A revolta tem vindo a crescer desde que o antigo presidente Hashim Thaci, visto por muitos como herói da luta pela independência, foi condenado no mês passado por crimes cometidos na guerra dos anos 1990 contra a Sérvia.
A polícia de choque recorreu a gás lacrimogéneo e a um canhão de água contra manifestantes em frente ao parlamento do Kosovo, na noite de segunda-feira, depois de os deputados terem encerrado a sessão sem aprovarem um projeto-lei que limita os poderes do tribunal de crimes de guerra do país.
Várias centenas de manifestantes passaram grande parte do dia em frente ao edifício, prometendo mantê-lo bloqueado até à aprovação da lei. Quando a sessão terminou, ao início da noite, avançaram em direção às barreiras policiais para tentar impedir a saída dos deputados.
O gás lacrimogéneo foi lançado sobre a multidão, enquanto alguns manifestantes atiravam petardos contra os agentes. Contentores do lixo foram incendiados junto ao parlamento e choveram projéteis sobre a polícia, que respondeu com o canhão de água e veículos blindados.
Durante o impasse, que se prolongou por várias horas, os manifestantes contestaram a condenação, no mês passado, do antigo presidente Hashim Thaci por crimes de guerra cometidos durante a guerra de independência contra a Sérvia, na década de 1990.
Thaci e outras três figuras de topo da guerrilha receberam pesadas penas depois de considerados criminalmente responsáveis por assassínios, detenções ilegais, tortura e maus-tratos infligidos por combatentes do Exército de Libertação do Kosovo.
A sentença desencadeou indignação e várias manifestações no país dos Balcãs, onde os quatro homens são amplamente vistos como heróis da luta pela independência.
O projeto-lei foi aprovado na primeira leitura, na segunda-feira, mas não chegou a ser transformado em lei. A norma retiraria às Câmaras Especiais do Kosovo (KSC) a competência para julgar crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito entre guerrilheiros albaneses étnicos e as forças armadas sérvias. A jurisdição ficaria limitada a crimes cometidos em território kosovar no período imediatamente posterior à guerra.
As KSC estão instituídas ao abrigo da legislação do Kosovo, mas têm sede em Haia. Partidos da oposição e associações de veteranos de guerra contestam-nas há muito.