Loader
Encontra-nos
Publicidade

Recifes de coral branqueiam com calor extremo: guarda-sóis subaquáticos podem protegê-los

Guarda-chuvas subaquáticos podem proteger corais da radiação ultravioleta intensa
Sombrinhas subaquáticas protegem corais da luz ultravioleta intensa -  Direitos de autor  Pascal van de Vendel / Unsplash
Direitos de autor Pascal van de Vendel / Unsplash
De Craig Saueurs
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Sombras subaquáticas podem ajudar os corais a sobreviver a calor extremo, mas os investigadores sublinham que não são uma solução completa.

Um guarda-chuva pode funcionar debaixo de água? A resposta parece ser sim, mas não pela razão que muitos imaginam.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Em todo o mundo, ondas de calor marinhas estão a expor os corais a um stress térmico extremo. Quando a temperatura do mar sobe demasiado, os corais em stress expulsam as microalgas que vivem nos seus tecidos, ficam brancos e perdem a principal fonte de alimento – um fenómeno conhecido como branqueamento, que está a tornar-se alarmantemente frequente.

Um grupo de cientistas na Florida acredita que guarda-chuvas subaquáticos podem atenuar os danos.

“O branqueamento dos corais associado ao calor é provavelmente a maior ameaça aos recifes em todo o mundo”, afirma Karen Neely, da Nova Southeastern University, autora principal de um artigo científico publicado esta semana na revista Frontiers in Marine Science. “Soluções como o sombreamento podem oferecer proteção temporária em pequena escala.”

Estados Unidos: guarda-chuvas subaquáticos protegem corais da Florida

O estudo nasceu após uma onda de calor marinha sem precedentes atingir a zona dos Florida Keys em 2023.

Na maioria dos locais, todos os tipos de coral sofreram branqueamento, e os corais ramificados – espécies que crescem em formações semelhantes a árvores ou galhadas, como os corais-de-viúva e de chifre de veado – ficaram praticamente dizimados. Numa zona costeira, mais de metade dos corais monitorizados pelos investigadores perdeu parte ou todo o seu tecido vivo.

“Este estudo resultou diretamente desse episódio: queríamos demonstrar, em princípio, ferramentas para salvar corais específicos em eventos semelhantes no futuro”, explica Neely.

No verão seguinte, os investigadores selecionaram 40 colónias pertencentes a duas espécies de coral-cérebro na parte sul dos Florida Keys.

Metade foi deixada exposta e metade foi coberta com sombras flutuantes, feitas de estruturas em PVC e rede de nylon – como guarda-sóis subaquáticos suspensos cerca de 30 centímetros acima do coral.

Os investigadores sublinham que estas sombras não foram usadas para arrefecer a água. Serviram antes para reduzir a luz solar intensa e a radiação ultravioleta, que pode agravar o branqueamento.

Os mergulhadores começaram a monitorizar os corais em julho de 2024 e instalaram os guarda-chuvas em agosto, quando o calor de verão se intensificou. Mantiveram o acompanhamento até novembro, quando as temperaturas baixaram, registando alterações na cor e nas algas que vivem dentro dos tecidos dos corais.

Apesar de 2024 ter registado, naquele local, o segundo nível mais elevado de stress térmico desde 1985, alguns dos corais sombreados começaram a recuperar cor depois de instalados os guarda-chuvas. Os corais expostos ficaram mais pálidos durante a fase mais quente da experiência.

Mas, insistem os investigadores, os guarda-chuvas continuam a ser apenas uma solução temporária.

Cobrir recifes inteiros seria impraticável, pelo que veem sobretudo esta abordagem como forma de proteger corais vulneráveis durante episódios de calor extremo. Em última análise, porém, a proteção a longo prazo depende de limitar o aquecimento dos mares.

“A escala é a grande limitação deste estudo”, resume Neely. “O sombreamento não resolve tudo.”

Mundo: ondas de calor marinhas branqueiam recifes em todo o planeta

À escala global, as temperaturas dos oceanos continuam a bater recordes. A 22 de agosto, a temperatura média global da superfície do mar fora das regiões polares atingiu 21,1 ºC, a temperatura diária mais elevada alguma vez registada.

Entretanto, o calor extremo atinge os recifes de coral com maior frequência. Em agosto, a Global Coral Reef Monitoring Network informou que os episódios de branqueamento ocorrem agora aproximadamente a cada cinco a seis anos (fonte em inglês), em comparação com cerca de uma vez por década no passado.

Embora os corais possam recuperar do branqueamento quando as temperaturas do mar descem, ondas de calor marinhas frequentes podem deixar pouco tempo para que recifes já danificados se reparem.

O mais recente episódio global de branqueamento começou em 2023. Entre 2023 e 2024, a cobertura de coral duro diminuiu 8,9 por cento em todo o mundo – a maior queda anual registada até à data.

Em março de 2025, 84 por cento dos recifes do mundo já tinham enfrentado temperaturas suficientemente altas para causar branqueamento, enquanto partes da Grande Barreira de Coral, na Austrália, registaram as suas maiores perdas anuais de coral vivo em quase 40 anos de monitorização.

Embora os recifes de coral cubram menos de 0,2 por cento do fundo do oceano, são essenciais para a vida, tanto debaixo de água como em terra.

Oferecem alimento e abrigo a pelo menos um quarto de todas as espécies marinhas, incluindo muitos peixes capturados para consumo, e constituem uma barreira natural para proteger as zonas costeiras.

Apesar de os guarda-chuvas subaquáticos não conseguirem evitar as ondas de calor marinhas, o estudo da Florida sugere que podem dar a estes organismos fundamentais pelo menos alguma proteção à medida que as temperaturas sobem.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

“Empolgante”: agricultores holandeses trocam o gado pelo arroz

Europa reduz dependência de gás caro e tóxico: vendas de bombas de calor disparam

Tempestades intensificam-se com o aumento das temperaturas: Que países estão mais em risco