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UE investiga Binance por operações não licenciadas na Europa

ARQUIVO. Logótipo da plataforma de criptomoedas Binance num telemóvel em Nova Iorque, 31 jan. 2023
ARQUIVO. Logótipo da bolsa de criptomoedas Binance num telemóvel em Nova Iorque, 31 jan. 2023 -  Direitos de autor  AP Photo/Richard Drew
Direitos de autor AP Photo/Richard Drew
De Quirino Mealha
Publicado a •Últimas notícias
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Reguladores europeus apertam a Binance por usar uma exceção legal limitada para servir clientes da UE sem licença; a empresa diz à Euronews que procura autorização e a ESMA afirma que a aplicação cabe às autoridades nacionais.

A maior bolsa de criptomoedas do mundo está sob escrutínio dos supervisores da UE por continuar a servir clientes no bloco, meses depois de ter sido instada a encerrar o seu negócio europeu, segundo um artigo do “Financial Times” publicado esta quinta-feira.

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A Binance não conseguiu obter este verão uma licença ao abrigo do regulamento dos Mercados de Criptoativos (MiCA), o quadro da UE para o setor. As empresas sem licença tinham de tomar “medidas imediatas” para encerrarem as operações na UE a partir de 1 de julho e apenas podiam atender clientes para os ajudar a transferir ou vender os seus criptoativos.

A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), o supervisor dos mercados da UE, e reguladores nacionais em países como França, Alemanha e Grécia analisam agora como a Binance recorre à “solicitação inversa”, avançou o FT, citando pessoas conhecedoras do processo.

A isenção jurídica permite a empresas sedeadas fora da UE prestar serviços a clientes no bloco desde que sejam esses clientes a procurar o serviço por iniciativa própria.

Alguns reguladores pediram informações à Binance e poderão avançar com medidas de execução, incluindo coimas, se não ficarem satisfeitos com as respostas, indicou ainda o jornal, acrescentando que os supervisores também estão a analisar empresas de cripto mais pequenas.

Exceção “muito estritamente definida”

“A isenção de solicitação inversa deve ser entendida como muito estritamente definida. Deve ser vista como uma exceção e não usada para contornar os requisitos do MiCA”, afirmou a ESMA ao FT.

O supervisor dos mercados neerlandês AFM foi mais longe.

“Os prestadores de serviços de criptoativos não podem simplesmente invocar solicitação inversa: existem requisitos e orientações claros que têm de ser cumpridos”, disse ao jornal.

As licenças locais da Binance em países como França, Espanha e Polónia caducaram com o MiCA, enquanto os clientes noutros países da UE são atendidos pela sua entidade em Abu Dhabi, regulada desde dezembro de 2025.

Ainda assim, a experiência dos utilizadores europeus na plataforma não se alterou desde o prazo-limite do MiCA, em 1 de julho.

Nos países onde não tinha licença local, a Binance opera “ao abrigo da solicitação inversa” e está a “ver clientes que querem entrar na plataforma” por iniciativa própria, disse ao FT uma pessoa conhecedora do assunto, acrescentando que a empresa não pretende fazer crescer o negócio dessa forma a longo prazo.

Binance e ESMA respondem à Euronews

Confrontada pela Euronews com as questões dos reguladores, a Binance recusou comentar a situação e limitou-se a responder que “cumpre os requisitos regulamentares aplicáveis nas jurisdições em que opera”.

“Na Europa, a Binance mantém o compromisso de operar de forma sustentável e em conformidade ao abrigo do regulamento dos Mercados de Criptoativos da UE. Estamos a trabalhar ativamente para obter autorização MiCA”, afirmou um porta-voz.

A ESMA disse à Euronews que “não comenta casos específicos”.

Sublinhou, contudo, que, ao abrigo do MiCA, “a supervisão, a investigação e a aplicação são competências nacionais”, cabendo-lhe promover uma supervisão coerente em todo o bloco, incentivando a cooperação e a partilha de informação entre autoridades e emitindo orientações.

Quaisquer sanções contra a Binance teriam de ser decididas pelas autoridades nacionais, não pela própria ESMA, sediada em Paris.

Este escrutínio junta-se a anos de problemas regulatórios para a Binance, que em 2023 aceitou pagar 4,3 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros) em coimas nos Estados Unidos e declarou-se culpada de acusações criminais relacionadas com branqueamento de capitais e violação de sanções norte-americanas.

A capacidade de manter os utilizadores europeus depende agora de como os reguladores avaliam a interpretação da isenção feita pela empresa e de se, e com que rapidez, esta consegue obter a licença que afirma estar a tentar garantir.

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