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Cada vez mais politicos usam IA: Rússia divulgou selfie falsa de Putin

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Participantes do formato BRICS Plus Outreach posam para uma fotografia em Nova Deli, Índia, no domingo, 13 de setembro de 2026
Participantes do formato BRICS Plus Outreach posam para uma fotografia em Nova Deli, Índia, domingo, 13 de setembro de 2026 Direitos de autor  Alexander Kazakov, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Direitos de autor Alexander Kazakov, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
De Inês Trindade Pereira & Tamsin Paternoster
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A embaixada russa na África do Sul divulgou recentemente uma imagem gerada por IA com líderes dos BRICS. É parte de uma tendência crescente de figuras públicas e instituições usarem IA na comunicação, algo que investigadores dizem poder minar a confiança pública.

A embaixada russa na África do Sul partilhou uma fotografia que parece mostrar o presidente russo, Vladimir Putin, a tirar uma selfie de grupo com os dez líderes dos BRICS durante a cimeira de setembro.

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A 18.ª cimeira dos BRICS realizou-se em Nova Deli, na Índia, em 12 e 13 de setembro.

A conta verificada da rede X publicou a fotografia, que somou mais de 2 milhões de visualizações, acompanhada pela legenda “Os BRICS são uma superpotência”.

Mas esta selfie não é verdadeira.

Nenhuma organização noticiosa credível publicou a imagem como autêntica e o site oficial da cimeira também não a divulgou.

O Cubo, equipa de verificação de factos da Euronews, também a submeteu a detetores de imagens, que concluíram tratar-se de uma criação gerada por IA.

Por exemplo, ao analisar a imagem com ferramentas da OpenAI, o sistema indicou ter detetado “uma marca de água SynthID com origem na OpenAI”.

Captura de ecrã dos resultados da OpenAI
Captura de ecrã dos resultados da OpenAI Euronews

Além disso, o logótipo e o slogan oficiais dos BRICS Índia 2026 não coincidem com os que surgem na imagem gerada por IA.

O tema desta cimeira era “Construir resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade”, enquanto na imagem criada por IA se lê “Mais fortes juntos por um amanhã mais luminoso”.

Comparação lado a lado dos temas. À esquerda: imagem gerada por IA; à direita: imagem retirada do site oficial da cimeira dos BRICS
Comparação lado a lado dos temas. À esquerda: imagem gerada por IA; à direita: imagem retirada do site oficial da cimeira dos BRICS Euronews

Em momento algum a embaixada russa na África do Sul indica que a imagem foi criada com recurso a IA.

Fenómeno em crescimento entre políticos

Embora a imagem pareça inofensiva, torna-se cada vez mais comum políticos europeus e instituições públicas divulgarem imagens geradas por IA sem as identificarem como tal.

Por vezes são usadas com fins pouco transparentes e, muitas vezes, contribuem para minar a confiança do público.

Recentemente, o líder do partido português de extrema-direita Chega, André Ventura, publicou um vídeo gerado por IA de uma mulher com seis dedos, aparentemente para reforçar uma narrativa anti-imigração.

O vídeo mostra uma mulher de hijab que, alegadamente, olha de alto a baixo para uma mulher branca, sem hijab, vestida com um vestido curto, acompanhada pela legenda “se fosse ao contrário, seria racismo e xenofobia. Vêm para os nossos países... Porque não se habituam a respeitar os nossos valores?”.

Apesar de muitos comentários de utilizadores a dizer que o vídeo era claramente gerado por IA, Ventura não esclareceu que se tratava de conteúdo criado por IA e o vídeo continua ativo no seu perfil à data da publicação deste artigo.

O fenómeno de políticos recorrerem a conteúdos gerados por IA para promoverem as suas políticas não se limita à Europa: figuras de destaque, como o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, recorrem cada vez mais a imagens e vídeos criados por IA nas suas comunicações e nas redes sociais.

Quais são as consequências do uso de IA por políticos

Um estudo de 2026 da organização europeia sem fins lucrativos AI Forensics mostrou que a IA está a ser usada não só para criar imagens fotorrealistas, “mas também imagens estilizadas, de tipo cartoon, para reforçar mensagens‑chave de campanha, incluindo narrativas anti-imigração”.

A investigação, centrada nas eleições municipais francesas, concluiu que o recurso à IA é mais intenso entre partidos de direita e de extrema-direita e que a falta de transparência pode pôr em risco a confiança pública no processo eleitoral.

A maior parte do material analisado pelos investigadores não continha qualquer aviso explícito sobre o uso de IA, mesmo quando havia marcas de água.

Desde agosto deste ano, a Lei da IA da UE passou a exigir, em termos gerais, que conteúdos realistas gerados ou manipulados por IA sejam claramente identificados como tal.

“Os fornecedores de IA generativa têm de garantir que o conteúdo gerado por IA é identificável”, estabelece a lei. “Além disso, certos conteúdos gerados por IA devem ser claramente e visivelmente rotulados, nomeadamente deepfakes e textos publicados com o objetivo de informar o público sobre questões de interesse público”.

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