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Responsável pela política comercial da UE ruma a Pequim sob pressão devido às importações chinesas

Bruxelas e Pequim iniciaram negociações comerciais em junho passado.
Bruxelas e Pequim iniciaram negociações comerciais em junho passado. -  Direitos de autor  AP Photo
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De Peggy Corlin
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Bruxelas ainda não encontrou uma forma de travar as importações chinesas, numa altura em que os líderes da UE exigem resultados das negociações com Pequim, num contexto em que se avizinha uma guerra comercial.

O comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, desloca-se a Pequim esta quarta-feira para dois dias de negociações com o objetivo de reequilibrar as relações comerciais que Bruxelas considera fortemente desequilibradas a favor da China.

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As suas reuniões com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, ocorrem num momento em que o défice comercial da UE com a China atingiu um valor recorde de mil milhões de euros por dia – e à medida que se aproxima o prazo de outubro para a apresentação de progressos.

A Comissão Europeia iniciou, em junho, negociações para abordar o que os responsáveis descrevem como exportações chinesas que distorcem o comércio, dando a Pequim até outubro para apresentar resultados "tangíveis".

No centro das negociações está o acesso ao mercado da UE. Bruxelas pretende quotas específicas por produto para as importações chinesas, mas ainda não conseguiu persuadir Pequim a restringir as exportações. A China rejeitou recentemente a sua proposta de "restrições voluntárias às exportações" de veículos elétricos.

A pressão está a aumentar, à medida que uma vaga de importações chinesas de baixo custo ameaça setores inteiros da indústria europeia.

Os líderes da UE, cujos países apresentam agora todos défices comerciais com a China, esperam que Šefčovič regresse com resultados concretos antes da cimeira que se realizará em Bruxelas na próxima semana.

União Europeia admite “medidas mais severas”

“Eles [a UE-27] querem ver o rumo a seguir. Querem até ter um conceito para a resolução desta questão, um projeto-piloto”, disse Šefčovič à Euronews, numa entrevista exclusiva no início de setembro.

“Estou a tentar fazê-lo através destas negociações, mas elas têm de nos trazer resultados muito concretos."

Ele alertou que a incapacidade de apresentar resultados tangíveis este mês desencadearia "um forte movimento político" entre os líderes da UE a favor de "medidas mais severas".

O chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente francês Emmanuel Macron defenderam, na segunda-feira, a criação de um novo instrumento que permitisse à Comissão reagir rapidamente a ameaças económicas, incluindo medidas que pudessem levar a "um corte imediato do acesso ao mercado interno, se necessário".

As tensões comerciais intensificaram-se nos últimos meses, com Pequim a ameaçar retaliações face às propostas da UE para restringir o acesso ao seu mercado.

Desde o início das negociações, a Comissão também lançou várias investigações sobre produtos chineses por práticas comerciais desleais e impôs direitos antidumping a empresas chinesas.

A Euronews soube ainda que os Estados-membros da UE estavam a adiar investigações no setor dos produtos químicos que poderiam conduzir à adoção de medidas de salvaguarda — quotas e direitos aduaneiros — para proteger uma indústria particularmente afetada pela concorrência chinesa.

Entretanto, a China abriu, no sábado, uma investigação sobre produtos químicos da UE, uma medida vista como retaliação às investigações da UE sobre os produtores químicos chineses.

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