Na noite de 4 para 5 de outubro, o “Livro do Apocalipse”, obra única de 210 quilos com trabalhos de Salvador Dalí, Jean Cocteau e Bernard Buffet, foi roubado num centro de arte contemporânea em Issoire, no Puy-de-Dôme
Novo furto no mundo da arte: o “Livro do Apocalipse”, descrito como uma das obras mais caras (e mais pesadas) do mundo, foi roubado de um museu privado em Issoire, na região de Auvergne, na noite de domingo para segunda-feira, indicou o Ministério Público de Clermont-Ferrand.
O exemplar original e único deste livro, idealizado pelo editor auvernês Joseph Forêt, foi concebido como uma obra de arte total em torno do Apocalipse de São João.
Com um peso total de 210 quilos, esta obra composta por 150 pergaminhos foi realizada entre 1958 e 1961 por sete grandes escritores e sete grandes pintores da época, entre os quais Ossip Zadkine, Léonard Foujita, Jean Cocteau e Jean Giono. Salvador Dalí esculpiu a capa recorrendo à técnica da cera perdida.
Livro percorre o mundo antes de desaparecer
Depois de ter sido apresentado em quase 150 exposições em todo o mundo entre 1961 e 1972, o livro desapareceu durante vários anos. Guardado na Suíça, acabou por ser vendido a colecionadores japoneses.
Quando estes se preparavam para o colocar em leilão, peça a peça, foi adquirido em 2003 por Christian Karoutzos, presidente executivo de uma empresa de restauro de obras de arte em Issoire. Este decidiu expor a capa e alguns pergaminhos no seu centro de arte contemporânea da cidade, até ao outono.
“É uma obra catedral, magistral, única no mundo”, lamentou o novo proprietário à ICI Pays d’Auvergne após o furto, acrescentando que_“assassinaram a França esta noite, assassinaram o património francês”_.
“É a obra de um proprietário privado que tinha um pequeno museu de arte contemporânea privado onde se encontravam outras obras de menor valor”, declarou, por seu lado, o presidente da câmara de Issoire, Bertrand Barraud. Precisou que o prejuízo era “inestimável” e que se tratava de “a obra de uma vida”.
Foi aberta uma investigação pela brigada de pesquisas da gendarmaria de Clermont-Ferrand. A obra está avaliada em vários milhões de euros.
Este furto faz lembrar os acontecimentos ocorridos no Louvre em 19 de outubro de 2025, quando os assaltantes conseguiram roubar joias avaliadas em 88 milhões de euros_._