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Anthropic admite que modelo de IA mais avançado invadiu sistemas durante testes

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ARQUIVO - Páginas do site da Anthropic e o logótipo da empresa exibidos num ecrã de computador em Nova Iorque, 26 de fevereiro de 2026
Arquivo – Páginas do site da Anthropic e o logótipo da empresa são mostrados num ecrã de computador em Nova Iorque, 26 de fevereiro de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Malek Fouda
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O anúncio surge poucos dias depois de a rival OpenAI ter revelado que o seu modelo de IA mais avançado, utilizado na popular plataforma ChatGPT, saiu do controlo durante testes, infiltrando-se também nos sistemas de outras organizações.

Modelos de inteligência artificial (IA) da Anthropic conseguiram "aceder de forma não autorizada" a três organizações externas durante testes que deveriam mantê-los afastados de sistemas do "mundo real", informou a empresa esta quinta-feira.

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O anúncio surge poucos dias depois de a rival OpenAI ter revelado, pela primeira vez, que os seus modelos acederam indevidamente à internet e perderam o controlo durante testes de segurança.

A Anthropic avaliou mais de 141 mil "execuções de teste" e concluiu que três versões diferentes do seu modelo, conhecido como Claude, acederam indevidamente aos sistemas de três organizações, que não foram identificadas.

ARQUIVO – Dario Amodei, diretor executivo e cofundador da Anthropic, intervém num painel durante o encontro da Rede Internacional de Institutos de Segurança em IA, em São Francisco, 20 de novembro de 2024
ARQUIVO – Dario Amodei, diretor executivo e cofundador da Anthropic, intervém num painel durante o encontro da Rede Internacional de Institutos de Segurança em IA, em São Francisco, 20 de novembro de 2024 Jeff Chiu/Copyright 2024 The AP. All rights reserved

Ao contrário do incidente envolvendo a tecnologia da OpenAI, os modelos da Anthropic tiveram acesso à internet "devido a um mal-entendido entre nós e o nosso parceiro de avaliação", chamado Irregular, indicou a empresa numa publicação.

Ainda assim, o Claude recorreu a "técnicas básicas, como explorar palavras-passe fracas e pontos de acesso não autenticados", acrescentou.

Entre os modelos envolvidos estava um dos mais potentes, conhecido como Mythos 5, que apenas foi disponibilizado a um número limitado de parceiros aprovados.

A Anthropic está a trabalhar com a Irregular para avaliar a situação e já contactou, ou tentou contactar, as três organizações afetadas, adiantou a empresa.

Sistemas fora de controlo

A OpenAI e a Anthropic lançaram este ano os seus modelos mais avançados, designados Sol e Mythos, respetivamente, aumentando as preocupações no setor relativamente à segurança.

As preocupações abrangem também os chamados agentes de IA, produtos de software concebidos para executar tarefas de forma autónoma.

Na semana passada, a OpenAI reconheceu que os seus modelos ultrapassaram o ambiente confinado durante os testes, acederam à internet e infiltraram a plataforma Hugging Face, um site onde os programadores armazenam e partilham código.

ARQUIVO – Sam Altman, ao centro, e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, à direita, chegam ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Oakland, Califórnia, 30 de abril de 2026
ARQUIVO – Sam Altman, ao centro, e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, à direita, chegam ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Oakland, Califórnia, 30 de abril de 2026 Godofredo A. Vasquez/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

Dias depois, a OpenAI informou ter identificado mais três incidentes.

O diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou num podcast esta semana que a empresa tinha "pausado" os seus próprios testes após o incidente, enquanto reforçava a segurança em torno do "sandboxing", o processo de isolamento de software num ambiente controlado para testes.

O incidente motivou também uma petição assinada por mais de mil trabalhadores de empresas de IA de ponta, que apela ao Governo dos EUA para que ajude a abrandar o lançamento dos modelos de IA mais avançados. Entre os signatários está o diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei.

Pessoas participam numa marcha de protesto contra a abertura de centros de dados de IA, em Vancouver, na Colúmbia Britânica, a 27 de junho de 2026
Pessoas participam numa marcha de protesto contra a abertura de centros de dados de IA, em Vancouver, na Colúmbia Britânica, a 27 de junho de 2026 Darryl Dyck/Darryl Dyck/The Canadian Press via AP

Intitulada "Pacing the Frontier", a petição pede "que o Governo dos EUA apoie um esforço internacional para desenvolver as ferramentas técnicas e de governação necessárias para controlar deliberadamente o avanço da fronteira do desenvolvimento automatizado de IA".

Altman não assinou a petição, mas sugeriu, no podcast, que o setor tecnológico poderá ter de abrandar o desenvolvimento de modelos avançados.

"Podemos ter de controlar o ritmo de desenvolvimento da IA para nos darmos tempo suficiente para que a sociedade consiga adaptar-se a alguns destes novos níveis de capacidades", afirmou Altman.

ARQUIVO - O Presidente dos EUA, Donald Trump, reúne-se com Sam Altman, da OpenAI, e Demis Hassabis, da Google, durante a cimeira do G7, a 17 de junho de 2026, em França
ARQUIVO - O Presidente dos EUA, Donald Trump, reúne-se com Sam Altman, da OpenAI, e Demis Hassabis, da Google, durante a cimeira do G7, a 17 de junho de 2026, em França Julia Demaree Nikhinson/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.

No início deste ano, a administração Trump invocou preocupações de segurança nacional para impedir a OpenAI e a Anthropic de lançarem os seus modelos mais recentes, mas acabou por considerar suficientes as garantias apresentadas sobre a sua segurança, permitindo o lançamento.

Em junho, Trump assinou um decreto executivo que cria um quadro voluntário segundo o qual os desenvolvedores de IA irão partilhar modelos avançados com o Governo antes do lançamento público.

Ao abrigo desse quadro, empresas como a OpenAI, a Anthropic e a Google dariam ao Governo acesso aos seus modelos mais poderosos durante até 30 dias antes da data prevista para o lançamento.

Outras fontes • AFP

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