Treze anos depois do assassinato do rapper grego Pavlos Fyssas por um membro do partido neonazi Amanhecer Dourado, a sua história chegou ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, através de um monólogo teatral que evoca o crime, o julgamento dos responsáveis e a ameaça da extrema-direita na Europa.
Um monólogo teatral sobre Pavlos Fyssas, o rapper grego assassinado por um membro do partido neonazi "Amanhecer Dourado", foi apresentado no Parlamento Europeu, em Bruxelas. A atriz Dora Chrysikou interpreta uma jovem que testemunhou o crime, enquanto a peça relata o assassinato de Pavlos Fyssas e o julgamento subsequente dos membros da "Amanhecer Dourado".
“Tinha praticamente a mesma idade do Pavlos, sou dois anos mais velha do que ele. Por isso, lembro-me muito bem de como acordámos a 18 de setembro de 2013. Depois comecei a acompanhar o julgamento. Foi aí o ponto de viragem em que concebi esta ideia, mas entre a conceção e a concretização passou bastante tempo”, declarou Dora Chryssikou à Euronews.
“Acho que quis contar esta história através da família do Pavlos. Senti uma profunda estima e um grande carinho por esta família e, claro, quando percebi que tipo de pessoa era o Pavlos. Tinha uma adesão profunda ao bem e à solidariedade.”
Treze anos após o assassínio de Pavlos Fyssas, o eurodeputado do PASOK Nikolas Farantouris convidou Dora Chryssikou ao Parlamento Europeu, em Bruxelas.
“É a primeira vez que alguém percorre os bancos do Parlamento Europeu desta forma. É um gesto simbólico para mostrarmos que vamos combater o fascismo. Pela primeira vez, ouve-se no Parlamento Europeu uma mensagem de democracia e de paz tão clara. Afinal, não foram estes os motivos que estiveram na origem da União Europeia?” (fonte em grego)
A protagonista não é invencível nem polida. É transparente e frágil. É alguém muito próximo de nós, vizinha, amiga, irmã, que luta com os seus medos, poucas horas antes de prestar depoimento no julgamento. Uma pessoa comum que se torna sujeito da história.
O monólogo, apresentado com legendas em inglês e francês, coincidiu com a subida acentuada da extrema-direita nas recentes eleições na Alemanha e noutras partes da Europa. Coincidiu também com a libertação de Kasidiaris e com o anúncio da decisão de regressar à cena política.
“Este espetáculo ilumina a personalidade de Pavlos Fyssas, mas ilumina também todos nós, o cidadão médio. Vivemos numa época em que o 'trata da tua vida' é mais forte e mais poderoso do que nunca. Quase todos somos praticamente apolíticos, as exceções são poucas. Achamos que o que acontece não nos diz respeito, até o mal chegar à nossa porta. Mas, como diz o espetáculo, o mal está muito mais perto do que imaginas. Se não tiveres reagido, quando bater à tua porta, então será tarde demais”, sublinha Dora Chryssikou em declarações à Euronews.
O texto, escrito por Maria Louka, baseia-se em depoimentos reais, enquanto a encenação é de Korais Damatis.
“Não à agenda da extrema-direita. Não podemos aderir à agenda do medo. Temos de encontrar soluções sem dialogar com quem pretende derrubar a democracia. Já se infiltraram no Parlamento Europeu (fonte em grego) e, com o disfarce da modernização, com o disfarce da normalidade, tentam convencer-nos de que têm soluções para os problemas do mundo. É a ruína com outro rosto, mas com o mesmo objetivo, destruir a democracia e a humanidade”, declarou à Euronews o eurodeputado do PASOK. (fonte em grego)