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Cnco dias de chuva extrema em Creta deixam inundações e estragos generalizados

Inundações no planalto de Lassíti, em Creta
Cheias atingem planalto de Lassíti, em Creta -  Direitos de autor  ΑΠΕ-ΜΠΕ/ΝΙΚΟΣ ΧΑΛΚΙΑΔΑΚΗΣ
Direitos de autor ΑΠΕ-ΜΠΕ/ΝΙΚΟΣ ΧΑΛΚΙΑΔΑΚΗΣ
De Akis Tatsis com ΑΠΕ-ΜΠΕ, ernews.gr, cretalive.gr, neakriti.gr
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As maiores quantidades de chuva registaram-se nas zonas montanhosas, com o planalto de Lassíthi a receber até 440 milímetros em dois dias. O serviço Copernicus foi ativado para mapear os danos.

Cinco dias consecutivos de chuva intensa e trovoadas deixaram campos inundados, estradas destruídas e danos graves em zonas rurais em grande parte de Creta, uma ilha que está entre os principais destinos turísticos do Mediterrâneo.

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As medições do Observatório Nacional de Atenas mostram a dimensão da precipitação registada sobretudo nas zonas montanhosas da ilha. Segundo a rede de estações meteorológicas automáticas do Observatório/meteo.gr, em Xylóskalo, em Chania, no oeste de Creta, à entrada da Garganta de Samaria, um dos destinos naturais mais conhecidos da ilha, foram registados 91 milímetros de chuva só até às 15h10 de domingo.

Precipitação em Creta a 4 de outubro de 2026. Em Samaria-Xylóskalo e em Sémbronas, em Chania, registaram-se 91 milímetros
Precipitação em Creta a 4 de outubro de 2026. Em Samaria-Xylóskalo e em Sémbronas, em Chania, registaram-se 91 milímetros Εθνικό Αστεροσκοπείο Αθηνών/meteo.gr

Um milímetro de precipitação corresponde a um litro de água por metro quadrado. Isto significa que 91 milímetros equivalem a cerca de 91 litros de água por cada metro quadrado de superfície. O Observatório Nacional indicou que volumes elevados de chuva se registavam sobretudo nas zonas de montanha de Creta pelo quinto dia consecutivo.

Quantidades ainda maiores de água foram medidas no planalto de Lassíthi, uma bacia montanhosa fértil situada a cerca de 800 metros de altitude, no leste de Creta. Segundo o presidente da Organização de Desenvolvimento de Creta, Thodoris Ninos, na região caíram cerca de 440 milímetros de chuva em dois dias, ou seja, aproximadamente 440 litros por metro quadrado.

Estragos no planalto de Lassíthi
Estragos no planalto de Lassíthi ΑΠΕ-ΜΠΕ/ΝΙΚΟΣ ΧΑΛΚΙΑΔΑΚΗΣ

Ninos adiantou que, durante os quatro dias de intempérie, a precipitação na área atingiu em média cerca de 470 milímetros, numa zona onde o total anual de chuva oscila habitualmente entre 700 e 900 milímetros.

A forte afluência de água refletiu-se também na barragem de Aposelemi, cerca de 30 quilómetros a leste da cidade de Heraclião, principal fonte de abastecimento para o aglomerado urbano de Heraclião e áreas do leste de Creta. As reservas da albufeira aumentaram de cerca de 9,26 milhões de metros cúbicos, a 30 de setembro, para mais de 12,7 milhões de metros cúbicos, a 4 de outubro.

A diferença ultrapassa os 3,4 milhões de metros cúbicos de água em apenas quatro dias. A Organização de Desenvolvimento de Creta estima que o nível pode continuar a subir, já que a água do planalto de Lassíthi continua a desaguar na albufeira.

Desde o início dos fenómenos intensos, a 1 de outubro, até ao meio-dia de domingo, os bombeiros receberam 485 chamadas em toda a ilha. Realizaram-se 96 operações de bombagem de água e 101 transportes de pessoas para locais seguros. Um pastor de 80 anos, dado como desaparecido em Karínes, na unidade regional de Rethymno, foi encontrado morto, estando as autoridades a investigar as circunstâncias exatas da sua morte.

Os impactos não se limitaram ao leste de Creta. Danos foram registados nas quatro unidades regionais da ilha: em Chania, a oeste, em Rethymno, na parte centro-ocidental, em Heraclião, no centro, e em Lassíthi, a leste. Inundações e deslizamentos atingiram aldeias de montanha, zonas agrícolas e de criação de gado, bem como partes da faixa costeira com intensa atividade turística.

