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Estónia: Sistemas anti-drone e soldados robô em destaque na Tallinn Defence EXPO

Expo de Defesa de Tallinn apresenta futuro da defesa não tripulada
Expo de Defesa de Tallinn apresenta o futuro da defesa não tripulada -  Direitos de autor  Denis Loctier, Euronews
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De Denis Loctier
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Drones transformaram a guerra na Ucrânia. Na Tallinn Defence EXPO, empresas estónias apresentam sistemas antidrones e robôs de combate que afirmam ser essenciais para a Europa.

Sistemas não tripulados representam uma ameaça crescente e são, ao mesmo tempo, uma parte cada vez mais vital do arsenal de defesa.

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Este tema marcou a Tallinn Defence EXPO, onde mais de 100 empresas apresentaram os seus produtos mais recentes.

A fasquia é elevada para a Estónia, que faz fronteira com a Rússia. Segundo um documento de síntese sectorial, a despesa em defesa aumentou de 1,9% do PIB em 2013 para uma média de 5,4% prevista até 2029.

A feira foi um dos seis eventos da Estonian Defence Week, realizada em Tallinn ao longo de cinco dias no final de setembro.

A semana atraiu cerca de 4 500 visitantes de 56 países e contou com 133 oradores em 68 sessões, incluindo uma conferência de inovação da NATO e uma conferência de defesa dos países bálticos.

Tallinn Defence EXPO reuniu mais de 100 empresas tecnológicas, com os drones como tema dominante
Tallinn Defence EXPO reuniu mais de 100 empresas tecnológicas, com os drones como tema dominante Denis Loctier, Euronews

Detetar e travar drones

A empresa estoniana Marduk Technologies apresentou um sistema de deteção que recorre a ótica de alta potência e a inteligência artificial para localizar e identificar objetos voadores.

“É um sistema de deteção de drones baseado em câmaras. É totalmente passivo e, com ele, conseguimos ver tudo o que está a voar. Conseguimos distinguir automaticamente se é uma ave, um drone, um helicóptero ou qualquer objeto voador”, disse à Euronews Next Leet Rauno Lember, diretor executivo da Marduk Technologies.

“Passivo” significa que este sistema ótico não emite qualquer sinal de rádio, permanecendo difícil de detetar, ao contrário dos radares.

Lember sublinhou que o sistema de deteção ótica não é “melhor” do que outras tecnologias, mas vem complementá‑las.

Os sensores acústicos cobrem apenas algumas centenas de metros, explicou, enquanto os drones elétricos podem ser muito silenciosos. O radar abrange longas distâncias, mas pode não detetar drones feitos de espuma leve.

“Todas estas camadas complementam‑se e os utilizadores finais conseguem tomar decisões mais acertadas”, acrescentou.

A Marduk Technologies desenvolve dispositivos de deteção de drones há mais de uma década.

Segundo Lember, a guerra na Ucrânia veio confirmar os alertas precoces da empresa. “Em 2016, toda a gente dizia que os drones não iriam ser um problema, pelo menos num futuro próximo.”

Sistema “Eirshield” da DefSecIntel combina sensores óticos, de radar, acústicos e de radiofrequência num único sistema móvel e altamente autónomo de neutralização de drones
Sistema “Eirshield” da DefSecIntel combina sensores óticos, de radar, acústicos e de radiofrequência num único sistema móvel e altamente autónomo de neutralização de drones Denis Loctier, Euronews

Outra empresa estoniana, a DefSecIntel, combina sensores óticos, de radar, acústicos e de radiofrequência num único sistema móvel e altamente autónomo, denominado Eirshield.

“É um sistema completo de combate a drones”, afirmou à Euronews Next Jaanus Tamm, diretor executivo e fundador da DefSecIntel Solutions.

O sistema ajuda os utilizadores a detetar drones hostis, segui‑los e decidir como os interceptar. Os seus efetores vão desde bloqueadores de sinal a drones intercetores e, se necessário, lasers.

“Os sensores de deteção do Eirshield identificam os drones; depois, o operador escolhe qual deve ser alvo e lança o drone intercetor”, explicou Tamm. “Os drones hostis são destruídos e não atingem elementos de infraestrutura nem causam danos a civis.”

Tamm descreve o Eirshield como “um dos poucos” sistemas de combate a drones com nível TRL 9 na Europa que já podem ser adquiridos em grande número. O TRL 9 é o nível máximo da escala de maturidade tecnológica.

O desenho é aberto, permitindo evoluir. “Se surgirem novas ameaças, podemos simplesmente acrescentar novos efetores ou novos sensores para melhorar a deteção”, disse.

Um desses efetores é o Blaze, um drone intercetor da empresa letã Origin Robotics. Segundo o documento de síntese, a agência de compras de defesa francesa selecionou este equipamento na Eurosatory 2026.

Veículo terrestre não tripulado THeMIS, da Milrem Robotics, pode ser configurado para combate, reconhecimento, desminagem, logística e evacuação de baixas
Veículo terrestre não tripulado THeMIS, da Milrem Robotics, pode ser configurado para combate, reconhecimento, desminagem, logística e evacuação de baixas Denis Loctier, Euronews

Robôs em vez de soldados

Veículos não tripulados podem apoiar, ou mesmo substituir, soldados em missões perigosas. A Milrem Robotics apresentou o seu veículo terrestre não tripulado THeMIS.

Segundo a empresa, a tecnologia permite criar “uma zona de fogo sem pessoal”, onde veículos robóticos detetam e afastam tropas invasoras. Isso reduz ao mínimo as baixas humanas entre os defensores.

Os veículos são controlados remotamente e têm alguma autonomia. “Em vez de enviar tropas para o campo de batalha, podemos enviar estas máquinas e salvar vidas”, afirmou à Euronews Next Raul Rikk, diretor de desenvolvimento de capacidades na Milrem Robotics, na fábrica da empresa em Tallinn.

A plataforma modular pode transportar uma metralhadora, um sistema antitanque ou outras armas. Pode igualmente ser utilizada em missões de reconhecimento, desminagem, logística e evacuação de feridos.

Rikk garantiu que o conceito já está comprovado. “Nada é teórico neste momento. Os ucranianos estão a utilizá‑los no campo de batalha”, disse.

O responsável adiantou que a atual capacidade de produção da empresa não é pública. “Falamos de centenas de veículos, de diferentes dimensões”, afirmou. “Podemos levar a produção para qualquer lugar, não é complicado montar a fábrica e conseguimos aumentar a escala bastante depressa.”

Para Rikk, o rumo está traçado. “A guerra de amanhã já está a acontecer na Ucrânia”, concluiu.

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