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Boeing, Médio Oriente digital e privacidade de dados

Boeing, Médio Oriente digital e privacidade de dados
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Regresso dos Boeing

Em Seattle está sediado aquele que tem sido chamado o estacionamento mais caro do mundo: a fábrica da Boeing, com dezenas de aviões parados.

Um cenário só possível depois de dois acidentes fatais, um com a Lion Air, na Indonésia, em outubro do ano passado, e outro, com Ethiopian Airlines, cinco meses depois.

Alguns analistas afirmaram então que o gigante da aviação era grande demais para tombar.

Recentemente a Boeing anunciou pagar uma indemnização de 4 mil e 300 milhões de euros, no segundo trimestre deste ano, para compensar, pelo menos em parte, as companhias aéreas com aviões Max aterrados.

Acho que perceberam que o mundo atribui à Boeing muita responsabilidade pelo que aconteceu. E agora, finalmente, a empresa deu um passo proativo e decidiu pagar, sem que isso lhe seja imposto.
Seth Kaplan, analista na área dos transportes

Apesar do impacto sofrido, com uma redução de modelos fabricados, estima-se que a Boeing aumente a produção de 737, no final do ano, notícia que já fez subir em 2% a quotação da empresa em bolsa

Mas, embora se espere que o modelo Max torne a operar no quarto trimestre deste ano, ainda terá de ser aprovado por órgãos reguladores em todo o mundo, antes de voltar aos céus.

Liderança no Médio Oriente digital

O caminho para uma sociedade totalmente digital nem sempre é fácil. De acordo com o relatório "The Pulse", quase setenta por cento dos executivos seniores, no Médio Oriente, consideram que a digitalização e a cibersegurança são os maiores obstáculos aos negócios. O que podem, então, as organizações fazer para enfrentar esses desafios?
Para descobrir, conversámos com Alya Al Zarouni, do Centro Financeiro Internacional do Dubai (DIFC).

Rebecca McLaughlin Eastham, Euronews: Quais foram as principais descobertas do relatório?
Alya Al Zarouni: As principais descobertas no relatório de políticas, que é um relatório que analisa a atitude dos líderes séniores em relação à aprendizagem e ao desenvolvimento corporativo, é que a cibersegurança, os megadados e a digitalização, ou a transformação digital estão hoje no topo das prioridades da liderança sénior. em todo o mundo. Mas na verdade, muito mais no Médio Oriente, o que é surpreendente. A outra conclusão é que a educação executiva ainda é uma prioridade.
As organizações acreditam que quem ensina precisa de se reinventar, reinventar os programas educativos para garantir que correspondem às necessidades atuais e futuras dessas organizações. Portanto, ainda há muito trabalho por fazer.

RME:O estudo fala sobre os desafios que os líderes estão a enfrentar em todo o Médio Oriente. Mas olhando especificamente para os Emirados Árabes Unidos. Qual é o ponto de situação?

AAZ: É realmente necessário que se desenvolvam mais rápido. E uma das razões é que estão muito aquém relativamente à transformação digital.

É claro que, quando há mais sistemas, há mais dados na Internet em nuvens e servidores, e a cibersegurança torna-se num problema. É preciso proteger os dados.

RME: Como estão os Emirados Árabes Unidos em relação ao resto da região?

AAZ: Creio que os Emirados Árabes Unidos foram capazes de perceber a importância do que descobrimos com o relatório, no que diz respeito a cibersegurança, privacidade de dados e digitalização, há já muitos anos.
No Dubai, temos as regulamentações de segurança da informação e entidades governamentais que são obrigadas a cumprir determinados requisitos para garantir que os dados são protegidos no Dubai.

As maiores prioridades para os líderes empresariais do Médio Oriente, relativamente a necessidades de educação executiva são: a mudança cultural (59%), criar uma cultura de inovação (55%) e adotar novas tecnologias (55%).
Relatório "Pulse"

RME: Quais são as principais conclusões do relatório Pulse?

AAZ: É necessário trabalhar muito na aprendizagem e no desenvolvimento dos trabalhadores, uma vez que ter todo o controlo do sistema de cibersegurança não terá qualquer benefício se a equipa não estiver atenta, ou não souber como agir perante uma situação real.

