O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão propôs a Washington um plano de sete dias: Teerão reabriria o estreito de Ormuz se os EUA levantarem o bloqueio naval, com outras condições para pôr fim à guerra.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou numa reunião privada à margem da Assembleia Geral da ONU, na quinta-feira, segundo a Associated Press, que o Irão enviou uma nova proposta a Washington, na qual se compromete a reabrir o Estreito de Ormuz e a retomar as negociações sobre o seu programa nuclear dentro de sete dias, caso os EUA levantem o bloqueio naval, suspendam as sanções petrolíferas e respeitem um cessar-fogo que inclua o Líbano.
Segundo os participantes no encontro, Araghchi terá afirmado que a proposta, entregue aos EUA por intermédio de terceiros, estabelece um cronograma de sete dias para pôr fim à guerra, que o Irão estaria pronto a implementar caso Washington a aceite.
"Se determinadas condições forem cumpridas, o estreito de Ormuz seria reaberto no final do sétimo dia e as negociações recomeçariam", terá declarado o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
A agência noticiosa norte-americana referiu que as condições da proposta se assemelham ao Memorando de Entendimento anteriormente assinado pelo Irão e pelos EUA em junho, o qual acabaria por fracassar.
Irão acusa "alguns países europeus"
As autoridades iranianas, nomeadamente os militares de linha dura, que parecem contestar a liderança civil, não se pronunciaram sobre os detalhes da proposta de Araghchi apresentada na Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, os preços do petróleo caíram, com o Brent a descer para os 105 dólares, no seguimento das notícias sobre as recentes negociações entre os EUA e o Irão.
Entretanto, na sexta-feira, Araghchi reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Ed Miliband, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em Nova Iorque. Nessa reunião, Araghchi acusou "certas nações europeias" de ações "destrutivas e irresponsáveis", bem como de "apoio e cumplicidade" na "agressão militar" dos EUA e de Israel, que "infligiram danos imensos ao Irão, à região e ao mundo".
Na mesma ocasião, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani. O Qatar tem vindo a desempenhar um papel de mediação entre os EUA e o Irão, incluindo durante as conversações indiretas entre os dois países na ONU, que decorreram esta semana.
Não confundir posição de Teerão com "recuo estratégico"
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, os dois responsáveis abordaram “as mais recentes evoluções na região, bem como os esforços para reduzir as tensões e criar um ambiente propício ao diálogo, contribuindo assim para reforçar a segurança e a estabilidade regionais”.
O antigo chefe do departamento de investigação dos serviços de informações militares israelitas, Danny Citrinowicz, escreveu numa publicação na rede X que “Teerão parece acreditar que se está a abrir uma janela política em Washington” e que, “com as eleições intercalares nos Estados Unidos a aproximar-se e o presidente Trump sob forte pressão para baixar o preço do petróleo, o Irão vê uma oportunidade para testar se a pressão económica e política se pode traduzir em maior flexibilidade americana”.
“Mas a posição de Teerão não deve ser confundida com um recuo estratégico de fundo”, acrescentou Citrinowicz.