmou na quinta‑feira que as discussões entre Espanha e Bruxelas decorrem “a toda a velocidade” sobre apoio financeiro adicional a Ceuta, depois de 72 mil pessoas terem invadido o exclave espanhol a partir de Marrocos, na semana passada.

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Respondendo a uma pergunta da Euronews, Mercier afirmou que o executivo da UE recebeu na quarta‑feira a primeira avaliação de necessidades apresentada por Espanha.

As discussões técnicas decorreram no início da semana e Bruxelas está agora a analisar essa avaliação. “Depois, o passo seguinte será Espanha apresentar um pedido e submetê-lo formalmente à Comissão”, disse.

O novo financiamento poderá cobrir meios e serviços de gestão de fronteiras, bem como assistência humanitária e médica às pessoas em Ceuta, tendo Mercier explicado que Bruxelas vê necessidade de apoio adicional “face à situação atual”.

Na prática, os fundos poderão ser usados em abrigos temporários, alimentação, assistência médica, equipas de emergência e outras formas de apoio humanitário, dependendo do pedido espanhol.

O pedido ainda não foi finalizado, nem foi definido o montante de financiamento solicitado.

Responsáveis espanhóis indicaram na segunda‑feira que 70 mil pessoas já regressaram a Marrocos após o episódio mortal da semana passada, que causou pelo menos 88 mortos.

Apesar disso, até 5 mil pessoas, incluindo 860 menores não acompanhados, permanecem na cidade, segundo Juan Vivas, presidente de Ceuta.

A organização não-governamental Luna Blanca distribuiu mais de 12 mil refeições a migrantes em Ceuta nos últimos dias. O presidente da Luna Blanca, Mustafa Abdelcader, disse à Euronewsque “as instituições não estão preparadas para lidar com” este tipo de crise.

“Estamos a falar de uma chegada de cerca de 60 mil ou 70 000 mil”, afirmou, acrescentando: “estamos quase ao nível da população da cidade.”

Uma assistente social da organização disse que as crianças chegam com insolação e sofrem de fome.

Na sequência de uma reunião extraordinária convocada na terça‑feira para discutir a crise migratória, o comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, confirmou que o atual orçamento de longo prazo, conhecido como Quadro Financeiro Plurianual, dispõe de verbas para Espanha e Ceuta.

“Espanha recebeu uma dotação adicional de 114 milhões de euros em assistência de emergência”, afirmou.

“Isto inclui cerca de 28 milhões de euros para reforçar ainda mais os sistemas de acolhimento, asilo e retorno em Ceuta, pelo que é sobretudo aí utilizado.”

No final da reunião de terça‑feira, que muitos diplomatas da UE esperavam que fosse agitada, Brunner reiterou que a Europa está lado a lado com Espanha. Se isto foi um “teste” à resiliência da UE, o bloco sobreviveu, afirmou.

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