Remanescentes do autoproclamado grupo terrorista EI continuam a atacar infraestruturas energéticas na província oriental de Deir ez-Zor, após a queda de al-Assad. A Síria produz apenas uma fração do gás de antes da guerra, face a uma procura crescente.
Uma aparente explosão num gasoduto no leste da Síria interrompeu o fornecimento de gás às centrais elétricas, no mais recente ato de sabotagem contra as infraestruturas energéticas do país mediterrânico, indicaram as autoridades esta terça-feira.
“Um incêndio deflagrou na segunda-feira à noite num gasoduto entre a área de Al-Shoula e Deir ez-Zor, devido à explosão de uma válvula seccionadora provocada por sabotagem”, noticiou a agência de notícias oficial SANA.
Citando um responsável da Syrian Petroleum Company, a SANA acrescentou que “o incêndio interrompeu o fluxo de gás da instalação de Al-Jabsah para as centrais elétricas”.
Continua sem se saber, por enquanto, quem esteve por detrás da sabotagem.
A província de Deir ez-Zor, no leste da Síria, onde se situam os principais campos de petróleo e gás do país, tem sido alvo de ataques persistentes desde a derrota em 2019 do grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico.
Remanescentes do grupo Estado Islâmico visam regularmente as infraestruturas energéticas da região em ataques assimétricos destinados a frustrar o esforço de Damasco para garantir plenamente a logística energética.
Um gasoduto na mesma instalação foi atingido em 18 de agosto, num incidente que as autoridades sírias também descreveram como sabotagem deliberada.
Em todo o país, sírios têm vindo a queixar-se da subida dos preços dos combustíveis, enquanto as autoridades apontam a guerra no Irão como motivo do aumento.
No início deste mês, sírios de várias partes do país saíram à rua para protestar contra o aumento dos preços.
Antes da guerra de 2011-2024, que devastou as infraestruturas do país, a Síria produzia 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia para geração de eletricidade, segundo o ministro da Energia, Mohammad al-Bashir.
Atualmente, a produção caiu para 8,5 milhões de metros cúbicos, enquanto a procura varia entre 22 e 25 milhões de metros cúbicos, de acordo com al-Bashir.
Em junho, Damasco assinou um contrato com o gigante petrolífero norte-americano ConocoPhillips para desenvolver o setor do gás do país, numa altura em que as novas autoridades, que derrubaram em 2024 o ditador de longa data Bashar al-Assad, procuram atrair investimento para apoiar a reconstrução pós-guerra.
A instalação de Al-Jabsah é uma das principais unidades de processamento de gás da Síria, situada numa zona que regressou ao controlo total do Governo central no início deste ano.