Incêndio atinge estação terrestre da Starlink em Wola Krobowska, na Mazóvia. Bombeiros suspeitam de fogo posto e governo fala em guerra híbrida, com autoridades a investigar sabotagem a infraestrutura crítica
Deflagrou, na quarta-feira, um incêndio na estação terrestre de comunicações por satélite Starlink em Wola Krobowska, na região de Grójec, na Polónia.
O alerta chegou aos bombeiros por volta das 21h07. O proprietário do terreno onde se encontra a infraestrutura informou os serviços de emergência de que as antenas estavam a arder. Para o local foram mobilizadas três equipas da corporação estatal de bombeiros de Grójec.
As chamas atingiram sobretudo a estação de alimentação – a cabine de distribuição e o gerador. Os bombeiros controlaram a situação, extinguiram o incêndio e isolaram a zona. Ninguém ficou ferido e as diligências seguintes ficaram a cargo da polícia.
Segundo as primeiras avaliações dos bombeiros e informações da RMF FM, poderá ter havido um incêndio provocado na cabine de distribuição. O gerador também foi danificado. As autoridades não excluem, contudo, a hipótese de curto-circuito na instalação elétrica. A possibilidade de o fogo ter sido causado por um raio foi praticamente afastada, devido às condições meteorológicas que se registavam na altura.
A estação de Wola Krobowska, operada pela empresa pública Exatel, é um elemento importante da infraestrutura da Starlink. Em conjunto com uma instalação semelhante na região de Kaunas, na Lituânia, garante ligação à internet a uma parte significativa da Europa Centro-Oriental, incluindo a Ucrânia.
No local estiveram agentes das unidades de intervenção e do comando regional da polícia. O incidente foi comunicado de imediato à Agência de Segurança Interna e ao Departamento Central de Investigação da Polícia. Prosseguem as perícias, a recolha de vestígios e a análise da informação obtida.
Polónia: vice-primeiro-ministro Gawkowski não exclui ação de sabotagem
O caso foi comentado por responsáveis do governo. O vice-primeiro-ministro e ministro da Digitalização, Krzysztof Gawkowski, declarou em entrevista à TVN24: “Não se pode excluir uma ação de sabotagem”.
“Estamos perante um incêndio provocado que tinha como objetivo afetar a infraestrutura crítica e a infraestrutura que determina se a internet funciona”, acrescentou. O governante sublinhou que este tipo de ações “é apontado como modus operandi dos serviços russos, que planeiam atos de sabotagem na Polónia”.
Já na TVP Info afirmou: “Há muitos indícios de que o incêndio na estação da Starlink na Mazóvia é mais um elemento da guerra híbrida”.
Sublinhou que as ações de sabotagem “foram concebidas para tornar impossível o funcionamento desta estação”.
Gawkowski explicou que a Exatel é um operador público de telecomunicações responsável pela segurança da internet e pelo trânsito de dados através da Polónia, incluindo para a Ucrânia.
Advertiu também para cenários de guerra híbrida: “Não serão tanques nem aviões a entrar aqui, mas sim ações destinadas a cortar a internet, fazer com que deixe de haver água nas torneiras, gás e eletricidade”. Apontou ainda a prática de cidadãos recrutados pela Rússia para recolherem informação sobre a infraestrutura crítica.
Dobrzyński: investigadas várias hipóteses
O porta-voz do ministro coordenador dos serviços especiais, Jacek Dobrzyński, disse à TVN24 e ao Zero.pl que no local trabalham agentes da polícia a realizar perícias e a recolher vestígios, bem como funcionários da Agência de Segurança Interna que analisam a informação recolhida.
Dobrzyński fez um apelo à calma.“Nem todos os incêndios provocados, nem todas as catástrofes são atos de sabotagem”, notou, indicando que estão a ser consideradas várias versões do incidente – desde um incêndio intencional até a um curto-circuito na instalação elétrica.
O porta-voz salientou que o fogo começou no gerador. Em declarações ao Zero.pl afirmou: “É demasiado cedo para falar em sabotagem”. Acrescentou que, nesta fase, é prematuro tirar conclusões definitivas sobre as causas e motivações.
O secretário de Estado da Administração Interna, Maciej Duszczyk, afirmou na rádio TOK FM que foram ativados os procedimentos padrão previstos para a infraestrutura crítica: “Imediatamente após a informação dos bombeiros, chegaram ao local tanto agentes da polícia como da Agência de Segurança Interna”.