Com a guerra no Médio Oriente a perturbar o abastecimento mundial de petróleo e a fazer disparar os custos de refinação, o preço do gasóleo em França atingiu máximos históricos, ficando entre os mais elevados da UE.
Os preços do gasóleo em França atingiram novo máximo de 2,41 € por litro no domingo, segundo uma análise da AFP, após os preços da gasolina e do gasóleo na UE terem atingido máximos históricos na semana passada, de acordo com a Comissão Europeia.
Os preços nos postos têm vindo a disparar em todo o mundo desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram, em fevereiro, a guerra com o Irão, numa altura em que o conflito voltou a agravar‑se no Iémen e se intensificaram os ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, acentuando ainda mais a recente subida.
A agência noticiosa calculou o preço médio às 10h30 (CEST), com base nos valores apresentados por mais de 8.700 postos de abastecimento no sítio do Ministério da Economia, tendo o resultado superado o recorde anterior, estabelecido na véspera.
Com mais de 2,17 € por litro na manhã de domingo, segundo preços comunicados por mais de 6 700 postos, a SP95-E10 – o combustível mais vendido em França – mantinha‑se acima do máximo de 2022 há mais de dez dias.
A SP98 ultrapassou igualmente uma média de 2,28 € no domingo, com base em preços reportados por mais de 6.800 postos de abastecimento.
No conjunto do bloco, França continuou entre os países com combustíveis mais caros na última semana. Contudo, o preço médio do gasóleo era de 2,29 € em 14 de setembro, data utilizada na divulgação semanal de dados da Comissão Europeia. Na altura, os países com preços mais elevados incluíam a Alemanha, os Países Baixos, a Dinamarca e a Finlândia, tanto para gasolina como para gasóleo.
A 14 de setembro, um litro de gasolina custava uma média ponderada de 2,063 € na UE, enquanto o gasóleo atingia 2,159 € por litro. Ambos os valores são os mais elevados na série estatística da Comissão, iniciada em 2005. O anterior pico da gasolina foi registado em 2022, ao passo que o gasóleo só se tinha aproximado do nível atual em abril deste ano.
As subidas têm alimentado tensões sociais em muitos países, com o governo francês a recear uma repetição dos chamados protestos dos “coletes amarelos”, iniciados em 2018 na sequência de aumentos dos preços dos combustíveis.
Embora o preço do crude, que disparou cerca de um quinto em setembro, tenha recuado nos últimos três dias, o Brent, referência internacional, continua acima dos 100 dólares por barril.
Mas o preço do crude é apenas parte do problema. As margens de refinação europeias, isto é, a diferença entre o custo do crude e o valor grossista dos produtos refinados, mantêm‑se também muito elevadas. Embora as margens da gasolina possam já ter atingido o pico, prevê‑se que as margens do gasóleo subam ainda mais.
Especialistas do BCE disseram à Euronews na sexta‑feira: “Perante a evolução esperada, com base nos futuros de gasóleo refinado da LSEG de 16 de setembro, a margem do gasóleo deverá atingir o pico em outubro. Com base nos futuros de gasolina refinada da LSEG de 16 de setembro, as margens da gasolina atingiram o máximo em agosto.”
Acrescentaram que o fim do conflito no Médio Oriente e a normalização dos fluxos de energia e de refinação seriam fundamentais para fazer descer os preços.