Loader
Encontra-nos
Publicidade

Marrocos elege novo parlamento entre esperança e receios com custo de vida

Uma mulher vota numa assembleia de voto em Rabat, Marrocos, em 23 de setembro de 2026.
Uma mulher deposita o boletim de voto numa assembleia de voto em Rabat, Marrocos, a 23 de setembro de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Mosa'ab Elshamy
Direitos de autor AP Photo/Mosa'ab Elshamy
De Mohamed Elashi
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Expectativas e receios sobre emprego, salários, serviços públicos e custo de vida marcam as legislativas em Marrocos, numa altura em que o país se prepara para o Mundial 2030.

Os marroquinos foram às urnas esta quarta-feira para eleger um novo parlamento, numa eleição marcada pelo agravamento de problemas, mas também pela esperança em melhores oportunidades geradas pela economia dinâmica do país.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O próximo governo ficará responsável pela preparação do Mundial de 2030, que Marrocos vai coorganizar com Espanha e Portugal, ao mesmo tempo que enfrenta pressão para responder a preocupações quotidianas com o desemprego e os baixos salários, bem como a problemas de habitação, escolas e hospitais.

As assembleias de voto em todo o reino norte-africano devem encerrar às 19h locais (20h em Lisboa), permitindo que quase 16 milhões de eleitores inscritos escolham os 395 deputados da Câmara dos Representantes.

Um total de 7.288 candidatos concorre, apoiados por 28 partidos e alianças ou presentes em duas listas independentes.

A votação vai determinar o próximo primeiro-ministro e a composição do governo, que irá governar ao lado de uma monarquia forte, detentora de amplos poderes sobre os grandes dossiers estratégicos.

A Constituição de Marrocos estabelece que o rei deve escolher o primeiro-ministro a partir do partido mais votado nas legislativas.

Como nenhum partido deverá conquistar maioria absoluta, o vencedor terá de formar um governo de coligação. As pastas são repartidas entre os aliados políticos, mas o palácio mantém tradicionalmente sob controlo real cargos-chave como a Defesa e os Negócios Estrangeiros.

Economia cresce, emprego escasseia

A economia marroquina está em crescimento e a atrair investimento estrangeiro, com novas indústrias a desenvolver-se. O país tornou-se também o destino mais visitado de África.

O reino é um aliado próximo dos Estados Unidos e mantém relações estreitas com várias capitais ocidentais. Integra o pequeno grupo de países árabes que têm relações diplomáticas com Israel.

Um eleitor analisa o boletim de voto durante as legislativas marroquinas, em Rabat.
Um eleitor analisa o boletim de voto durante as legislativas marroquinas, em Rabat. AP Photo/Mosa'ab Elshamy

Para lá dos palácios, mares e montanhas que atraem turistas de todo o mundo, o desenvolvimento continua desigual no país, o crescimento económico não cria empregos suficientes e 12,7% dos marroquinos vivem em situação de pobreza relativa.

Responsáveis políticos garantem ter ouvido estas queixas e apresentaram soluções nos programas eleitorais. Muitos jovens marroquinos, em particular, afirmam já ter ouvido promessas semelhantes no passado.

Quem são os principais concorrentes?

O governo cessante é uma coligação do Reagrupamento Nacional de Independentes (RNI), do Partido Autenticidade e Modernidade (PAM) e do Partido Istiqlal. Os três querem chegar em primeiro lugar.

O liberal e pró-empresas RNI venceu as eleições de 2021 e liderou o executivo nos últimos cinco anos. O primeiro-ministro Aziz Akhannouch demitiu-se da liderança do RNI em fevereiro e não concorre a um lugar parlamentar. Mohamed Chouki dirige agora o partido.

RNI e PAM prometeram criar cerca de 1 milhão de empregos no próximo mandato de cinco anos. O RNI propôs ainda um salário mínimo mensal garantido de 5.000 dirhams (455 euros).

O PAM é o segundo maior partido no parlamento cessante. As principais figuras nesta campanha incluem Fatima-Zahra Mansouri, presidente da câmara de Marraquexe e ministra do Ordenamento Urbano, e Fouzi Lekjaa, ministro do Orçamento e presidente da federação marroquina de futebol.

O partido propõe isentar de imposto sobre o rendimento os salários inferiores a 15 000 dirhams (1 370 euros) e disponibilizar 100 000 soluções de habitação para jovens. Se o PAM ficar em primeiro lugar e Mansouri for escolhida para chefiar o governo, tornar-se-á a primeira mulher a ocupar o cargo.

Uma mulher consulta as listas de eleitores antes de votar numa assembleia de voto durante as legislativas em Rabat, 23 de setembro de 2026
Uma mulher consulta as listas de eleitores antes de votar numa assembleia de voto durante as legislativas em Rabat, 23 de setembro de 2026 AP Photo

O Istiqlal, o mais antigo partido político de Marrocos, é liderado pelo ministro da Água, Nizar Baraka. O partido nacionalista, de tendência conservadora, colocou o atendimento mais rápido nos hospitais públicos entre as suas principais promessas.

O Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD), liderado pelo antigo primeiro-ministro Abdelilah Benkirane, tenta igualmente regressar ao poder. Este partido moderado liderou o governo durante uma década, antes de cair de 125 para 13 deputados nas eleições de 2021. Afirma querer reduzir o fosso económico entre Casablanca e o resto do país.

Entre os outros concorrentes com implantação destacam-se a União Socialista das Forças Populares, o Movimento Popular e o Partido do Progresso e do Socialismo, de esquerda, que tem centrado a campanha na educação e em regras mais rigorosas de combate à corrupção.

Como se processa a eleição?

Os eleitores recebem dois boletins de voto e escolhem uma lista partidária, em vez de candidatos individuais.

Dos 395 mandatos, 305 são atribuídos através de círculos locais. Os 90 restantes resultam de listas regionais compostas apenas por mulheres. Os lugares são distribuídos segundo um sistema proporcional.

Ao abrigo da Constituição de 2011, o rei Mohammed VI nomeia o chefe do governo a partir do partido que obtiver mais lugares.

Nenhum partido deverá alcançar os 198 mandatos necessários para uma maioria absoluta, pelo que o vencedor terá provavelmente de negociar uma coligação. O elenco governativo proposto tem depois de receber aprovação real.

O governo eleito gere a política interna e os serviços públicos, mas o rei mantém amplos poderes sobre a orientação global do país, a Defesa e a política externa.

A Constituição reconhece o direito de voto aos marroquinos residentes no estrangeiro, mas não existe votação por correio nem urnas em consulados de Marrocos.

Em alternativa, têm de viajar até Marrocos para votar ou autorizar um familiar ou conhecido inscrito a votar em seu nome.

A contagem dos votos começa após o fecho das urnas, na noite de quarta-feira. Os resultados nacionais preliminares são habitualmente anunciados no dia seguinte.

Em Marrocos não há sondagens eleitorais, pelo que não existe uma previsão pública fiável sobre que partido ficará em primeiro lugar. Conhecido o resultado, a força mais votada iniciará conversações com potenciais parceiros de coligação.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Marrocos avisado por Weber de “consequências óbvias” pela crise fronteiriça em Ceuta

Marrocos elege novo parlamento entre esperança e receios com custo de vida

Rússia vota em eleições parlamentares sem partidos contra Putin