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Imagens de passaportes falsos dão a entender que Zelenskyy e a sua família escolheram Israel como pátria

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Volodymyr Zelenskyy e a mulher, Olena Zelenska, levam velas para homenagear as vítimas da ocupação russa num memorial em Bucha.
Volodymyr Zelenskyy e a mulher, Olena Zelenska, levam velas para homenagear as vítimas da ocupação russa num memorial em Bucha Direitos de autor  Volodymyr Petrov, Ukrainian Presidential Press Office via AP
Direitos de autor Volodymyr Petrov, Ukrainian Presidential Press Office via AP
De Inês Trindade Pereira
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Uma fotografia que tem vindo a acumular milhares de visualizações nas redes sociais supostamente mostra uma digitalização do passaporte de Zelenskyy, onde Israel figura como o seu país de origem. Não só estas alegações são falsas, como também têm vindo a circular desde 2023.

Uma fotografia falsa que circula na Internet, na qual aparecem dois supostos passaportes israelitas pertencentes a Volodymyr Zelenskyy e à sua esposa, Olena Zelenska, sugere alegadamente que o presidente ucraniano e a sua família escolheram Israel como pátria, em vez da Ucrânia.

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A publicação no Facebook foi partilhada no início de setembro, acompanhada da seguinte legenda: "Podem distorcer isto como quiserem, mas acabamos sempre por chegar à mesma conclusão: Zelenskyy e a sua família têm uma pátria de eleição que o inspira, protege e apoia em tudo o que faz, e essa pátria não é, certamente, a Ucrânia. Isto é do conhecimento geral, tal como é do conhecimento geral quem são os seus apoiantes no topo do sistema ucraniano, mas as pessoas preferem fechar os olhos para não incomodar aqueles que puxam os cordelinhos. Shalom."

Publicação com os falsos passaportes do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e da primeira-dama, Olena Zelenska
Publicação com os falsos passaportes do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e da primeira-dama, Olena Zelenska Euronews

Não há qualquer verdade por trás destas alegações. "O Cubo", a equipa de verificação de factos da Euronews, contactou fontes oficiais ucranianas que as negaram.

Além disso, os titulares de cargos públicos na Ucrânia não estão autorizados a possuir múltiplas nacionalidades, ao contrário dos cidadãos comuns, nos termos de uma lei recente que entrou oficialmente em vigor em janeiro deste ano.

Além disso, o passaporte falso referente a Zelenska indica a República Socialista Soviética da Ucrânia como o seu local de nascimento. Esta informação está incorreta, uma vez que os documentos de identidade oficiais emitidos para indivíduos nascidos na Ucrânia antes da independência indicam habitualmente a Ucrânia, em vez da extinta República Socialista Soviética da Ucrânia, que foi uma das repúblicas constituintes da União Soviética de 1922 a 1991.

"O Cubo", a equipa de verificação de factos da Euronews, também submeteu a imagem ao detetor de imagens "Hive Moderation", que revelou que se tratava de uma imagem gerada por IA.

O passaporte falso parece ter sido criado com base num modelo publicado no site do Conselho da Europa.

Passaportes falsos de Zelenskyy voltaram a surgir

Não é a primeira vez que circulam na Internet passaportes falsos atribuídos a Zelenskyy e Zelenska.

Em abril de 2026, uma imagem de um suposto passaporte israelita de Zelenskyy foi partilhada no Instagram, no X e no Facebook, acumulando milhares de visualizações, gostos e partilhas.

Imagem falsa de um alegado passaporte israelita de Zelenskyy
Imagem falsa de um alegado passaporte israelita de Zelenskyy Euronews

Estas publicações alegavam que o presidente ucraniano era um agente dos serviços secretos de Israel, cuja principal missão era "ucranizar a Europa e conduzi-la à sua própria autodestruição".

Para além de uma parte significativa do passaporte ter sido recortada na imagem, existe um erro ortográfico no nome de Zelenskyy.

De acordo com o site oficialdo presidente, o seu apelido é escrito como "Zelenskyy" em inglês, e não "Zelensky", como indica o suposto passaporte.

Na verdade, as notícias sobre o suposto passaporte de Zelenskyy e Zelenska têm vindo a circular pelo menos desde 2023.

Por exemplo, uma fotografia da primeira-dama foi partilhada em canais pró-russos e em várias publicações no Facebook.

Numa dessas publicações, a legenda dizia: "Enquanto o presidente ucraniano Zelensky viaja pelo mundo a implorar por dinheiro e armas para a sua guerra, a sua esposa passou umas férias maravilhosas em Israel e chegou mesmo a obter um passaporte israelita. Curiosamente, estará a Sra. Zelensky a preparar-se para uma possível fuga da Ucrânia?"

Todas estas publicações seguem o mesmo guião: utilizar um passaporte gerado por IA para inventar um escândalo com alguns elementos reais, com o objetivo de atacar a Ucrânia e minar o apoio dos seus aliados, enquanto a guerra da Rússia contra o país continua.

Estas técnicas são táticas comuns utilizadas pelas redes pró-russas nas suas campanhas de desinformação.

As publicações sobre os alegados passaportes israelitas estão em contradição com uma das supostas justificações do presidente russo Vladimir Putin para a sua invasão em grande escala: quando esta teve início em fevereiro de 2022, Putin comprometeu-se a supervisionar a "desmilitarização e desnazificação" da Ucrânia.

No entanto, como neto de um sobrevivente do Holocausto, Zelenskyy tem origens judaicas e já se pronunciou anteriormente sobre a série de ataques do Kremlin à sua origem religiosa.

"Como posso eu ser nazi?", disse Zelenskyy em 2022, pouco antes da invasão em grande escala, num discurso em vídeo dirigido ao povo russo, em língua russa. "Expliquem isso ao meu avô, que passou toda a guerra na infantaria do exército soviético e morreu com o posto de coronel numa Ucrânia independente."

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