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Estados Unidos na NATO: Revisão das tropas na Europa depende do “America First”

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Embaixador dos EUA junto da NATO, Matthew Whitaker, durante uma entrevista na Cimeira de Defesa e Espaço da Euronews em 30 de setembro de 2026
Embaixador dos EUA junto da NATO, Matthew Whitaker, durante uma entrevista na Cimeira de Defesa e Espaço da Euronews, em 30 de setembro de 2026. -  Direitos de autor  Euronews
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De Shona Murray
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A revisão das tropas estacionadas na Europa foi iniciada após tensões geradas por países da NATO que recusaram às forças norte‑americanas o acesso a bases militares para a guerra no Irão

Os Estados Unidos poderão ter de “reavaliar” as relações com aliados da NATO que, em futuras operações, recusem aos militares norte-americanos o acesso a bases militares ou ao espaço aéreo, afirmou à Euronews o embaixador dos Estados Unidos junto da NATO, Matthew Whitaker.

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Em declarações exclusivas na Cimeira Euronews sobre Defesa e Espaço, Whitaker explicou que Washington continua a rever a forma como as forças norte-americanas estão destacadas e instaladas em todo o território da NATO, na sequência de divergências com vários aliados europeus durante o conflito entre os Estados Unidos e Israel e o Irão, conhecido como “Operação Epic Fury”.

“Estamos a analisar as questões do acesso, das bases e do sobrevoo, algumas das quais funcionaram de forma algo problemática durante a Epic Fury”, afirmou Whitaker.

Adiantou que os Estados Unidos mantêm conversações com os países que limitaram o acesso durante o conflito, para garantir que “não volte a acontecer”.

“Estamos a ter essas conversas apenas com alguns países com os quais tivemos problemas, para garantir que da próxima vez tudo fique claro”, disse Whitaker.

“Que isso não volte a repetir-se ou, se voltar, bom, aí talvez tenhamos de reavaliar”, respondeu, quando questionado.

A revisão está a analisar onde estão estacionadas as forças norte-americanas e o acesso de Washington ao espaço aéreo e às infraestruturas militares dos aliados, acrescentou.

“É uma revisão do dispositivo militar e das bases”, resumiu Whitaker.

Whitaker afirmou que o processo é orientado pela doutrina “America First” da administração Trump.

“‘America First’ significa que analisamos tudo a partir daquilo que está em linha com os interesses dos Estados Unidos da América, do seu povo e dos seus contribuintes”, explicou.

Algumas fugas de informação sobre a revisão apontavam para a retirada de até 40 000 militares do território da NATO, mas Whitaker desvalorizou esses relatos, classificando-os como incorretos.

“Nem sequer existe ainda um plano finalizado pela equipa responsável pela política do secretário da Guerra e, por isso, creio que qualquer fuga de informação sobre o assunto vem de pessoas que apenas procuram semear confusão.”

Divergências em torno da operação no Irão

O secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou a revisão do dispositivo de forças numa reunião de ministros da Defesa da NATO, na sede da Aliança, em Bruxelas, em junho, depois de vários governos europeus terem limitado ou recusado o acesso norte-americano ao respetivo espaço aéreo e a bases militares para operações ligadas ao Irão.

Hegseth criticou os países que se recusaram a participar na operação, classificando a posição como “vergonhosa” e afirmando que essas decisões colocaram em risco os militares norte-americanos.

Espanha, Itália, França e Reino Unido manifestaram inicialmente reservas em conceder esse acesso, receando ser arrastados para uma operação sem consulta prévia.

O presidente norte-americano, Donald Trump, manifestou desprezo pelas decisões desses governos e ameaçou rever o apoio de segurança prestado pelos Estados Unidos aos países que não acompanharam a posição de Washington.

Espanha assumiu a posição mais dura contra o envolvimento, ao negar aos Estados Unidos o acesso ao seu espaço aéreo e às suas bases militares para operações relacionadas com o Irão.

Itália impôs restrições ao acesso, enquanto a França indicou que permitiria o uso de aeronaves e apoio operacional, mas não autorizaria o reabastecimento de caças a partir das suas bases.

O Reino Unido concordou, numa primeira fase, em permitir que os militares norte-americanos utilizassem bases da Royal Air Force para “fins defensivos”, alargando depois esse acesso para apoiar ataques contra alvos iranianos.

Revisão na NATO

Um questionário, cuja existência veio a público, foi distribuído entre os membros da NATO durante o verão e pedia aos governos que detalhassem a resposta ao conflito entre os Estados Unidos e Israel e o Irão, incluindo se tinham concedido acesso ao seu espaço aéreo e às suas bases militares na fase inicial da operação.

O documento perguntava ainda qual a posição dos membros sobre uma alteração da postura de defesa da NATO, apoiada por Washington e designada “NATO 3.0”, que atribui aos aliados europeus a responsabilidade central pela defesa convencional da Europa.

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