Há um mês, a exclusão das trabalhadoras durante a visita de um grupo hindu ultraconservador desencadeou uma greve e levou ao encerramento do monumento por um dia
A Dama de Ferro vai ter em breve um novo diretor. Fragilizado desde o afastamento do pessoal feminino durante a visita de um grupo religioso hindu no início de setembro, o diretor-geral da Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (SETE), Patrick Branco Ruivo, anunciou na terça-feira, 29 de setembro, a sua saída no final do ano.
A posição do diretor, à frente da SETE desde 2018, estava fortemente fragilizada desde a exclusão das trabalhadoras durante uma visita, no início de setembro, de membros da corrente hindu ultraconservadora Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha.
Este afastamento das mulheres que trabalham no monumento levou a uma greve dos trabalhadores da Torre Eiffel e ao encerramento, durante todo o dia 7 de setembro, do monumento mais emblemático da capital. “Algumas [trabalhadoras] foram convidadas a abandonar o posto e a afastar‑se para outras instalações”, denunciaram os trabalhadores num comunicado.
Duas investigações foram entretanto conduzidas, por iniciativa do presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire. A investigação interna “revelou uma série de disfunções e falhas na organização das visitas protocolares”, que culminaram “no afastamento de pessoal feminino no dia da visita, situação inaceitável”, detalha a Sociedade de Exploração da Torre Eiffel num comunicado divulgado na terça-feira.
Entre os locais mais visitados de Paris, a Torre Eiffel conta com 402 trabalhadores, recebe 6,7 milhões de visitantes e gera 156 milhões de euros de volume de negócios. Responsável pela sua gestão, a SETE, uma estrutura pública local, é detida em 99 % pelo Município de Paris e em 1 % pela respetiva metrópole.