É muito importante que uma organização seja sustentável para crescer e avançar, mas o capital humano é igualmente importante.
As pessoas podem realmente aprender umas com as outras. Vemos isso no nosso centro financeiro, onde a equipa interna está a formar outros funcionários. Também temos formação no trabalho. Há também uma orientação que acrescenta muito valor para ajudá-los a crescer dentro da organização.
E há ainda o e-learning, que se está a tornar cada vez mais avançado, de dia para dia. Toda esta formação está a ter um bom resultado.

RME: Já trabalhou em programação informática. Diga-me: como é que isso aconteceu? Que desafios são impostos às mulheres pelo setor de tecnologia?

AAZ: Trabalhei em programação durante três anos, apesar de, na altura, odiar, mas acabou por me dar uma vantagem e me ajudar muito a crescer dentro do DIFC, porque tudo o que fazemos hoje é implica automação, em todos os departamentos. Portanto, ser programadora ajudou-me a estruturar esses processos.
Quando entrei para as tecnologias de informação, há muitos anos, era realmente um campo ou uma carreira dominada por homens. Mas hoje, especialmente nos Emirados Árabes Unidos, podemos ver muitas mulheres à frente de departamentos de tecnologias de informação, o que é muito interessante.

Privacidade de dados

A privacidade de dados tornou-se uma questão importante nos últimos anos. Mas, em que ponto é que as empresas passam do limite ao recolher informações pessoais? Na cimeira "AI Everything", Jonathan Lacoste, cofundador da Jebbit, esteve à conversa com a Euronews para nos falar sobre a privacidade de dados no mundo atual.

Torna-se muito complicado sabermos quem é o controlador e quem é o processador.
Jonathan Lacoste, cofundador da Jebbit

James O'Hagan, Euronews: Qual é o propósito da Jebbit?

Jonathan Lacoste: A ideia da Jebbit é que, no marketing digital, em todos os sites que visitamos, em todos os e-mails que lemos, o mundo está a tentar tornar-se mais personalizado, e nós queremos entendê-lo melhor.

Mas os dados que os profissionais de marketing estão a usar para isso são os chamados dados comportamentais e dados transacionais. Basicamente, estamos a analisar tudo o que visitou, tudo o que comprou para tentar prever em que é que poderá estar interessado.

E a Jebbit usa a abordagem de simplesmente lhe perguntarmos. Por que é que não nos envolvemos numa conversa? Desta forma, criámos uma tecnologia para permitir que os profissionais de marketing façam isso e, em seguida, usamos esses dados para informar sobre a estratégia de personalização que usam.

JOH: Que considerações éticas têm em conta?

JL: Essa é a questão central. Uma empresa de tecnologia está a recolher consentimento quando acede a um site, mas depois passam-no para outras três tecnologias de publicidade e marketing que o usam para lhe enviar aquele e-mail relevante, ou anúncio personalizado.

Isso implica frequentemente uma interação de dezenas de empresas no processo. Torna-se muito complicado sabermos quem é o controlador e quem é o processador.

JOH: Que aplicações de tecnologia estão prestes a tornar-se conhecidas ou que o estão a entusiasmar mais?

JL: No marketing há muito poucas aplicações de Inteligência Artificial a ganhar escala. Como consumidor, estou particularmente animado sobre os avanços na condução de veículos autónomos e a Tesla, em particular, assumiu a liderança. Elon Musk anunciou há pouco tempo que, até o final do próximo ano, eles terão uma frota inteira de táxis robôs capazes de saber quando estaciona o seu Tesla para ir trabalhar e necessita de transporte.

E cada vez que oiço falar da Tesla, ou leio mais sobre Inteligência Artificial que permite isso, é impressionante ver como aquela empresa é capaz de enviar atualizações de software para um carro, melhorando o sistema continuamente, por oposição a comprar um carro e vê-lo a perder valor, ao longo do tempo.

Portanto, acho que há muito espaço para inovação na indústria automóvel e estamos apenas a começar.