Grécia ativa cartografia por satélite do Copernicus

A Grécia ativou o serviço europeu Copernicus Emergency Management Service - Mapping, com o código EMSR933, para elaborar mapas das zonas afetadas através da análise de imagens de satélite.

Os dados serão usados pelas autoridades para identificar as áreas inundadas, avaliar os danos e planear as operações de recuperação. O pedido foi submetido pela Proteção Civil grega e aceite pela União Europeia.

Lassíthi: planalto transforma-se em lago

As maiores perdas agrícolas registam-se no planalto de Lassíthi, importante região produtora de Creta. Grandes extensões ficaram cobertas de água e lama, caminhos rurais sofreram danos e culturas de batata e hortícolas foram inundadas.

O portal Cretalive, citando dados locais, refere que cerca de 3.000 toneladas de batatas e hortícolas poderão ter sido destruídas e que aproximadamente 85% das culturas da região se situa na planície afetada. As perdas finais ainda não foram quantificadas.

Destruição em Ierápetra, em Creta
Destruição em Ierápetra, em Creta ΑΠΕ-ΜΠΕ/ΝΙΚΟΣ ΧΑΛΚΙΑΔΑΚΗΣ

Na costa sul de Lassíthi, Ierápetra e zonas turísticas a leste da cidade, como Ferma, Koutsounári, Agia Fotia e Makrý Gialós, foram atingidas por torrentes e deslizamentos. Estradas ficaram cortadas ou sofreram danos graves, veículos foram arrastados e dezenas de pessoas tiveram de ser retiradas de hotéis e outros alojamentos para locais seguros.

Rethymno: rios extravasam e Mylopotamos sofre destruições

Em Rethymno, a zona montanhosa de Mylopotamos foi uma das mais duramente atingidas. Em Zonianá, um rio galgou as margens e as ruas transformaram-se em torrentes, enquanto lama e detritos provocaram danos em habitações, na rede viária e em infraestruturas.

Cerca de 40 residentes foram retirados das suas casas, segundo relatos locais, e avarias na rede de abastecimento deixaram aldeias sem água potável. Nas encostas do Psilorítis registaram-se também perdas significativas de gado, com criadores a relatarem dezenas de animais mortos ou desaparecidos.

No município de Amari, os estragos na rede viária e as dificuldades persistentes na circulação levaram à suspensão das aulas presenciais nas escolas na segunda-feira.

Heraclião: danos das zonas de montanha às praias turísticas

Na unidade regional de Heraclião, problemas foram registados tanto no interior como na faixa costeira. No município de Malevízi, o Cretalive aponta danos extensos na rede viária rural, em furos de captação e instalações de rega, sobretudo nas localidades de montanha.

Os efeitos chegaram também a algumas das praias turísticas mais conhecidas da costa norte de Creta. O jornal Nea Kriti registou grandes quantidades de lama, canas, madeira e outros detritos nas praias de Ammoudára e Karterós, enquanto em Chersónisos se verificou erosão e perda de uma parte significativa da faixa de areia.

Chania: estragos em Platanias e pessoas isoladas em Samaria

No oeste de Creta, registaram-se danos graves no município de Platanias. Em Apopigádi e Palaia Roumata, troços de caminhos rurais tornaram-se intransitáveis, e o presidente da câmara de Platanias apontou à agência ANA-MPA prejuízos na rede viária, sistemas de abastecimento de água, castanhais e instalações de pecuária. O município prepara-se para pedir que a zona seja declarada em situação de emergência.

Uma operação específica decorre também na Garganta de Samaria, um dos destinos naturais mais conhecidos de Creta. Até à noite de domingo, oito trabalhadores do parque nacional permaneciam isolados num ponto seguro, já que o caminho se tinha transformado numa ribeira. Estavam bem de saúde, dispunham de alimentos, medicamentos e meios de comunicação e tinham recebido instruções para não tentar deslocar-se até a água baixar.

Grécia envia equipa governamental às zonas afetadas

Na segunda-feira, desloca-se a Creta uma equipa governamental alargada para avaliar os danos e coordenar a recuperação. Está prevista uma reunião na Região de Creta e, depois, visitas de inspeção a Mylopotamos, Ierápetra e ao planalto de Lassíthi.

Na delegação participam os ministros das Infraestruturas e da Crise Climática, juntamente com responsáveis governamentais para a produção agrícola e a recuperação de desastres naturais.

O levantamento dos prejuízos continua em curso, sobretudo no setor agrícola e na rede viária. Em várias zonas, o quadro completo só deverá tornar-se claro depois de a água recuar e de o acesso ser restabelecido.

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