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Exlusivo: parceiros da Ucrânia poderão aceder a nova tecnologia contra drones a jato, diz Budanov à Euronews

Kyrylo Budanov, chefe do gabinete do Presidente da Ucrânia durante a entrevista à Euronews, Kiev, Ucrânia, 29 de setembro de 2026
Kyrylo Budanov, chefe do gabinete do presidente da Ucrânia durante a entrevista à Euronews, Kiev, Ucrânia, 29 de setembro de 2026 -  Direitos de autor  Euronews
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De Sasha Vakulina
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Os países que já têm acordos de cooperação em matéria de drones com Kiev poderão negociar o acesso à mais recente tecnologia ucraniana para combater os novos drones a jato da Rússia, afirmou Kyrylo Budanov à Euronews.

A Ucrânia já está a usar a sua nova tecnologia de interceção em combate e corre agora para aumentar a produção antes da fase mais dura do inverno, afirmou Kyrylo Budanov, chefe do Gabinete do presidente da Ucrânia.

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Budanov disse em entrevista exclusiva à Euronews que esta tecnologia consegue intercetar, na maioria dos casos, drones russos a jato, mas que a produção em escala suficiente continua a ser o principal desafio.

A tecnologia poderá também ficar disponível para países que já estabeleceram parcerias de drones com a Ucrânia, ao abrigo de acordos conhecidos como “Drone Deals”.

A Ucrânia assinou este tipo de acordos com um número crescente de parceiros, incluindo países da UE como Lituânia, Letónia, Estónia, Países Baixos e Dinamarca. Estes acordos definem um quadro de cooperação que inclui produção conjunta, transferência de tecnologia e troca de conhecimentos militares.

Os acordos foram sendo desenvolvidos à medida que a Ucrânia expandia rapidamente a sua própria indústria de drones e o recurso a drones intercetores relativamente baratos contra os drones de ataque convencionais russos do tipo Shahed.

Mas a Rússia também tem vindo a adaptar-se.

Moscovo passou a utilizar com crescente frequência drones de ataque a jato capazes de atingir velocidades até 500 km/h, significativamente superiores às da geração anterior de drones intercetores ucranianos, que chegavam aos 300 km/h.

Soldado ucraniano prepara um drone FPV para disparar contra posições russas na região de Zaporizhzhia, 19 de setembro de 2026
Soldado ucraniano prepara um drone FPV para disparar contra posições russas na região de Zaporizhzhia, 19 de setembro de 2026 AP Photo

A vantagem em termos de velocidade significava que esses intercetores deixaram de conseguir atingir de forma fiável os novos drones russos, obrigando por vezes as forças ucranianas a recorrer a mísseis de defesa aérea mais caros e escassos.

Desde então, a Ucrânia acelerou o desenvolvimento de intercetores mais rápidos, concebidos especificamente para responder à nova ameaça.

Volodymyr Zelenskyy afirmou que a Ucrânia se tornou muito eficaz a intercetar drones convencionais do tipo Shahed, com taxas de sucesso na ordem dos 90% ou mais em alguns ataques.

Já as variantes mais recentes, propulsionadas a jato, continuam a ser bastante mais difíceis de abater: Zelenskyy situou a respetiva taxa de interceção em 57% no início desta semana.

É esta nova geração de tecnologia ucraniana de interceção que poderá agora passar a integrar as parcerias já existentes do país.

“Não se trata de nenhum produto específico. Em princípio, falamos de cooperação entre países em produtos semelhantes”, disse Budanov à Euronews.

Drone de ataque ucraniano FP-1 de longo alcance é lançado num local não divulgado na Ucrânia, 16 de agosto de 2026
Drone de ataque ucraniano FP-1 de longo alcance é lançado num local não divulgado na Ucrânia, 16 de agosto de 2026 AP Photo

Questionado em concreto sobre se as tecnologias mais recentes da Ucrânia, incluindo intercetores para drones a jato, poderão passar a integrar os acordos com países europeus, Budanov respondeu:

“Qualquer país que tenha celebrado connosco este tipo de acordos tem, por assim dizer, o direito de prosseguir negociações sobre produtos concretos.”

Budanov disse acreditar que a Ucrânia conseguirá atingir o nível de produção necessário antes da fase mais crítica do próximo inverno.

A urgência dessa corrida é já evidente no terreno.

A Euronews teve acesso exclusivo a posições de defesa aérea que protegem a região de Kiev, onde militares descreveram como os drones mais rápidos da Rússia reduzem drasticamente o tempo disponível para detetar e neutralizar as ameaças que se aproximam.

Quando um drone a jato se dirige para Kiev, explicaram, as equipas dispõem por vezes de apenas 10 a 15 segundos para reagir.

O ritmo implacável dos ataques também está a deixar marcas. Alguns soldados contaram à Euronews que, nos últimos dias, chegaram a dormir apenas uma hora e meia por dia, à medida que sucessivas vagas de drones russos mantinham as unidades de defesa aérea em alerta.

Pavlo Tsugunov, comandante de uma bateria antiaérea, afirmou que a velocidade e a altitude dos drones russos mais recentes os tornaram significativamente mais difíceis de atingir com os sistemas existentes.

“Estão a voar mais alto e mais depressa”, disse Tsugunov à Euronews. “E, na maioria dos casos, os sistemas de que dispomos não conseguem atingir estes alvos.”

Os drones a jato acrescentam uma nova camada de pressão sobre as já sobrecarregadas defesas aéreas da Ucrânia, que enfrentam em simultâneo a escassez de intercetores capazes de travar mísseis balísticos russos.

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