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Estados Unidos deportam 25.000 pessoas para países terceiros em acordos secretos, revela relatório

Pessoas deportadas dos EUA aguardam num centro de triagem na Cidade da Guatemala, 21 de agosto de 2026
Pessoas deportadas dos EUA aguardam num centro de triagem na Cidade da Guatemala, 21 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Desde que o presidente norte-americano Donald Trump tomou posse em janeiro de 2025, Washington tem firmado acordos com países em desenvolvimento para receber migrantes que não podem ser repatriados legalmente.

Os Estados Unidos já deportaram mais de 25.000 pessoas ao abrigo de acordos sigilosos com 35 países, que aceitam migrantes sem qualquer ligação a esses Estados, segundo uma investigação divulgada esta segunda‑feira.

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Desde que o presidente norte‑americano Donald Trump tomou posse, em janeiro de 2025, Washington tem vindo a assinar acordos com países em desenvolvimento para receber migrantes que não podem ser legalmente repatriados.

Uma investigação da Forbidden Stories concluiu que a administração reservou 410 milhões de dólares (357 milhões de euros) para serem pagos diretamente aos países de destino ou a agências da ONU, a fim de facilitar os regressos.

De acordo com dados compilados pela Forbidden Stories com um consórcio de jornalistas internacionais, pelo menos 25.447 pessoas já tinham sido deportadas para países terceiros até 31 de agosto de 2026.

A grande maioria, cerca de 20.000, foi enviada para o México, enquanto as restantes foram dispersas por outros 27 países na América Latina, África e Pacífico, estando já concluídos acordos com mais sete Estados.

Os acordos diferem entre si, incluindo quanto às nacionalidades que podem ser deportadas e à aceitação ou não de pessoas com registo criminal.

Uma investigação da agência de notícias AFP, realizada no início do ano, concluiu que Washington recorre a proibições e restrições de vistos a países africanos para os pressionar a aceitar deportados.

Advogados disseram à AFP que os deportados estão a ser lançados num “buraco negro jurídico”, detidos sem acusação em países onde não têm qualquer ligação e onde dispõem de poucos, se é que de algum, direitos.

A Forbidden Stories afirmou que 49 dos 54 países africanos foram sondados sobre a possibilidade de receber deportados provenientes de terceiros países.

Uma divisão pouco conhecida do Departamento de Estado, o Gabinete de Remigração, criada em maio de 2025, tem conduzido a maioria das negociações e dos pagamentos, segundo a Forbidden Stories.

O gabinete é dirigido por Christian Jove Ehrhardt, diplomata de 41 anos que anteriormente trabalhou como responsável de segurança.

O relatório descreve as visitas que efetuou aos Camarões, que em dezembro assinaram um memorando de entendimento com os EUA sobre a aceitação de deportados. Uma semana depois, o país firmou também um programa de assistência na área da saúde, com duração de cinco anos, avaliado em quase 400 milhões de dólares (348 milhões de euros).

Migrante algemado aguarda antes de ser deportado por agentes do ICE em McAllen, 13 de março de 2026
Migrante algemado aguarda antes de ser deportado por agentes do ICE em McAllen, 13 de março de 2026 AP Photo

No mês seguinte, o Departamento de Estado anunciou que iria disponibilizar mais 30 milhões de dólares (26 milhões de euros) à Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) nos Camarões, para “facilitar o regresso voluntário de refugiados e combater a imigração ilegal”.

O primeiro avião com deportados chegou aos Camarões a 14 de janeiro.

Pagamentos

Outros acordos preveem pagamentos diretos aos governos.

Palau, pequeno Estado insular do Pacífico com menos de 18.000 habitantes, assinou em dezembro de 2025 um acordo para receber até 75 nacionais de países terceiros em troca de 7,5 milhões de dólares (6,5 milhões de euros).

Até agora, contudo, apenas três pessoas foram enviadas ao abrigo desse acordo.

A Essuatíni, chegaram 32 pessoas desde julho de 2025, de um máximo de 160 previsto num acordo superior a 5 milhões de dólares (4 milhõ es de euros). Segundo a investigação, o país aceitou deportados com antecedentes criminais.

Dos 410 milhões de dólares previstos para os acordos, documentos internos do Departamento de Estado indicam que 81 milhões (70 milhões de euros) estavam reservados para os governos signatários.

Grupo de migrantes sem documentação é deportado por agentes do ICE através da ponte internacional McAllen–Hidalgo–Reynosa, em McAllen, 13 de março de 2026
Grupo de migrantes sem documentação é deportado por agentes do ICE através da ponte internacional McAllen–Hidalgo–Reynosa, em McAllen, 13 de março de 2026 AP Photo

O restante destinava‑se a organizações de ajuda humanitária, incluindo mais de 178 milhões de dólares (155 milhões de euros) para a Organização Internacional para as Migrações da ONU e 123 milhões (107 milhões de euros) para o ACNUR.

As agências têm sido alvo de críticas pela sua participação, embora o ACNUR tenha dito à Forbidden Stories que não é parte nos acordos bilaterais e que o financiamento norte‑americano está a ser utilizado em conformidade com o seu mandato de reforçar os sistemas de asilo.

“As decisões da organização de aceitar financiamento assentam ‘numa única questão: saber se o nosso envolvimento vai melhorar a vida dos migrantes afetados. Nestes casos, acreditamos firmemente que sim’”, afirmou um porta‑voz da OIM à Forbidden Stories.

Outras fontes • AFP

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