A empresa passa a chamar-se SpaceXSI, o terceiro nome só este ano, enquanto Elon Musk acompanha o impulso de Donald Trump para rebatizar a IA como “super inteligência”.
Elon Musk vai mudar o nome da empresa conjunta de espaço e inteligência artificial, SpaceXAI, para SpaceXSI, alinhando-se com a ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rebatiza a inteligência artificial como “super inteligência” em toda a comunicação governamental.
Musk só recentemente tinha passado a chamar SpaceXAI à antiga xAI, há cerca de 90 dias, depois da entrada em bolsa da SpaceX em junho e da aquisição da empresa em fevereiro. O acordo avaliou a SpaceX em 1 bilião de dólares (€892 mil milhões) e a xAI em 250 mil milhões de dólares (€223 mil milhões).
Ontem, o magnata tecnológico sul-africano revelou que a empresa está a avançar com a mudança numa resposta a um utilizador da sua plataforma social X, que perguntou se havia “alguma possibilidade de mudar o nome para SpaceXSI?”.
“Sim, vamos fazer essa alteração”, respondeu Musk.
O utilizador questionou o empresário depois de uma publicação anterior em que este escreveu: “Chega de IA. Agora é SI. É melhor. ”. Mais tarde, Musk publicou: “A SpaceX é uma empresa de superinteligência”.
À hora de publicação, ainda não tinham sido feitas alterações aos sites ou às redes sociais da empresa, nem havia indicação de quando entrarão em vigor.
Atualmente, a SpaceXAI opera o chatbot de IA Grok, integrado na plataforma social X de Musk, que regista cerca de 117 milhões de utilizadores ativos por mês.
Grok está também amplamente integrado em operações governamentais e militares dos Estados Unidos, no âmbito de um acordo de 200 milhões de dólares (€178 milhões) concluído em julho de 2025.
A decisão surge na sequência da mais recente ordem executiva de Donald Trump para rebatizar designações globalmente reconhecidas com nomes mais alinhados com a sua visão do mundo, como transformar o Golfo do México em Golfo da América ou o Lago Ontário em Lago América.
Musk aceitou de bom grado o novo rebranding de Trump, num movimento que não é exceção: Google e Apple também acataram a exigência, alterando os nomes das massas de água nas respetivas plataformas de mapas para os utilizadores norte-americanos.
Trump referiu pela primeira vez a sua preferência por “super inteligência” em vez de “inteligência artificial” durante um discurso na Assembleia Geral da ONU, onde defendeu que “artificial” faz parecer que é falso quando, na realidade, é “notável”, sustentando que “super inteligência” é uma descrição mais correta.
Nesse mesmo dia em que assinou a ordem executiva, Trump acolheu uma cimeira sobre IA com Sundar Pichai (Google), Dario Amodei (Anthropic), Mark Zuckerberg (Meta), Greg Brokman (OpenAI), Jensen Huang (Nvidia) e Musk.
Seis líderes tecnológicos assinaram um “Compromisso Conjunto sobre Responsabilidades na Fronteira”, que estabelece um enquadramento pouco vinculativo para as empresas implementarem e auto-regularem os seus próprios controlos de segurança. O texto não é juridicamente vinculativo e não prevê sanções.
Cria-se assim um precedente preocupante, numa altura em que aumenta o número de incidentes envolvendo agentes de IA com comportamentos “descontrolados”, que já levaram a ataques a sites governamentais dos Estados Unidos e da Austrália, levando líderes mundiais a pedirem uma regulamentação mais apertada e a defenderem um “pacing the frontier” por parte das principais empresas norte-americanas de IA.
Em vez disso, o acordo de Trump permite que estas empresas se auto-regulem sem escrutínio nem consequências.
No domingo, 4 de outubro, Trump anunciou a criação de uma “Força de Super Inteligência” para coordenar os esforços norte-americanos e garantir que os EUA se mantêm na dianteira na corrida à IA.