Desce o preço do Brent na manhã de quarta-feira, após Donald Trump afirmar que representantes dos EUA e do Irão mantiveram reuniões “muito produtivas”, e notícias da reativação de um oleoduto chave na Arábia Saudita pressionam as cotações
Os preços do petróleo recuaram esta quarta-feira depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que representantes norte-americanos e iranianos se reuniram nas Nações Unidas.
O Brent, referência internacional, negociava-se esta manhã na Europa a 98,41 dólares por barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, custava 89,21 dólares por barril para entrega no próximo mês.
Desde o início da guerra no Médio Oriente, em fevereiro, o Brent tem ultrapassado repetidamente a fasquia dos 100 dólares.
A reunião de três horas foi “muito boa” e “muito produtiva”, disse Trump aos jornalistas durante um encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Adiantou que está já previsto um novo encontro.
As declarações surgem poucas horas depois de ter dito na ONU que enfrenta uma “grande decisão”: chegar a um acordo com o Irão ou “aniquilar a República Islâmica e fazê-lo rapidamente”.
Os Estados Unidos e o Irão continuam num impasse. Teerão mantém o estreito de Ormuz encerrado, enquanto Washington prossegue o bloqueio aos portos iranianos. Os combates no Iémen entre forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita e os Houthi apoiados pelo Irão têm igualmente perturbado as exportações de energia através do mar Vermelho.
“A reunião de três horas entre EUA e Irão é importante porque faz o mercado passar de uma fixação exclusiva na escalada para um verdadeiro processo diplomático, mesmo que um acordo final ainda pareça distante”, afirmou Stephen Innes, da Quintex Intel.
Os preços recuaram também após notícias de que a Arábia Saudita retomou operações no oleoduto Leste–Oeste. A rota permite que o crude saudita chegue ao mar Vermelho sem passar pelo estreito de Ormuz. Riade afirmou este mês que drones lançados a partir do Iraque tinham obrigado ao fecho do oleoduto.
Segundo a agência Bloomberg, que cita uma fonte, o reino espera retomar as exportações ainda esta semana. A Saudi Aramco terá informado refinarias asiáticas de que poderão em breve levantar crude no porto de Yanbu, no mar Vermelho. Já as refinarias europeias terão sido avisadas de que não receberão petróleo saudita ao abrigo dos contratos de fornecimento de outubro.
Bolsas globais sobem antes da reunião Trump–Xi
As bolsas europeias registaram movimentos mistos na abertura.
O índice Euro Stoxx 50 recuava cerca de 0,1% nas primeiras negociações, enquanto o pan-europeu Stoxx 600 ganhava mais de 0,3%.
O FTSE 100 do Reino Unido, o CAC 40 de França, o FTSE MIB de Itália e o CH20 da Suíça avançavam cerca de 0,1%.
Já o DAX 30 da Alemanha, o IBEX 35 de Espanha e o AEX dos Países Baixos desciam entre 0,3% e 0,4% face ao fecho de terça-feira.
Na Ásia, as bolsas subiram na maioria. O Kospi da Coreia do Sul ganhou 1,2%, com a Samsung e a SK Hynix a valorizarem mais de 2%. O Taiex de Taiwan avançou 0,9%, segundo a agência Reuters. O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, somou 0,5%, a sexta sessão consecutiva de ganhos. A bolsa japonesa esteve encerrada devido a feriado, embora os futuros sobre o Nikkei tenham negociado em alta.
Em Wall Street, o Nasdaq subiu 0,5% e fechou em máximo histórico na terça-feira. O S&P 500 pouco se mexeu, enquanto o Dow Jones caiu 0,4%.
Nos mercados cambiais, o euro negociava-se a 1,1429 dólares, perto de um mínimo de dois meses, numa altura em que os investidores ponderam a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro nos Estados Unidos. O dólar também ganhava terreno face ao iene, para 157,60 ienes.
O ouro era transacionado a 4 379 dólares por onça. Os futuros do Tesouro norte-americano subiram ligeiramente com o alívio do preço do petróleo, mantendo o juro da obrigação a 10 anos abaixo de 5%.
Os investidores aguardam ainda a reunião de quinta-feira entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping. O comércio e a concorrência em torno da inteligência artificial deverão estar em cima da mesa.
Kyle Rodda, analista sénior de mercados financeiros na Capital.com, afirmou que a guerra no Médio Oriente poderá revelar-se mais determinante para os mercados, incluindo a possibilidade de os EUA conseguirem persuadir a China a usar a sua influência junto do Irão.