A estrela de Hollywood falou em Londres antes da estreia mundial do novo filme, ‘Digger’, afirmando: “As pessoas querem essa experiência, continuam a ir ao cinema. Acredito sempre na humanidade”
Donald Trump poderá ter deixado a audiência na ONU fria e perplexa com a insistência em quea IA devia passar a chamar-se “Superinteligência”, mas houve quem arrancasse aplausos com o seu discurso sobre esta tecnologia controversa...
Numa conversa de balanço de carreira num evento da BAFTA em Londres, Tom Cruise foi questionado sobre a forma como a IA poderá transformar o cinema.
A estrela de Missão Impossível lançou-se num apaixonado monólogo de seis minutos sobre a importância da humanidade nas artes e sobre como a temporada de superproduções deste verão mostrou que o público jovem continua interessado em ir ao cinema. Explicou que a experiência em sala tem de ser preservada porque junta as pessoas.
“Não tenho nada contra o streaming ou algo do género”, explicou, mas ver um filme no grande ecrã é simplesmente “uma forma de arte diferente”.
“É assim: não há nada como o humano”, disse Cruise, sublinhando que o uso mais alargado da IA no cinema “está a chegar e vai acontecer”.
“Mas as pessoas querem ver coisas reais”, acrescentou. “As pessoas querem essa experiência. Continuam a ir às salas de cinema. Acredito sempre na humanidade.”
A estrela de Hollywood é conhecida por defender métodos tradicionais de fazer cinema, insistindo em realizar as suas próprias acrobacias e em recorrer o mínimo possível ao CGI.
Cruise concluiu que, perante a IA, os criadores humanos têm de “continuar a criar”.
Os comentários surgem numa altura em que Hollywood se debate com a crise existencial que a IA pode representar para os profissionais criativos. É um tema divisivo, com nomes como Martin Scorsesee George Lucas a enfrentarem críticas pelas suas defesas da IA.
Recentemente, Gal Gadot falou sobre o próximo papel no filme Bitcoin, que gerou polémica por recorrer à IA para criar os cenários e a iluminação. “Tenho medo da IA, mas vou ter medo e virar a cara? Não”, disse no podcast Happy Sad Confused. “Tenho medo, mas estou a experimentar, a aprender e a tentar informar-me. O comboio já saiu da estação. Ou trabalhas com ela ou ficas completamente fora do jogo.”
Estas declarações também geraram críticas, já que muitos veem a IA como uma forma de retirar trabalho a criativos nas rodagens.
Por outro lado, muitos criadores, como Christopher Nolan, Steven Spielberg, o realizador de Backrooms, Kane Parsons, e Guillermo del Toro, mantêm-se firmes na desaprovação do uso de IA no cinema.
A presença de Tom Cruise no evento da BAFTA, na segunda-feira, coincidiu com a promoção do novo filme Digger, realizado por Alejandro González Iñárritu. A nova longa-metragem, que já gera muita expectativa em relação a prémios, mostra Cruise como um bilionário excêntrico que embarca numa missão frenética para provar que é o salvador da humanidade.
Digger estreia a 2 de outubro.